Novo coronavírus não é uma arma biológica criada em laboratório, provam cientistas

Luca Zennaro / EPA

Enquanto os Estados Unidos (EUA) e a China trocam acusações sobre o início da pandemia Covid-19, um grupo de cientistas conseguiu comprovar que o vírus é um produto da evolução natural, refutando assim as teorias da conspiração.

Algumas dessas teorias, como notou o Observador, referem que o SARS-CoV-2, na origem da pandemia, foi libertado por acidente, enquanto outras indicam que foi propositado para controlar o crescimento da população mundial. Um novo estudo, publicado na quarta-feira na Natural Medicine, mostra que essas teorias não estão corretas.

Os coronavírus, explicou o RT, são um extenso grupo de agentes patogénicos responsáveis ​​por vários tipos de doenças, algumas delas graves, como no caso dos surtos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que iniciou na China, em 2003, e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), cujo início deu-se na Arábia Saudita, em 2012.

Em dezembro, as autoridades chinesas informaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) da presença de um novo coronavírus e, pouco depois, a sua sequência genética foi decifrada por cientistas daquele país.

Recorrendo a esses dados, uma equipa do Instituto de Investigação Scripps, nos EUA,  analisou os padrões das proteínas com forma de espigão que existem na superfície do vírus – que lhe conferem o aspeto coroado e lhe dão nome -, comprovando que o vírus teve origem natural e que foi transmitido de um animal para a humanidade.

Essas proteínas têm uma estrutura parecida a um gancho que se fixa à célula humana e a ataca com moléculas que a obrigam a abrir-se, permitindo a entrada do material genético do vírus. Esse gancho já existia no vírus, mas as comparações genéticas entre o novo coronavírus e os outros vírus da família comprovam que evoluiu para atingir uma proteína que existe na superfície das células humanas, numa estratégia de adaptação natural.

Alissa Eckert / CDC

SARS-CoV-2, o coronavírus que causa a Covid-19

“A proteína em espigão do SARS-CoV-2 é tão eficaz na ligação às células humanas que os cientistas concluíram que era o resultado de seleção natural, não o produto da engenharia genética”, referiram os autores do estudo.

Os cientistas sugerem que “se alguém estivesse a tentar projetar um novo coronavírus para ser um agente patogénico, tê-lo-ia construído a partir do modelo de um vírus que já se sabia que causa doenças a humanos”.

A equipa concluiu igualmente que a estrutura do SARS-CoV-2 era diferente da verificada noutros coronavírus, mas parecida com a estrutura de vírus presentes tanto em morcegos como em pangolins.

“Ao comparar as informações disponíveis na sequência genética conhecidas de coronavírus, podemos determinar firmemente que o SARS-CoV-2 originou-se a partir de processos naturais”, disse Kristian Andersen, professor de Imunologia e Microbiologia do instituto e um dos autores do estudo.

Por fim, apontaram dois cenários possíveis para a origem do vírus: no primeiro, o agente patogénico evoluiu para o estado atual, transmitido entre hospedeiros animais antes de infectar o paciente zero; o segundo assume que o SARS-CoV-2 evoluiu diretamente no organismo humano antes do início do surto.

Os cientistas reconheceram que, atualmente, é praticamente impossível determinar qual das duas variantes é mais provável. Mas alertaram que, no caso de o SARS-CoV-2 passar de animais para a população humana na sua versão atual, espera-se que outros surtos ocorram no futuro.

ZAP //

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55 COMENTÁRIOS

    • Realmente.. eles dizem (por conveniencia do argumento) que como não ha um backbone de virus anterior.. então este não pode ser criado em laboratorio porque simplesmente ninguem cria um virus de raiz (teria de ter uma base conhecida). No entanto.. como também não encontram um virus em “catalogo” que possa servir de backbone.. dizem que tem de haver um no mundo natural já que o universo de virus dos morcegos (por exemplo) está claramente subestimado.

      Ora… isto não me parece ser uma “prova” pois usam dois pesos e duas medidas. Se o universo de corona virus nos morcegos (opr exemplo) está claramente subestimado (e está mesmo).. porque não dizer que o virus foi criado em laboratorio segundo um genoma não conhecido mas já existente para que sabe-se-lá-que-fim?

      É interessante.. e em boa fé o artigo é interessante.. mas.. não prova seja o que for! É uma teoria.. não uma prova.

      • Uma coisa temos a certeza, (acreditando que não foi fabricado) dificilmente alguém o criava com uma eficácia tão grande, para colocar em prática uma medida defendida por alguns dos países mais industrializados há vários Anos.

        No entanto, continuo a acreditar no ser Humano e acredito que não foi criado!
        Acredito mais nas pessoas que hoje salvam vidas todos os dias e que são verdadeiros heróis.

        Acredito que em todo o mundo há várias equipas de pessoas bastante competentes a tentar encontrar uma forma de travar esta pandemia.

  1. Lá vão os palermas das teorias da conspiração ter de arranjar outra coisa qualquer para distrair os seus neurónios. Agora vão voltar ao tema “a terra é plana”

      • Não é massiva mas sim maciça. Sei que parece estranho mas é correto dizer maciça e não massiva.
        Quanto às armas, não as havia no Iraque. Sendo certo que também não as há na Venezuela, também poderiam usar o mesmo mecanismo para tirar de lá o macaco maduro.

