“A democracia prevaleceu”. Joe Biden apela à união na tomada de posse como 46º Presidente dos Estados Unidos

Andrew Harnik / EPA Pool

O democrata Joe Biden tomou esta quarta-feira posse como 46.º Presidente dos Estados Unidos, após ter feito o juramento de funções perante o presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, nas escadas do Capitólio, em Washington.

Joe Biden – que sucede a Donald Trump, após ter vencido o republicano nas eleições presidenciais de 3 de novembro – prestou juramento na escadaria oeste do Capitólio, numa cerimónia sob um forte dispositivo de segurança, após o violento ataque ao Congresso, na passada semana, por uma multidão de apoiantes de Donald Trump.

“É um novo dia para a América”, escreveu Biden, 78 anos, três horas antes da posse como Presidente, na sua conta da rede social Twitter, momentos depois de ter assistido a uma cerimónia religiosa em Washington, acompanhado da mulher, Jill, e de Kamala Harris, que também tomou esta quarta-feira posse como sua vice-Presidente.

“Hoje, comemoramos a vitória, não de um candidato, mas de uma causa – a causa da democracia”, disse o Presidente dos Estados Unidos na abertura do discurso.

“Hoje celebramos o triunfo, não de um candidato, mas sim de uma causa – a causa da democracia. A vontade do povo foi ouvida e a vontade de povo prevaleceu. Voltámos a aprender que a democracia é preciosa. Que a democracia é frágil. E nesta hora, meus amigos, a democracia prevaleceu”, afirmou.

O discurso inaugural de Biden, que se afirmou como o Presidente de todos, foi marcado por um apelo aos norte-americanos para que tenham espírito de unidade e confiança na democracia, perante os difíceis desafios que o país irá enfrentar nos próximos tempos.

Biden disse que “poucos encontraram um tempo tão difícil como aquele que atravessamos”, referindo-se explicitamente à pandemia de covid-19, à violência nas ruas das cidades norte-americanas, às divisões políticas e à crise económica.

“Poucas pessoas na história de nossa nação desafiaram tanto, ou acharam uma época mais desafiadora ou difícil do que a que estamos agora”, admitiu Biden. “Temos muito que fazer neste inverno de perigo e possibilidades significativas: muito para reparar, muito para restaurar, muito para curar, muito para construir e muito para ganhar”, acrescentou.

Biden agradeceu ainda aos antecessores pela forma como preservaram a democracia e a relevância do cargo que agora ocupa.

Uma palavra aos adversários

Uma parte relevante do seu discurso inaugural dirigiu-se aos adversários políticos, apelando ao diálogo e à compreensão, dizendo que, a partir de hoje, devem procurar soluções em conjunto. “Não nos devemos olhar como adversários, mas como vizinhos”.

Sei que as forças que nos dividem são profundas e reais. Mas também sei que não são novas. A nossa história tem sido uma luta constante entre o ideal americano, de que todos somos criados iguais, e a dura e horrível realidade do racismo, medo e demonização que há muito nos separam”, explicou Biden.

“Este é o nosso momento histórico de crise e desafio. A unidade é o caminho a seguir e devemos enfrentar esse momento como Estados Unidos da América”, acrescentou o Presidente, pedindo para que esse momento de unidade prevaleça, mesmo depois de episódios traumáticos, como o ataque ao Capitólio por apoiantes de Trump.

“Aqui estamos nós, poucos dias depois que uma multidão turbulenta pensar que poderia usar a violência para silenciar a vontade do povo”, disse Biden, afirmando que ninguém pode “parar o trabalho da democracia”.

“Isso não aconteceu. Nunca vai acontecer. Nem hoje, nem amanhã. Nunca. Nunca”, garantiu o Presidente, referindo-se aos poderes negativos e violentos que prometeu derrotar no seu mandato.

Biden insistiu em que a “discórdia não pode ser pretexto para guerra total”, estendendo a mão aos adversários, prometendo que será o “Presidente de todos os americanos” e dizendo que se empenhará a defender os seus apoiantes como os seus adversários. O novo Presidente disse que este é o momento “para baixar a temperatura”, para acalmar ânimos políticos desavindos, perante graves desafios.

“Vamos derrotar a pandemia. Mas vamos fazê-lo juntos. Temos de o fazer juntos”, prometeu Biden, recordando que a crise sanitária que se vive já matou tantos norte-americanos como a Segunda Guerra Mundial.

Kamala Harris, a primeira mulher vice-Presidente

Kamala Harris foi também esta quarta-feira empossada como a primeira mulher a ocupar o lugar de vice-Presidente dos Estados Unidos, momentos antes da de Joe Biden.

A ex-senadora norte-americana da Califórnia também é a primeira pessoa negra e a primeira pessoa de ascendência sul-asiática eleita para a vice-presidência. Kamala Harris foi investida por Sonia Sotomayor, a primeira latina a ocupar um lugar no Supremo Tribunal dos Estados Unidos.

O agora ex-vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, em representação do chefe de Estado cessante, Donald Trump, ausente da cerimónia, estava sentado um pouco ao lado do local em que Harris jurou cumprir a Constituição dos Estados Unidos, enquanto Lady Gaga cantava o hino nacional norte-americano, acompanhada pela Banda Militar dos Fuzileiros.

Kamala Harris é a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-Presidente dos Estados Unidos, depois de um percurso marcado por romper regras e tradições na vida política norte-americana. Com uma carreira brilhante, apesar de episódios polémicos, Harris sonha há muito em se tornar a primeira mulher Presidente dos Estados Unidos.

Esta quarta-feira, a ex-senadora entrou na Casa Branca como vice-Presidente, mas certamente com os olhos postos nas eleições presidenciais de 2024, com vários analistas a considerar que, aos 77 anos, o 46.º Presidente dos Estados Unidos não ensaiará uma recandidatura à Casa Branca.

ZAP ZAP // Lusa

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