Crianças com cancro durante a pandemia: dificuldades económicas, mas há um lado positivo

Pedidos de ajuda económica aumentaram, por causa do coronavírus. Mas houve um momento positivo que a pandemia trouxe.

Há cada vez mais familiares de crianças com cancro a pedir ajuda económica. A COVID-19 fez aumentar o número desses pedidos.

Só em 2021, a Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro auxiliou quase duas mil famílias (1.911). Em números, o auxílio total aproxima-se dos 300 mil euros.

O apoio é diverso: emocional e psicológico, económico, material e escolar. E essa subida já se tinha verificado em 2020, ano em que a Acreditar ajudou 1.520 famílias.

A verba aumentou e foi toda gasta: “Nós reforçámos o orçamento há dois anos, divergindo das actividades que não íamos fazer por causa da pandemia, como as saídas e os encontros de famílias, e reorganizámos tudo para o apoio social. Em 2020 aumentámos em quase 60% a verba para apoio social e gastámo-la toda“, revelou Margarida Cruz.

A directora-geral da associação acrescentou que os bens alimentares deixaram de ser entregues pessoalmente, por causa das regras que limitaram a circulação: “Percebemos rapidamente que entregar alimentos pessoalmente era uma forma de promover um contacto com as pessoas, que estávamos a promover a circulação de pessoas, quando elas queriam era circular o mínimo possível”.

“De imediato, pedimos ajuda aos nossos mecenas e fomos correspondidos, felizmente. Passámos a dar cartões de supermercado que garantem que as pessoas possam comprar o seu cabaz de alimentos e ajustar também as suas necessidades”, explicou.

Com a proibição de voluntários nos hospitais, e famílias mais isoladas (criança, mãe e pai internados, sem poderem sair), a falta de contactos com exterior originou um impacto psicológico “muito maior”.

Por isso, foram criadas consultas de apoio psicológico às famílias: “Como também trabalhámos a questão do luto parental e estivemos ainda mais próximos das famílias que perderam filhos, sentimos que também estas tinham necessidade de reforço no apoio psicológico, às vezes ao longo de um período ainda relativamente extenso”.

No entanto, a pandemia trouxe um lado positivo: as aulas à distância. As crianças com cancro “sentiram-se muito felizes, porque finalmente tinham acesso à escola remota, que era uma coisa pela qual nós lutávamos muito e tínhamos muita dificuldade em conseguir”.

“Estas crianças e estes jovens estão afastados muitas vezes da escola durante períodos muito longos, às vezes anos; e não é fácil conseguir que a escola disponibilize o equipamento e a assistência necessária para que elas possam assistir remotamente”, explicou Margarida Cruz.

“Tinham aulas como os outros”, continuou. Mas, quando as escolas reabriram, ficou uma sensação de “frustração, porque pensavam que a partir dali iam poder sempre garantir este acesso”.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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