          • Não, não estamos porque neste caso não há vírus nenhum produzido pelo homem. Quem percebe um pouco de ciência sabe que este não poderia ser o caso.

        • De acordo, mas estranho ao Português é mesmo “massiva”!…
          Quanto ao Maduro (podre!) da Venezuela, é mais complicado porque ele é amigo do ditador da Russia, do ditador da China, do ditador da Turquia, do ditador do Irão, etc….
          Além disso, há “curas” piores do que a “doença” – basta olhar para o Iraque, que hoje está pior em TODOS os aspectos do que no tempo do Saddam!!

  2. Se desta vez foi a China a culpada, de próxima vez podem ser os EUA. Todos os grandes gostam de mexer com armas biológicas, não sei porque. E de vez em quando corre mal (Lei de Murphey), como agora. Mais que querem ‘provar’ que não foi um descuido num laboratório, menos acredito.

  3. …acho que seria bom irmos escutar o que a senhora Alanna Shaikh
    apresenta do youtub : +Why COVID-19 is hitting us now — and how to prepare for the next outbreak | Alanna Shaikh.

  4. Cada qual acredita ou não no que bem entender, por um lado tendo em conta a malvadez do ser humano e o seu constante fanatismo por guerras e armamentos, nada me convence que não possa vir daí o mal, por outro lado tendo em consideração a estupidez humana em se acumular em cidades gigantescas sem serem capazes de controlar com civismo o desenfreador crescimento humano e em toda a merdice que os chinocas comem e em que muitos povos vivem, nada de estranhar qualquer contaminação. No final para os que restarem e hão de ser muitos, talvez seja uma boa oportunidade para todos repensarem no planeta e na sua sustentabilidade.

  5. Acho que no fim disto, espero que seja para breve, devemos fazer a conta e mandar para a China para pagar.
    Se a China tem provas de que não foram eles mas sim os terroristas habituais, então eles que mandem as contas para os Estados Unidos.

    • Não digo americanos, mas duvidas que isto tem a mão do Trump na sua origem?
      Não parece ser algo de “muita coincidência” ter aparecido na China exactamente durante o actual contexto de guerra económica com os EUA?
      Será que não foi “alguém” que resolveu “coincidir” algo que até a própria Natureza “poderia” ter conseguido naturalmente, mas que com um pequeno empurrãozinho, se acelerou o processo?
      Lembrem-se que a engenharia genética está já numa fase bastante avançada em termos tecnológicos e que existem cientistas que fazem de tudo a troco de um bom pacote de dólares, boa vida e da possibilidade de concretizarem algo de grande impacto com as suas proezas!

  6. “A proteína em espigão do SARS-CoV-2 é tão eficaz na ligação às células humanas que os cientistas concluíram que era o resultado de seleção natural, não o produto da engenharia genética”, referiram os autores do estudo.
    — Que conclusão é esta? Filosoficamente (e cientificamente) errado

  7. Claro que isto foi “Obra de Deus”! Como sempre foi e será!
    E como todos sabem, ou pelo menos deveriam, esse “Deus” é sempre bem humano e sempre foi.
    Esse “Deus” pertence sempre ao grupo de homens dominantes, com poderes absolutos sobre este planeta e que fazem como bem entendem tudo o que querem para concretizar os seus objectivos. E sempre foi assim ao longo da vida da humanidade. Só que existem sempre aqueles que divagam para o lado espiritual da coisa, como convém a quem realmente tem o poder, para dessa forma passar mais despercebido.

    E sabem quem é o “Deus” deste momento actual da humanidade? Ora pensem lá um bocadinho?
    Quem é que tem o maior domínio militar do mundo? Melhores condições económicas? Quem é que tem a economia nacional ameaçada pelos “estrangeiros”? Quem é que já há algum tempo passou a reforçar as restrições nas suas fronteiras nacionais? Será que já previa algo assim?

  8. Ainda bem que foi esta a “conclusão” para “bem” de todos nós!
    Assim ficamos todos mais descansados e atribuímos as culpas à Natureza, essa malvada destruidora da humanidade, esta humanidade que cuida tão bem do meio ambiente, animais, plantas, etc.. 🙂 e

  9. Se essa teoria fosse verdade, então todos outros vírus da família coronavírus teriam a mesma capacidade de se adaptar para infectar humanos, já que supostamente seria uma evolução natural, concorda? Nesse caso, teríamos surtos com diversas origens e em países diferentes. Boa tentativa de encobrir o que é óbvio: arma biológica criada para redução populacional. Pesquise sobre as Pedras da Geórgia e entenderá melhor …

  10. Não sei mais é extranho eese fato

    https://www.brasildefato.com.br/2020/03/18/artigo-como-o-exercito-dos-eua-pode-ter-levado-o-virus-a-china-por-pepe-escobar

    Perguntas extras permanecem, sobre o nada transparente Event 201 em Nova York, dia 18 de outubro de 2019: um ensaio-simulação para uma pandemia mundial causada por vírus mortal – precisamente o coronavírus. Essa magnífica coincidência aconteceu um mês antes do surto em Wuhan.

    (EVENT 201 em Nova York)

    https://www.youtube.com/watch?time_continue=10&v=AoLw-Q8X174&feature=emb_logo&fbclid=IwAR0RHJAcRW6gLeU0giEXDmoup52ita_jh8YcXJy_lZZQrWItNrvYQbhWPJc

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