Governo anuncia concurso para pediatria do S. João mas sem datas. Pais acusam Costa de “mentir”

Clara Azevedo / Portugal.gov.pt

O primeiro-ministro António Costa

O primeiro-ministro disse esta quarta-feira que o reforço do orçamento da Saúde permitirá “avançar com o lançamento” do concurso para a nova ala pediátrica do Hospital de São João, mas sem datas.

O primeiro-ministro disse esta quarta-feira que o reforço do orçamento da Saúde permitirá “avançar com o lançamento” do concurso para a nova ala pediátrica do Hospital de S. João, no Porto.

A ministra da tutela, Marta Temido, afirmou ainda não haver data nem sequer poder avançar com uma previsão.

“É graças a este reforço que vai ser possível lançar cinco novos hospitais, um conjuntos de obras em hospitais importantes e vamos, por exemplo, poder avançar com o lançamento do concurso para nova ala pediátrica no Hospital de S. João”, disse António Costa.

O primeiro-ministro discursou na inauguração de uma nova unidade de saúde em Baguim do Monte, Gondomar, distrito do Porto. À margem da inauguração de uma Unidade de Saúde em Gondomar, a ministra esclareceu que o projeto está a ser revisto.

“O conselho de administração decidiu optar por uma solução que permitiria rever o projeto, isso permite imprimir celeridade aquilo que é preciso fazer, mas não quer dizer que não haja necessidade de os senhores arquitetos, que fizeram o trabalho, avaliarem o que tinha em cima da mesa”, revelou a nova ministra.

“Posto isso é necessário avançar com o concurso para a obra”, acrescentou Marta Temido que, quando confrontada com uma possível data, recusou avançar com uma data.

“Não, não tenho data para esse concurso porque não avançarei com datas que não tenho a certeza de poder cumprir e que não estão nas estritas mãos do Ministério da Saúde”, explicou.

A definição das datas está, segundo a ministra “nas mãos de um conjunto de profissionais que estão empenhados em responder o melhor e mais depressa possível às necessidades de longa data do Hospital de S. João”.

Pais acusam Governo de “mentir”

A associação dos pais de crianças com doença oncológica do Hospital de São João, depois do anunciou de António Costa, acusou o Governo de “mentir” sobre a nova ala pediátrica, por não ser com “um concurso sem data que o problema se resolve”.

O anúncio de quarta-feira do primeiro-ministro e da ministra da Saúde é a certeza de uma mão cheia de nada ou cheia de ilusões. É uma mentira para empurrar para a frente, para as pessoas pensarem que o problema [do atendimento das crianças em contentores] está resolvido. Mas não é com um concurso sem data que se vai resolver”, disse à Lusa Jorge Pires, porta-voz da Associação Pediátrica Oncológica (APOHSJ).

Defendendo a criação de um “regime de exceção”, porque as crianças são tratadas “em condições miseráveis” e a “correr risco de vida”, o representante dos pais reagiu desta forma ao anúncio feito pelo primeiro-ministro sobre a possibilidade de “avançar com o lançamento” do concurso para a nova ala pediátrica do São João.

“O concurso para uma obra desta envergadura e montante financeiro não fica pronto no próximo ano ou ano e meio. O projetista já disse que só consegue ter o projeto revisto em abril. Entretanto, as crianças continuam a ser atendidas em condições miseráveis e em risco de vida”, acrescentou.

Para o responsável, “o que tivemos foram mais mentiras do Governo e do PS”.

“O primeiro-ministro admitiu a hipótese de ser criado um regime de exceção para o caso e desafiou a oposição a fazê-lo. Quanto a oposição apresenta uma recomendação nesse sentido, eles chumbam-na”, descreveu Jorge Pires.

Os pais querem, por isso, a criação de um “regime de exceção” para que a obra possa avançar o mais rapidamente possível, insistindo que as crianças com doenças oncológicas tratadas em serviços instalados em contentores estão “em risco de vida”, explicou Jorge Pires.

O representante dos pais lembra que a empreitada “já começou [em 2015, através do projeto Joãozinho] com dinheiros privados”, mas “o Governo parou a obra dizendo que a fazia com dinheiros públicos”.

“Então, que faça“, reclamou Jorge Pires.

O presidente da associação notou ainda que “este é um problema do Porto e da região Norte” e “nem o presidente da Câmara do Porto nem outras figuras públicas da região têm vindo a público falar deste caso”.

“Estamos todos empenhados em conseguir responder o mais depressa possível às necessidades do S. João e às necessidades, concretamente, das crianças e dos pais. É isso que está a ser feito”, garantiu a ministra da Saúde.

Marta Temido referiu que “há um projeto que está a ser revisto” e que a informação que dispõe é que “o centro hospitalar está com as equipas técnicas a analisar o projeto que já era de alguns anos” sendo que “o trabalho ainda não está completo” e que “muito recentemente o conselho de administração decidiu optar por uma solução que permitiria rever o projeto e imprimir celeridade”.

Lusa ZAP // Lusa

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