Criada para prevenir a guerra, a ONU enfrenta um mundo profundamente polarizado

Pete Souza / White House / Wikimedia

Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU)

Criada após a Segunda Guerra Mundial para evitar novos conflitos, a Organização das Nações Unidas (ONU) comemora esta segunda-feira o 75.º aniversário, num mundo polarizado que enfrenta uma pandemia, conflitos regionais, uma economia em declínio e uma crescente desigualdade.

Criticada por alcançar resultados escassos na sua missão de garantir a paz, a ONU continua a ser o único lugar onde os 193 países membros podem se encontrar para conversar, reunindo pessoas de várias idades, etnias e religiões para discutir questões críticas, como as alterações climáticas, notou no domingo o Washington Post.

Numa entrevista à Associated Press, em junho, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que as suas maiores conquistas até agora foram o facto de ter evitado o conflito nuclear e que as nações mais poderosas entrassem em guerra. A sua maior falha, apontou, foi a incapacidade de impedir pequenos e médios confrontos.

Guterres indicou que as pessoas continuam perder a confiança nos governos e nas entidades políticas. O responsável já havia alertado sobre o aumento do populismo, pedindo que o multilateralismo ganhasse força, ao mesmo tempo que denuncia frequentemente a “onda de xenofobia, racismo e intolerância”.

O  secretário-geral apelou à inclusão da sociedade civil, das cidades, do setor privado e dos jovens, afirmando que são “vozes essenciais na formação do mundo que queremos”.

A comemoração desta segunda-feira inclui uma declaração sobre o 75.º aniversário da ONU, aprovada pelos Estados membros. A declaração aponta os sucessos e fracassos da organização ao longo de mais de sete décadas.

“A urgência de todos os países se unirem, para cumprir a promessa das Nações Unidas, nunca foi maior”, pode ler-se na declaração, na qual a ONU é apontada como a única organização global que “dá esperança a tantas pessoas por um mundo melhor”.

Justin Lane / EPA

O secretário-geral da ONU, António Guterres

Mesmo em momentos de grande tensão, lê-se ainda, a ONU “promoveu a descolonização, a liberdade, o desenvolvimento, os direitos humanos e a igualdade para mulheres e homens, trabalhando para erradicar doenças”. E “ajudou a mitigar dezenas de conflitos, salvou centenas de milhares de vidas por meio de ações humanitárias e proporcionou a milhões de crianças a educação que merecem”, acrescentou o documento.

Na declaração, a ONU sublinhou que o mundo “está atormentado por uma crescente desigualdade, pobreza, fome, conflitos armados, terrorismo, insegurança, mudança climática e pandemias” e que os países mais pobres e menos desenvolvidos estão a ficar para trás.

“É lamentável que seja uma celebração bastante sombria para a ONU”, disse Richard Gowan, diretor para as Crises. A declaração, apontou, foi enfraquecida pela oposição dos EUA a uma linguagem forte sobre as alterações climáticas, tendo as negociações sido atrasadas porque alguns países opuseram-se à tentativa da China em manifestar-se.

“Há uma sensação real de que a China tirou proveito do relativo desligamento da administração Trump da ONU para aumentar sua influência”, indicou.

Há um ano, lembrou o Washington Post, Guterres alertou os líderes globais sobre o risco iminente de o mundo se dividir em dois, com os EUA e a China a criar rivalidade na Internet, na moeda, no comércio e nas regras financeiras.

 

Para marcar o seu 75.º aniversário, a ONU lançou em janeiro “uma conversa global”, através de pesquisas, inquéritos e encontros ‘online’ e presenciais para descobrir o que as pessoas pensam sobre o futuro. Os resultados, que o secretário-geral classificou como “impressionantes”, devem ser divulgados esta segunda-feira.

“As pessoas estão a pensar grande – sobre como transformar a economia global, acelerar a transição para carbono zero, garantir a cobertura universal de saúde, acabar com a injustiça racial e garantir que a tomada de decisões seja mais aberta e inclusiva”, afirmou Guterres. “As pessoas também estão a expressar um desejo intenso de cooperação internacional e solidariedade global e a rejeitar abordagens nacionalistas e apelos populistas que causam divisão”, concluiu.

ZAP //

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