Criança migrante de oito anos sob custódia dos EUA morre na noite de Natal

Uma criança de oito anos da Guatemala morreu sob custódia do Governo dos EUA, sendo esta a segunda morte de uma criança migrante, nas mesmas condições de guarda, no espaço de um mês.

O rapaz morreu na noite de Natal, à meia-noite, de acordo com as autoridades de vigilância de fronteiras norte-americanas, a Customs and Border Protection (CBP).

A criança mostrou “sinais potenciais de doença” na segunda-feira e foi levada, juntamente com o pai, a um hospital em Alamogordo, no Estado do Novo México, onde lhe foi diagnosticada uma gripe e febre, sendo-lhe receitado amoxicilina e ibuprofeno. O menino voltou ao hospital à noite com náuseas e vómitos e morreu quatro horas depois.

No comunicado, as autoridades explicam que o menino foi inicialmente diagnosticado com uma constipação comum e quando as autoridades se dispuseram a dar-lhe alta, perceberam que estava com febre.

As autoridades norte-americanas informaram, na terça-feira, que estão a realizar novos exames médicos a todos os menores que estão sob sua custódia, motivados pela nova morte. Em comunicado, a autoridade de vigilância das fronteiras referiu que está a focar os exames nas crianças com idades até aos dez anos.

A 8 de dezembro, a menina guatemalteca Jakelin Caal morreu no hospital de El Paso, Texas, por causas ainda não reveladas, depois de ter sido detida com o pai, depois dos dois cruzarem ilegalmente a fronteira a partir do México na noite de 6 de dezembro.

Segundo o jornal The Washington Post, que citou o CBP, a menina teria falecido por “desidratação e choque”. O caso de Jakelin Caal gerou grande indignação nos EUA e uma delegação de congressistas que visitou as instalações onde esteve detida denunciaram “falhas sistémicas” no processo e condições de higiene deploráveis.

Após a morte da menina, o Departamento de Segurança Nacional (DHS) anunciou uma investigação, cujos resultados serão apresentados ao Congresso e divulgados ao público.

Em busca de respostas

“Estou com o coração partido por saber da morte de uma segunda criança na detenção”, escreveu no Twitter a representante da Câmara de Representantes por Nova Iorque, Nydia Velazquez. “Devemos exigir responsabilidades, encontrar respostas e pôr fim à odiosa e perigosa política contra os migrantes desta administração”, acrescentou, em alusão às políticas do governo Trump.

A União Americana de Liberdades Civis (ACLU) qualificou os factos de uma “tragédia assustadora”. “O CBP deve prestar contas e parar de deter crianças. O novo Congresso deve ter como uma das suas primeiras prioridades realizar uma investigação ao DHS”, declarou a ONG.

O governo da Guatemala pediu também uma investigação “clara” sobre a morte do segundo menor guatemalteco.

Donald Trump é defensor de uma política de tolerância zero contra a imigração, no âmbito da qual 2.300 migrantes menores de idade foram separados dos seus pais entre 5 de maio e 9 de junho, o que gerou indignação no país e no mundo.

Para conter a imigração, Trump quer construir um muro na fronteira com o México, cujo orçamento de 5 milhões de milhares de dólares é objeto de uma disputa com a oposição democrata, o que provocou uma paralisação parcial do governo federal que pode durar até janeiro. O presidente diz que não vai ceder até obter recursos para construí-lo.

Os migrantes que fogem da pobreza e da violência dos gangues em Honduras, Guatemala e El Salvador arriscam as suas vidas para chegar aos EUA pelas passagens do Novo México, Texas e Arizona.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. A culpa da morte é dos democratas de esquerda, que ao impedirem a construcao do muro incentivam as pessoas a fazerem a jornada. Sem essa jornada ainda estaria viva a criança

    • Não, a culpa não é dos Democratas. De acordo com o Trump, o México é que ia pagar o Muro, para além que o Trump é o melhor a negociar, e consegue fazer negócios com toda a gente como ninguém, foi o que nos vendeu. E não esquecer que os Republicanos tiveram a maioria no Congresso durante 2 anos. Por as culpas nos Democratas não cola.

      • O muro tinha de ser aprovado no senado com 60 votos, ou seja a precisar de votos democratas. E o Trump ja conseguiu renegociar o acordo de comércio com o México que equivale a muitas vezes o preço do muro.
        Os democratas sao uma quadrilha que apoia um país sem lei

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