Das manifestações às ocupações, a tensão cresce na Catalunha

Liz Castro / Flickr

Manifestação pela independência da Catalunha, 19 outubro 2014

Faltam (muito) menos de 24 horas para o dia do referendo independentista na Catalunha. Referendo que Madrid continua a considerar inconstitucional e a tentar combater por todos os meios e Barcelona continua a gritar que o povo tem o direito a votar.

Professores, pais e vizinhos ocupam uma escola em Barcelona num ato de “resistência pacífica” para impedir o encerramento do estabelecimento pela polícia e assegurar a votação no domingo no referendo sobre a independência catalã considerado ilegal pelo Estado espanhol.

“No domingo, se houver violência, não é culpa nossa, será da polícia”, garantiu à agência Lusa Henrique Alba, responsável pela realização da “atividades familiares” na Escola Rainha Violant no Bairro de Gracia, em Barcelona.

Alba e um grupo de cerca de 60 adultos vão passar uma segunda noite a impedir o fecho da escola e asseguram que, caso a polícia os queira desalojar no domingo, ficarão “sentados a cantar” num gesto de “festa” e de “resistência pacífica”.

Até meio da tarde de sábado, os Mossos d’Esquadra (polícia regional da Catalunha) já tinham ido à escola Rainha Violant quatro vezes para identificar “uma ou outra pessoa” e saber o que se estava a fazer no estabelecimento.

Ao longo do dia de hoje, dezenas de alunos estiveram envolvidos em atividades no quadro da iniciativa “Campanha Escolas Abertas” que deviam terminar no final do dia.

Pais e professores entregavam alguns cravos a quem ia passando, num gesto copiado da revolução pacífica em Portugal que teve lugar em 1974. “Estamos a copiar o gesto pacífico dos portugueses porque queremos votar também em paz. O problema não vão ser os Mossos mas sim a Guardia Civil e a Policia Nacional espanhola”, sublinhou o professor.

De qualquer forma, a polícia regional deixou um requerimento no sentido de que às 06:00 (05:00 de Lisboa) de domingo “a escola teria de estar vazia e sem quaisquer atividades, para ser selada pelas autoridades.

“Isso não vai acontecer”, assegura Alba, que tudo vai fazer para que a assembleia de voto abra às 09:00 (08:00 em Lisboa), embora ainda não saiba quem irá trazer as urnas nem a que horas isso vai acontecer.

O catalão, que é neto de andaluzes e galegos, criticou o Estado espanhol por sempre ter tratado a Catalunha “como uma colónia” e defendeu uma sociedade que no futuro seja “mais igual e livre”, inspirada nos países nórdicos.

A mãe de uma aluna do Rainha Violant assegurou à Lusa que não havia crianças a ser usadas como “escudos humanos”, para fins políticos, como “alguns” sugerem.

As crianças estão sempre aqui nos sábados a realizar as mais diversas atividades”, disse Sara Solà, acrescentando que no domingo a intenção é ceder o espaço para se realizar a jornada eleitoral, “como em todas as outras eleições”.

A polícia apreendeu nos últimos dias milhões de boletins de voto e 45 mil convocações de membros das mesas eleitorais.

O Tribunal Constitucional espanhol suspendeu no início de setembro, como medida cautelar, todas as leis regionais aprovadas pelo Parlamento e pelo Governo da Catalunha que davam cobertura legal ao referendo de autodeterminação convocado para 1 de outubro.

Apesar das decisões dos tribunais e da pressão de Madrid, o presidente do Governo catalão, Carles Puigdemont, mantém que o referendo de autodeterminação se irá realizar.

Os partidos separatistas têm uma maioria de deputados no parlamento regional da Catalunha desde setembro de 2015, o que lhes deu a força necessária, em 2016, para declararem que iriam organizar este ano um referendo sobre a independência, mesmo sem o acordo de Madrid.

Na sexta-feira, terminou o período de campanha eleitoral com uma grande manifestação em Barcelona dos movimentos separatistas. Os opositores à independência, que os estudos de opinião indicam serem maioritários, não participaram na campanha e afirmaram que não irão votar, para não darem credibilidade à consulta.

Entretanto, a polícia terá fechado mais de metade das 2300 assembleias de voto.

Enric Millo, o delegado do Governo na Catalunha, disse que os agentes desativaram software desenhado para gerir em rede as mais de 2.300 assembleias de voto , bem como para a divulgação de resultados e aplicações para voto online.

O delegado do governo disse que, desta forma, fica afastada a possibilidade de se realizar “um referendo efetivo, com garantias legais e vinculativo na forma prometida pelo governo regional catalão”.

ZAP // Lusa

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