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Covid-19. A Europa pode ter muito para aprender com o Vietname, Tailândia e Cambodja

O número de novas infeções está agora mais alto do que em março e abril em muitos países europeus, depois de um alívio nas restrições durante o verão. O Vietname, a Tailândia e o Cambodja podem ter muito para ensinar ao continente europeu.

O verão, a “galinha dos ovos de ouro” para as economias europeias, levou muitos países a levantarem as restrições de modo a permitir o turismo. As pessoas tiveram uma sensação de liberdade reconquistada e uma menor necessidade de aderir a medidas como o distanciamento físico durante os meses de verão.

Investigadores do Imperial College descobriram que muitos europeus relaxaram o seu comportamento nos últimos meses, em comparação com abril.

De acordo com um artigo publicado recentemente o The Conversation, a segunda onda de covid-19 da Europa aponta para um elemento de fadiga de restrição após meses de medidas restritivas.

Aliás, o diretor da OMS Europa, Hans Kluge, reconheceu que esta fadiga é “normal”, ao mesmo tempo que exortou as autoridades europeias a ouvir os cidadãos e a trabalhar com eles de “formas novas e inovadoras” para revigorar a luta contra o vírus.

Nas últimas semanas, muitos líderes europeus anunciaram restrições específicas e localizadas, mas afastam um eventual confinamento geral. Se a Europa vê, todos os dias, o número de novos casos aumentar, vários países do Sudeste Asiático estão a sair-se muito bem na luta contra a pandemia.

Nas últimas duas semanas, o Vietname, a Tailândia e o Cambodja registaram, em média, cerca de 0 a 5 novos casos por dia, apesar da densidade populacional. Embora possa haver uma contagem reduzida de casos e mortes nestes países, isso não diminui o sucesso esmagador que tiveram no controlo da disseminação.

No Vietname, o número total de casos é de apenas 1.113, um número extremamente baixo para uma população de quase 100 milhões. Uma das táticas usadas pelas autoridades de saúde tem sido o teste direcionado, concentrado em indivíduos de alto risco e em moradores de bairros onde houve casos confirmados.

As autoridades de saúde implementaram um rastreamento extensivo de contactos, com o objetivo de identificar os indivíduos em risco de exposição, independentemente dos sintomas. O país também estabeleceu instalações de quarentena para pessoas infetadas e turistas, minimizando assim a propagação no seio das famílias.

Na Tailândia, vários voluntários fazem a triagem de casos, enviando pessoas com sintomas a clínicas ou hospitais para fazerem testes à covid-19, dissipando rumores e informações incorretas.Além disso, enfatizam a importância das máscaras de proteção individual e ensinam às pessoas a importância de uma boa higienização das mãos.

A “educação” para este novo normal e o exército de voluntários ajudaram a manter o número total de casos em pouco mais de 3.500.

No Cambodja, o número total de casos é extremamente baixo, apenas 283, e não há qualquer registo de óbitos. O país realizou um extenso rastreamento de contactos, implementou um rigoroso confinamento no início da pandemia, mas houve um pormenor que empurrou o Cambodja para o sucesso: o meio rural.

De acordo com o The Conversation, quase 80% da população vive em áreas rurais com baixa densidade populacional, o que torna mais fácil gerir a propagação e alocar recursos para locais mais densos e de alto risco.

Os países asiáticos levaram a ameaça da covid-19 a sério desde o início, traumatizados ainda com a experiência da SARS e das epidemias de gripe aviária. O sucesso do Vietname, da Tailândia e do Cambodja mostra-nos que testes direcionados, educação e envolvimento da comunidade são essenciais para dar uma resposta robusta à pandemia.

  ZAP //

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