“Tudo pode servir de desculpa”. Crise política deixa restauração e hotelaria com medo de perder apoios

Patrícia de Melo Moreira / AFP

Com a crise política que o país vive, os setores da restauração e a hotelaria mostram-se preocupados com o futuro e temem que os apoios possam ser prejudicados devido ao impasse económico.

Nos meses de janeiro e fevereiro há uma tradicional quebra de atividade nos setores. A esperança era de que o Governo fosse sensível à necessidade de prolongar apoios na reta final de 2021 para que 2022 fosse um ano de recuperação, mas com a crise política que o país está a viver este cenário pode ser deixado para trás. O impasse político vem juntar-se à subida dos preços dos combustíveis o que possivelmente terá impacto na confiança dos consumidores.

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) mostra-se preocupada porque receia que “tudo pode servir de desculpa” para travar os apoios de que o setor necessita.

“Esta situação da crise política é de facto preocupante, mas já tínhamos sinalizado as nossas preocupações até antes. (…) Porque tudo pode servir de desculpa para que as medidas que estavam no papel não saiam cá para fora e para que não sejam criadas novas medidas que são de facto cruciais para esta reta final”, refere Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, em declarações ao ECO.

A responsável diz ainda que “os apoios acabaram. A única coisa que temos é a retoma progressiva. Depois, há apoios que não foram disponibilizados e não foram pagos. Antes mesmo desta crise política, já estávamos a finalizar junto do Governo a necessidade de continuar a apoiar estas empresas na reta final. Mas desconhecemos a intenção do Executivo de continuar a criar medidas de apoio para estas empresas. E isso preocupa-nos”.

Assim, Ana Jacinto explica que “a AHRESP já alertou que, para prosseguir a recuperação da atividade turística, é necessário que as empresas estejam preparadas e, sobretudo capitalizadas para fazer face aos desafios que se colocam”.

O setor, que foi um dos mais prejudicados pela pandemia, está agora  viver uma espécie de tempestade. Os fatores económicos e políticos que se consolidaram nas últimas semanas “impactam diretamente e de forma violenta na atividade, porque estão a fazer com que todas as matérias-primas subam, e até haja escassez de algumas”.

  ZAP //

 

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