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Costa contra ideia de Cabrita. Eleições em dois fins de semana “não faz sentido”

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Rodrigo Antunes / Lusa

O secretário-geral do PS, António Costa, manifestou-se contra a ideia de as eleições autárquicas se realizarem em dois fins de semana por causa da covid-19, considerando que essa possibilidade não faz sentido.

Esta posição de António Costa, segundo fontes socialistas, foi transmitida na segunda intervenção que proferiu na reunião da Comissão Nacional do PS, em que a questão das eleições autárquicas foi um dos temas centrais.

O líder socialista defendeu que os dois atos eleitorais já realizados em situação de pandemia no país, as eleições regionais dos Açores e as presidenciais, decorreram com plenas condições de segurança.

“Essa proposta de eleições em dois dias não faz sentido e até é perigosa”, declarou António Costa, citado por um membro da Comissão Nacional do PS.

Na sexta-feira, em entrevista à agência Lusa, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, admitiu a possibilidade de as eleições autárquicas, previstas para setembro ou outubro, se realizarem em dois fins de semana devido à pandemia de covid-19.

Eduardo Cabrita disse que nas eleições autárquicas “não está previsto o voto antecipado”, mas existe “abertura para ponderar modelos”, sendo “a distribuição do voto entre dois fins de semana perfeitamente possível”.

Ressalvando que “tudo depende da Assembleia da República”, o governante explicou que, nas eleições autárquicas, “não é possível o voto em mobilidade porque isso implicaria ter tantos boletins de voto disponíveis quantas as três mil freguesias que existem no país e, portanto, seria uma operação logística impossível”.

Questionado sobre alteração da data das eleições, Eduardo Cabrita referiu que matérias de lei eleitoral são de “reserva absoluta” da Assembleia da República.

PS e Governo a liderarem reforma da legislação laboral

Costa afirmou que o Governo e os socialistas têm de liderar a reforma da legislação laboral no país, dizendo que a atual crise pandémica tornou “evidentes” as fragilidades do mercado de trabalho.

Esta posição, segundo fontes socialistas, foi assumida por António Costa na segunda intervenção que proferiu perante a Comissão Nacional do PS, que se realizou no Centro da Esquerda, em Lisboa.

Nesta sua intervenção, o líder socialista e primeiro-ministro considerou que a atual crise sanitária provocada pela covid-19, que está a ter pesadas consequências nos planos económico e social, “tornou ainda mais evidente a fragilidade do mercado de trabalho” em Portugal.

António Costa falou mesmo que, na ação do Governo, as maiores dificuldades na resposta resultaram da existência de diversas formas graves de precariedade laboral e de completa desproteção social.

“A forma como ao longo dos anos se foi desorganizando o mercado de trabalho em Portugal é mesmo assustadora”, declarou António Costa, citado por membros da Comissão Nacional do PS.

Para combater os “abusos” por entidades patronais e reforçar a proteção social, de acordo com o secretário-geral, os socialistas e o Governo “devem liderar a reforma da legislação laboral”.

No seu discurso, também segundo fontes do PS, o primeiro-ministro destacou também a importância de o país, ao longo dos próximos anos, aplicar bem as verbas provenientes da União Europeia.

“Só haverá boa execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do programa Portugal 2030 se houver uma parceria em rede e se o processo for descentralizado”, disse perante os membros da Comissão Nacional do PS.

  // Lusa

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