Contribuintes já pagaram 14,6 mil milhões para salvar bancos

Nuno Fox / Lusa

O ministro das Finanças, Mário Centeno

Os encargos dos contribuintes com o salvamento e a ajuda aos bancos ascendem já a 14,6 mil milhões de euros, no período que vai de 2008 a 2016. A fatura ainda não está fechada.

No período entre 2008 e 2016 as ajudas à banca – sem contar os ganhos que o Estado obteve -, custaram o equivalente a 8% do PIB, segundo as contas do Diário de Notícias.

Só em juros, o Estado terá desembolsado 1,8 mil milhões de euros, uma vez que pediu dinheiro emprestado aos mercados para apoiar a banca.

No entanto, o Estado terá ganho algum dinheiro com as ajudas prestadas (juros e dividendos), mas não o suficiente. Em termos brutos, nos nove anos em análise, gastou 20,8 mil milhões de euros (11% do produto interno bruto, PIB) em despesas de capital e correntes. Conseguiu recuperar 6,2 mil milhões de euros (3% do PIB).

Em nove anos, as únicas duas operações que deram dinheiro até agora foram as ajudas ao BCP (receita líquida de 211,4 milhões de euros) e ao BPI (167,5 milhões).

Assim, o custo líquido imputado aos contribuintes é muito elevado e ascende aos 14,6 mil milhões de euros (8% do PIB), o equivalente a quase seis vezes o valor do défice estimado para este ano.

O Tribunal de Contas sublinha o encargo elevado que “o esforço financeiro resultante das intervenções públicas, destinadas a apoiar o sistema financeiro nacional no seguimento da crise financeira internacional iniciada em 2007” representou para o “erário público”.

Além disso, acrescenta, “o peso dos encargos diretos variou de ano para ano entre um mínimo de 0,1% das necessidades de financiamento da Conta Geral do Estado em 2011 e um máximo de 6,3% em 2012″.

2016 salientou-se por ser o ano com valor e esforço mais baixo desde 2011, no entanto, há que ter em conta que aquele ano foi uma exceção já que não foi necessário apoiar qualquer banco.

O que não terá acontecido noutros anos. Em 2014 faliu o BES, em 2015 o Banif e em 2017 foi a vez de a CGD receber uma enorme injeção de capital, mas como foi financiada com dívida, o défice deverá ficar a salvo.

O BPN, por sua vez, vai continuar a ser a maior dor de cabeça dos contribuintes, já que é, até mesmo pior que o BES, a herança mais pesada da crise financeira, devido ao volume generoso de garantias estatais dadas aos negócios do banco (muitos deles ruinosos) na sequência da sua nacionalização, em 2008 pelo governo PS de José Sócrates e Fernando Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças na altura.

Segundo as contas do Tribunal de Contas citadas pelo DN, o BPN, um banco de pequena dimensão, já custou aos bolsos dos contribuintes 3,7 mil milhões de euros nos nove anos sob análise.

ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. Off course quem paga sempre são os contribuintes = Povo trabalhador. Quer seja direta quer seja indiretamente. Estes politicos / governantes são uns corruptos, ladroes da pior espécie.

  2. Seria interessante que o estado publicasse uma listagem com os bancos a quem foi emprestado dinheiro dos contribuintes, com o valor total, e o plano de amortizações, bem como a listagem dos bancos que não recorreram desses dinheiros.

    • Seria interessante muito mais transparencia do que isso mas já é um começo. Com a Internet as pessoas pelo menos já começam a perceber umas coisas.

  3. Um Estado e um Governo de BANDIDOS.
    Com que fundamento legal, o Estado tira aos cidadãos dinheiro, para capitalizar empresas privadas onde houve roubo e corrupção ? Lá vem o fantasma do “risco sistémico”…

    • O senhor não sabe que muitos dos que estão no desgoverno já estiveram nos bancos ou tiveram lá amigos? Que precisam dos bancos para quando deixarem o desgoverno irem para lá ganhar o deles? Eles só vão ao bolso do pequeno e sempre assim foi!!

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