Daesh reivindica controlo de Palma. Portugal envia 60 militares para Moçambique após ataque

Luis Miguel Fonseca / EPA

O Daesh reivindicou esta segunda-feira o controlo da vila de Palma, no extremo norte de Moçambique, que foi atacada por insurgentes na quarta-feira da semana passada.

A agência oficial do movimento, a Amaq, divulgou imagens da vila e reivindicou a ocupação do capital do distrito, junto à fronteira com a Tanzânia.

Numa declaração publicada num dos grupos de propaganda do Daesh, no serviço de mensagens instantâneas Telegram, o grupo jihadista disse que atacou “quartéis militares e quartéis-generais do governo”.

Além disso, o Daesh afirmou que tomou “o controlo da cidade” e relatou a morte de dezenas de militares “do Exército moçambicano e de cristãos, incluindo nacionais de Estados cruzados”, numa referência a países ocidentais.

Não existem relatos sobre a situação na vila há vários dias e a capital provincial de Cabo Delgado, Pemba, tem sido destino de muitos deslocados.

Portugal envia 60 militares para Moçambique

De acordo com o semanário Expresso, o Governo português vai enviar cerca de 60 militares para reforçar a ajuda na formação das forças especiais moçambicanas.

“Está em planeamento o reforço da cooperação técnico-militar bilateral com Moçambique, no quadro do qual cerca de 60 militares portugueses vão contribuir para a formação de forças especiais moçambicanas”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“No quadro da União Europeia, na sequência da missão política realizada em janeiro passado e liderada pelo MNE português, decorrem os trabalhos de preparação do incremento da cooperação europeia na dimensão da segurança, possivelmente através quer de apoio em equipamento, quer de apoio em formação”, acrescenta a nota.

Manuel de Almeida / Lusa

O Ministério tutelado por Augusto Santos Silva refere ainda que o português que ficou ferido no ataque de quarta-feira está a receber “tratamento hospitalar em Joanesburgo, na África do Sul”, e que o Executivo está a acompanhar o caso.

O consulado-geral de Maputo está a prestar o apoio necessário aos portugueses na região “mais fustigada pelos ataques terroristas” para “contactar sistematicamente todos os nossos concidadãos e lhes prover o apoio consular, assim como de procurar obter todas as informações possíveis sobre a situação em Palma”.

Pentágono “determinado” a apoiar luta

Os Estados Unidos estão “determinados” a apoiar o governo moçambicano a combater os insurgentes em Cabo Delgado, que consideram ligados ao ISIS, afirmou esta segunda-feira o porta-voz do Pentágono, John Kirby.

“Continuamos determinados a cooperar com o governo de Moçambique no contraterrorismo e no combate ao extremismo violento e a derrotar o ISIS”, afirmou Kirby, numa declaração em que condena o ataque.

Os ataques “demonstram uma total falta de respeito pelo bem-estar e segurança da população local, que sofre terrivelmente com as táticas brutais e indiscriminadas dos terroristas”, adiantou.

O ISIS-Moçambique, localmente conhecido como al-Shabaab, alegadamente jurou fidelidade ao ISIS em abril de 2018, e foi reconhecido pela organização como afiliada em agosto de 2019.

Na quarta-feira, Palma, a vila sede de distrito com 42 mil habitantes, que acolhe os grandes projetos de gás do norte de Moçambique, foi atacada por grupos insurgentes jihadistas que há três anos e meio aterrorizam a região. O ataque foi reivindicado pelo grupo terrorista Estado Islâmico.

Dezenas de civis, incluindo sete pessoas que tentavam fugir do principal hotel de Palma, no norte de Moçambique, foram mortos pelo grupo armado que atacou a vila. A violência causou mais de 2.000 mortes e quase 700 mil deslocados.

Vários países têm oferecido apoio militar no terreno a Maputo para combater estes insurgentes, cujas ações já foram reivindicadas pelo autoproclamado Estado Islâmico.

ZAP // Lusa

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21 COMENTÁRIOS

  1. Isto é inadmissível. No tempo do fascismo enviavam militares Portugueses p/ a ex colonias p/países que eram de Portugal, agora enviam á mesma sem o serem?
    Foram tão contra o envio de tropas e agora?… Só mudam as moscas, a M—- é a mesma.

    • Quanto mais tarde pior! Depois do que se viu na Síria, acho que o problema com os radicais islâmicos em Moçambique ultrapassa qualquer complexo entre ex-colonizador e ex-colónia. E nada melhor que uns bons “Cruzados” portugueses para combater os radicias islâmicos..

  2. Portugal deveria atuar diplomaticamente na ONU e em contactos bilaterais no sentido de exigir uma intervenção musculada em Moçambique. É inaceitável a postura do Estado Português. No passado conseguimo-lo em Timor, através da pressão internacional. Como estes terroristas não cederão a pressões internacionais, a única via parece-me uma solução militarizada internacional. É inaceitável que se continue a olhar para o lado e Portugal tem responsabilidade acrescida.

    • Portugal responsabilidade? Deves tar é a gozar, então mas não quiseram a independência? Que sejam independentes e vocês marxistas corruptos agora enviam tropas para lá só porque não gostam de religiões? Que grande palhaçada, se a vontade deles é serem muçulmanos os comunas dos vossos amigos de moçambique que agora cedam as vontades do povo, não foi o que quiseram nas guerras de independência? Que era a vontade do povo? Deixem de ser hipócritas, estive do lado de uma intervenção em Timor mas aqui não, os timorenses nunca foram traidores até ao fim. Sou contra o envio de tropas para ir combater moçambicanos muçulmanos, sempre é melhor uma religião a governar que comunistas, é a vontade do povo acabou.

