Presidente fala ao país. “Desejo que este seja o último estado de emergência”

PR / Lusa

O Presidente da República falou ao país, esta quinta-feira, depois de a Assembleia da República ter aprovado a renovação do estado de emergência.

Na comunicação ao país, Marcelo Rebelo de Sousa começou por dizer que acabou de assinar aquilo que desejamos todos que seja “a segunda e a última renovação do estado de emergência”.

“Estamos a ganhar a segunda fase”, declarou o Presidente da República, repetindo que “abril é um mês decisivo” para vencer esta pandemia e “ganhar maio”. Descer os contágios e o indicador de contaminação para “menos de uma pessoa por infetado” era também necessário e assim foi conseguido.

“Sem alarde, agricultores continuaram a sua faina e industriais continuaram o seu trabalho. (…) Comércio e serviços também se ajustaram como puderam. Era uma parte da nossa economia real a mostrar que queria avançar”, afirmou.

Então, porquê a renovação do estado de emergência? Três razões, explica o chefe de Estado. A começar pela situação nos lares, que precisa de “mais algum tempo” para ser travada e controlada. “Consolidar essa tarefa é imperativo”, justifica.

Em segundo, pelo facto de sermos o “quarto país que mais testa por milhão de habitantes”, mas, mesmo assim, “termos de continuar a estabilizar o número diário de internamentos para assegurar que o SNS se encontrará em condições de responder em caso de aumento progressivo de contactos sociais”.

Por último, porque esta renovação “dá tempo e espaço ao Governo para estudar e preparar a abertura gradual da sociedade e de economia” depois de abril, atendendo a “tempo, modo, territórios, áreas e setores” de forma a que seja “criada confiança” nos portugueses.

Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se também aos mais velhos. “Aos da minha idade, aos mais velhos, (…) ninguém quer encerrar-vos num gueto, dividir entre os imprescindíveis e os frágeis que são descartáveis. Cuidar de vós é diferente de vos menorizar”.

Falando de seguida aos “mais jovens dos jovens”, Marcelo diz admirar a sua atitude. “Admiro a vossa capacidade de reagir ao maior e incompreensível choque das vossas vidas”.

E, por fim, uma palavra aos autarcas: “Se alguém um dia duvidar das decisões tomadas para salvar vidas”, o próprio será “o primeiro a testemunhar” que essas decisões foram cruciais.

O Presidente quis ainda tentar responder às dúvidas que pairam na cabeça dos portugueses. “Será que maio poderá corresponder às expectativas suscitadas? Será possível suportar por algum tempo mais tamanhas privações neste caminho a que tantos estrangeiros chamam o milagre português?”, elenca.

Tudo dependerá do que conseguirmos alcançar até ao fim de abril. Isso será medido dentro de duas semanas e do bom senso com que gerirmos abertura sedutora, mas complexa”, acrescentando que, assim, o mês de maio terá de ser a “ponte entre o dever e a esperança”.

Marcelo Rebelo de Sousa considera que este um processo “ingrato, longo e imprevisível” e que “o cansaço aperta”, mas pediu que, “por precipitações em abril, não se deite maio a perder e ainda o que se vai seguir”, porque “não queremos morrer na praia”.

O chefe de Estado Marcelo elogia o que os outros dizer ser o “milagre português”, mas recusa a dimensão divina. “É fruto do sacrifício, é fruto de todos nós que estamos sempre solidários e mobilizados”.

“Se isto é um milagre, como lá foram dizem, então nós, o povo português, somos um milagre vivo há quase nove séculos. Se isto é um milagre, então o milagre chama-se Portugal”.

A Assembleia da República aprovou, esta tarde, a renovação do estado de emergência proposto pelo Presidente da República com os votos a favor do PS, PSD, CDS-PP, PAN, BE e as abstenções do partido Os Verdes e do Chega. O PCP, a Iniciativa Liberal e a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira votaram contra.

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7 COMENTÁRIOS

  1. Eu costumo dizer que até aos Santos Populares ainda faz frio! Maio é mês de chuva e trovoada! se alguém se constipa toca logo o alarme de covid 19 e vai tudo a correr para os hospitais! Vai seguir a pandemia que ainda não acabou! mas se “ninguém quer morrer na praia” ponham os banheiros de serviço nas praias e ponham as bandeiras a assinalar a época Balnear! e a polícia marítima a prevenir que só podem entrar na praia 10 pessoas de cada vez e de máscara! e no Santuário de Fátima como é que vão fazer? é complicado… Não vejo que o maduro Maio seja apropriado para levantar a quarentena! escolham o Junho que é o mês do Santo António, das sardinhas e dos arraiais! talvez seja mais apropriado, é um mês mais quente! é preciso dar tempo ao tempo, para termos mais tempo, de sossego na nossa cabeça! é com a nossa cabeça que devemos pensar, não com a cabeça dos outros! porque os outros só pensam em nós, quando lhes convém! e se “o seguro morreu de velho” por que carga de água, havemos de morrer mais novos, só para favorecer os outros? Nós, um povo de barões assinalados/ que da Ocidental praia Lusitana/ por mares nunca d’antes navegados/ passámos para ainda além da Taprobana… Acho que neste momento até o Camões se está a rir de nós!!! começámos ‘uma obra, ou manobra’ que de repente queremos derrubar? Guardem tudo para o Santo António, ou se não acreditam no Santo, acabem com o feriado! Que não faz falta nenhuma, nem o Santo se vai importar, porque neste país só falava para os peixinhos!

  2. “Desejo que este seja o último estado de emergência” Eu também Sr. Presidente, Rebelo de Sousa! Gosto muito do Sr. e gosto muito do nosso país! por isso me dou ao trabalho de responder aos comentários da forma que me parece mais correcta! Até ao fim de Abril, ainda há tempo para pensar, tudo depende da teimosia das pessoas (cidadãos). Cumprimentos, Sr. Presidente!

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