Da favela à medalha de ouro no Rio. Esta é a história de Rafaela Silva

Facundo Arrizabalaga / EPA

A judoca brasileira Rafaela Silva, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro

A judoca brasileira Rafaela Silva, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro

Da violência na favela aos ataques racistas depois de uma derrota em Londres, Rafaela Silva subiu finalmente ao pódio dos Jogos Olímpicos.

Nascida na Cidade de Deus, uma das favelas mais problemáticas do Rio de Janeiro e que até deu nome a um filme premiado, Rafaela Silva não teve um percurso fácil.

É certo que, desde ontem, esta atleta pode sentir-se no topo do mundo. Afinal, não é todos os dias que se sobe ao pódio dos Jogos Olímpicos, realizados na sua cidade, com uma medalha de ouro nas mãos.

Mas para lá chegar foi preciso muito esforço e dedicação, a começar pela juventude vivida na favela, onde os tiroteios e o tráfico de droga eram os vizinhos do costume.

Rafaela tinha ordem dos pais para brincar apenas em frente ao portão de casa e fugir lá para dentro sempre que ouvisse um tiro, conta o brasileiro O Globo.

Foi essa violência que acabou por domar a personalidade da jovem, que estava sempre envolvida em lutas e levava recados frequentes para casa.

Os pais decidiram pôr um ponto final na história e, juntamente com a irmã Raquel, levaram-na a uma escola de judo orientada por Geraldo Bernardes.

Daí viria a treinar no Instituto Reação, criado pelo ex-judoca Flávio Canto, que foi medalha de bronze em Atenas 2004, e que tem escolas espalhadas por áreas desfavorecidas do Rio.

“Os pais as trouxeram para treinar porque ela não obedecia ninguém, brigava muito. Nas primeiras aulas, vi que tinham boa coordenação, uma agressividade importante. Na Cidade de Deus, ela peitava todo mundo. Tinha que canalizar isso para o judo. Vi que tinha ali um diamante bruto“, explica Bernardes ao jornal brasileiro.

Para poder evoluir no judo, o treinador exigia boas notas na escola e foi isso que Rafaela lhe deu. Mas não deixou de lado os arrufos com os colegas, tal como recorda a atleta na mesma entrevista.

“Eles me provocavam, sabiam que eu fazia judo, queriam ver se eu era boa de briga mesmo. E apanhavam”, lembra.

“Lugar de macaco é na jaula”

Em 2008, tornou-se campeã mundial na categoria sub-20 e o sucesso foi sendo lapidado até aos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, quando tinha apenas 20 anos de idade.

A competição na capital britânica viria a ser o maior soco na barriga de toda a sua existência, quando um golpe ilegal contra a húngara Hedvig Karakas resultou na sua eliminação.

Chorou no tatami, lamentou a eliminação mas foi no quarto da Aldeia Olímpica que recebeu o pior golpe, levado a cabo pelo próprio povo brasileiro.

A judoca recebeu milhares de críticas e mensagens racistas nas redes sociais: “lugar de macaco é na jaula e não nas Olimpíadas” é só um dos exemplos.

Foi nessa fase que a atleta pensou desistir da modalidade, estando quase quatro meses sem vestir um quimono, como recorda o seu treinador ao Globo.

Graças ao apoio da família, do mestre e do trabalho com uma psicóloga, a judoca conseguiu voltar aos treinos para o Mundial de 2013 e para preparar a longa jornada até aos próximos Jogos.

Rafaela conquistou a medalha de ouro esta segunda-feira, depois de um wazari aplicado sobre a mongol Sumiya Dorjsuren, que antes tinha eliminado a portuguesa Telma Monteiro.

A judoca brasileira deixou claro que esta vitória foi uma resposta às críticas que recebeu há quatro anos.

“Depois da minha derrota, muita gente me criticou, disse que eu era uma vergonha para minha família, para meu país. E agora sou campeã olímpica”, afirmou.

“Para uma criança que saiu da comunidade com cinco anos e começou no judo por brincadeira é demais. Eu dedico a vitória a todo mundo”, declarou.

FM, ZAP / Hypeness

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2 COMENTÁRIOS

  1. A Cartada do racismo para tentar aprofundar o sentimento de culpa no branco, e ódio no preto, a dar a ilusão do perpetuo racismo branco p/ preto,

    Receber milhares de posts racistas? não estou a ver nenhum branco a dar a cara e falar nas redes sociais esse tipo de cenas (sem provocação), mas o mito do agressor branco perdura

    Se fossem Realmente racistas ela nem lá estaria, se chegas ao topo é porque o sistema permitiu. (um africano que faça BLM no Iraque e veja o resultado)

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