Crise em Angola já fez regressar 3 mil portugueses

André P. / Flickr

Luanda, Angola

Mais de três mil trabalhadores portugueses do setor da construção abandonaram Angola desde o início da crise, em janeiro.

O Jornal de Notícias avança que a crise angolana está a obrigar algumas empresas portuguesas do setor da construção civil a trazer os trabalhadores de volta para Portugal. De acordo com o jornal, três mil trabalhadores já regressaram, e o Sindicato da Construção em Portugal, Albano Ribeiro, afirma que “muitos mais se seguirão”.

A queda nas receitas do petróleo devido à sua desvalorização no mercado, desde janeiro, levou o Governo angolano a travar obras, com o país a viver um grave problema de liquidez, o que tem obrigado as empresas da construção civil que funcionam em Angola a redimensionar-se para se ajustarem.

Algumas empresas que tinham salários em atraso em abril, situação denunciada pelo sindicato, já retificaram essas situações. Contudo, atraso ou cancelamento de obras, as empresas estão a obrigar os trabalhadores a regressar a casa, como é o caso da empresa ACA, que fez regressar 150 trabalhadores.

Albano Ribeiro afirma ao JN que “este regresso vai fazer aumentar o desemprego em Portugal, porque o número de pessoas a regressar vai triplicar, e só algumas empresas, das que têm obras noutros países, com a Alemanha e França, é que estão a reorientar o seu pessoal”.

Já Manuel Reis Campos, da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), alerta para a questão da sustentabilidade destas empresas: “As empresas portuguesas continuam a ver Angola como um projecto a longo prazo, e, perante esta crise, muitas redimensionaram-se, para aguentar, mas por quanto tempo?”

O responsável afirma que a disponibilização, em julho, de uma linha de crédito para as empresas que funcionam em Angola vai renovar a confiança dos fornecedores, podendo chegar aos 500 milhões de euros. Reis Campos sublinha, no entanto, que “a linha de crédito para as empresas que estão em Angola já deveria ter sido disponibilizada. Criaria logo confiança nos fornecedores”.

O presidente da Câmara Luso-Angolana sustenta que a construção “vive de períodos”. Já o presidente da Mota-Engil, António Mota, disse apenas que, não podendo dar dados exatos sem alguns dias para os preparar, uma coisa era certa: “Sabemos é que não vamos crescer em Angola“.

ZAP

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1 COMENTÁRIO

  1. “Abandonaram”?, “regressaram” ? ou foram obrigados a abandonar/regressar? Só podem ter tomado essa decisao confiantes num cenário melhor, por certo!!!!

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