      • Para começar eu sou de direita. E quanto ao resto, o teu comentário evidencia que não percebes nada de nada. Os muçulmanos do DAESH não são na sua generalidade moçambicanos mas sim de países ao norte de Moçambique.
        Depois revelas um recalcamento típico de um ex-colono. Em síntese, tens essa cabeça muito desarrumada.

    • Ai tem responsabilidade acrescida ? E porquê pode explicar? Não tiveram a independência que tanto queriam ? Ser independente é o contrário de ser dependente , certo ?
      Há mais de 40 anos que o dizem que são , mas continuam dependentes de tudo , fruto de que toda a gente sabe

  3. Quiseram a independência agora têm um bando de arruaceiros a matar sem dó nem piedade e nem isso conseguem controlar?

    Claro o Tuga amigo de toda a gente vai ajudar…mas quando foi para nos dar um chuto no cu tudo bem…

    Próximo passo? acolher refugiados e dar-lhes casa e rendimentos mínimos não?

    Acredito sim numa solução mas deveria ser internacional.

    • Acolher refugiados é capaz de ser boa idea. Foi o que a Alemanha fez com os sírios para ter mais jovens no país que daqui a uns aninhos estão a pagar as reformas aos que hoje reclamam. Com a taxa de natalidade tão baixa, receber refugiados e integrá-los (em vez de jogá-los para bairros sociais) pode salvar as contas da segurança social a médio prazo.

      • Sim, porque as pessoas são substituíveis. Vou pegar no meu canil de cães pastores, substitui-los por pinchers e vai tudo dar à mesma coisa.

        Além disso, se acha que os sírios na alemanha contribuem mais para o estado do que aquilo que recebem em apoios sociais, está bem enganado.

  4. Ora notem: um governo saído de um movimento terrorista a queixar-se de que é vítima de… terrorismo!!! AH, ah, ah!

    É-lhes bem feito! Justiça poética ! Ah, ah, ah!

  5. Não brinquemos com coisas sérias. Há muita gente a passar fome, a morrer e a serem deslocados das suas casas por causa da ganância desta invasão! Não se trata de religião nenhuma! Trata-se sim das maiores jazidas de gás natural do mundo e de minas de pedras preciosas raríssimas! Esta é que é a verdadeira religião! E a vila de Palma, onde se situam grande parte destas riquezas, já está nas mãos do invasor. Não misturemos as coisas, os nossos militares foram para lá não para um cenário de guerra mas para darem formação às tropas locais! E os nossos militares não foram combater para o Afeganistão?

    • Se não houvesse recursos naturais, não havia radicais islâmicos nenhuns por lá, tens toda a razão!
      Porque será que esses radicais não formam o seu pseudo-estado no meio do deserto (onde não haja petróleo)?

  6. Aqueles que hoje lá governam e que no passado tão bem souberam praticar o mesmo do que hoje são vítimas bem demonstra que a arte de terrorista é mais fácil do que a de governo responsável. Em todo o caso só temos a lamentar o mau momento por que mais uma vez o povo moçambicano está a passar e não me parece que a reação governamental seja musculada a condizer com a gravidade da situação. Quanto a militares nossos, se éramos maus no passado, por que razão haveremos ser bons hoje?

    • Na verdade nunca fomos maus no passado porque nunca massacrámos a população. A ditadura era má e tínhamos de transitar para a democracia, mas não precisávamos de ter abandonado as colónias à pressa nem muito menos entregado o poder aos terroristas (que de facto eram terroristas e não independentistas, como se viu nas guerras civís tanto em Angola como em Moçambique). A implantação da democracia nas ex-colónias e a sua independência deveria ter sido um processo de pelo menos 10 anos sob a nossa supervisão, mas alguns decidiram que era mais lucrativo lançar Angola e Moçambique no caos para sugar os recursos naturais a preços de saldo.

      • Ze – Plenamente de acordo com a sua opinião, quando refiro que fomos maus no passado, é apenas relembrar a opinião daqueles que praticaram e apoiaram o terrorismo e temos muitos por cá!

      • Deixem-se disso! Ser terrorista é surgir de surpresa em qualquer lugar, matar e refugiar-se na mata para voltar a aparecer noutro local com a mesma intenção, ser militar é estar visível em qualquer parte e procurar defender pessoas e bens, tarefa bem mais difícil que pelos vistos o exército moçambicano não está preparado para tal, pois sempre foram formados para a função de terrorismo.

  7. Biden é eleito e começam os bombardeamentos na Síria, os EUA sofrem um ataque terrorista (deixou de ser notícia quando se soube que afinal não era um ‘homem branco’) e o DAESH recomeça a reconquista. Os EUA regressam ao ‘business as usual’, com um presidente demente que não consegue terminar um raciocínio, mas claro, é o presidente mais popular de sempre na eleição mais legítima de sempre. Muitos dos votantes de Biden estão agora a bater palmas nas campas. Se isto acontecesse com Trump… o nome Trump estava espalhado por esta notícia. Tal como agora parece que a pandemia deixou de existir nos EUA. Agora é só o Brasil o foco destes veículos da propaganda.

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