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Contágios relacionados com o Euro 2020 preocupam OMS. Escócia deteta 2000 adeptos infetados

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Petr Josek / EPA / POOL

Adeptos da Escócia, no jogo frente à Croácia, no Euro 2020

A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou hoje preocupação com o crescente contágio do coronavírus SARS-CoV-2 em países que receberam jogos do Campeonato Europeu de Futebol e pediu uma avaliação dos riscos e medidas de mitigação.

“Estamos preocupados com grandes aglomerações de pessoas, especialmente em países onde os novos casos estão a aumentar. É importante implementar medidas de saúde pública. Os organizadores e autoridades locais devem promover iniciativas para reduzir o contágio” com o coronavírus que provoca a covid-19, disse o chefe da OMS-Europa, Hans Kluge.

Hans Kluge sublinhou que não se pode excluir que tais eventos desportivos funcionem como eventos de “super contágio” e lembrou a importância de se manter a distância, lavar as mãos e usar máscara quando necessário.

“Não são só os jogos em si, mas também outros eventos relacionados”, destacou a responsável do Departamento de Emergência Sanitária da OMS, Catherine Smallwood.

Catherine Smallwood observou que a “mensagem principal” é que os sistemas de saúde devem estar prontos para responder a picos agudos de contágio causados pelo Euro, o que inclui aumento de testes, rastreamento e sequenciamento de testes, bem como isolamento dos infetados.

A OMS lembrou, porém, que o perigo não é só o Campeonato Europeu de Futebol, mas também outros eventos que reúnem muita gente durante o verão, como os festivais de música.

Escócia deteta quase 2000 casos relacionados com o Euro

Dos 32.539 escoceses com teste positivo ao novo coronavírus, 1.991 deles estiveram a assistir a um ou mais jogos da equipa escocesa em Glasgow e em Londres

As autoridades de saúde escocesas identificaram quase 2.000 casos do novo coronavírus em pessoas que participaram em eventos ligados ao Euro2020 de futebol entre os dias 11 e 28 de junho, segundo foi revelado.

Neste período, dos 32.539 escoceses com teste positivo ao novo coronavírus, 1.991 estiveram de algum modo ligados à prova, tendo assistido a um ou mais jogos nos estádios de Hampden Park (Glasgow) ou Wembley (Londres), frequentado a “zona de fãs” de Glasgow ou integrado encontros informais, em bares ou em casas particulares.

Dos 1.991, quase dois terços (1.294) viajaram para Londres para participar nalgum evento relacionado com a competição, incluindo 397 pessoas que assistiram ao jogo entre Escócia e Inglaterra (0-0) em 18 de junho, em Wembley.

Estes números são divulgados numa altura em que várias vozes se têm levantado contra a decisão da UEFA de realizar as meias-finais e a final do Euro2020 em Wembley, uma vez que o Reino Unido está no meio de um surto da variante Delta, mais contagiosa, que agora é a dominante.

Na semana passada, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, expressou publicamente o desejo de que a final “não aconteça em um país onde os contágios estão a crescer rapidamente”.

Por seu turno, a vice-presidente da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, expressou recentemente “dúvidas” sobre o plano, dizendo que a UEFA deveria “analisar cuidadosamente” esta decisão.

De acordo com o governo britânico, mais de 60.000 espetadores vão ser permitidos nas bancadas de Wembley para as meias-finais e final do Euro2020, ao invés dos 40.000 inicialmente previstos, num recinto com capacidade máxima de 90.000 lugares.

Apesar de o número de mortes e hospitalizações permanecerem baixas, neste momento, no Reino Unido (o país europeu com mais vítimas provocadas pela covid-19, com 128.000 mortes), têm vindo recentemente a ser registados mais de 20.000 novos casos de infeção por dia.

  ZAP // Lusa

 

 

2 Comments

  1. “Contágios relacionados com o Euro 2020 preocupam OMS.” Agora?! Já vão tarde! Era antes! Era pressionar a UEFA para não se realizar o Europeu assim como outros eventos massivos (como os Jogos Olímpicos). Mas não há “bolas” á vista…

  2. Quando é para os clubes, a UEFA ou os governos encherem os bolsos com turismo, não há pandemia. Quando uma família quer um momento de lazer num jantar fora ao fim-de-semana, está de castigo pelo Estado Big Brother. Regras para ti, mas não para mim. Bem vindos à nova realidade, ou melhor, ao ‘novo normal’. Mesmo os pobres coitados sujeitos a esse tratamento experimental em massa continuam de castigo.

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