“Constantes surpresas negativas”. Ex-presidente do Fundo de Resolução explica por que venda do Novo Banco falhou

Esta segunda-feira, ouvido na audição do inquérito ao Novo Banco, o ex-administrador do Fundo de Resolução, José Ramalho, disse que a primeira tentativa de venda do banco falhou porque “havia um grande grau de incerteza, que foi a razão principal para terminar com o processo”.

As audições do inquérito ao Novo Banco entraram na segunda fase. Depois da fase de resolução, os deputados querem agora apurar o que falhou na primeira tentativa de venda do banco.

De acordo com José Ramalho, ex-presidente do Fundo de Resolução (FdR), o fundo chegou a negociar com três candidatos, mas os processos “nunca chegaram ao fim”.

Todas as ofertas continham cláusulas que representavam um “risco enorme” nos ativos e no capital do banco para o FdR. José Ramalho explicou que os investidores queriam que o FdR fosse responsável pelas perdas com uma “grande carteira de ativos” problemáticos e que injetasse dinheiro no banco sempre que necessário para cumprir os rácios.

“Era um salto no escuro”, assegurou Ramalho.

O ex-administrador adiantou ainda que se tentou negociar com os chineses da Anbang, cuja proposta tinha “um preço interessante” e a ideia era impor limitações nas cláusulas contingentes.

“No final de agosto [de 2015] enviámos uma proposta de memorando de entendimento com caps que para nós eram aceitáveis, na linha daquilo que tínhamos estado a negociar anteriormente. Simplesmente não responderam, desapareceram. Esse concorrente desapareceu”, disse

Segundo o ex-responsável, foi a incerteza que pairava sobe o Novo Banco que levou ao cancelamento do processo. O objetivo era remover as dúvidas e, a partir daí, gerar maior interesse em torno da instituição.

“A principal incerteza que havia para todos os concorrentes era a génese do Novo Banco e as imparidades que estavam a aparecer e as necessidades de capital”.

O Banco de Portugal (BdP) avançou no final de 2015 com a retransmissão de obrigações para o BES mau, impondo perdas para credores do banco. “Achávamos que com isso o problema estava resolvido e podíamos desencadear um processo de venda desanuviado, sem dúvidas a pairar em torno do banco. Dessa forma tínhamos um banco suficientemente limpo, sem incerteza, para lançar o processo”, explicou.

Contuo, em 2016, quando se pensava que os resultados do banco iam ser positivos, “surgiram mais imparidades” e as exigências de capital não diminuíam, contou Ramalho. “Foram constantes surpresas negativas.”

A venda foi retomada e o banco alienado em outubro de 2017 ao fundo americano Lone Star, que aceitou injetar 1.000 milhões no Novo Banco por 75% do capital da instituição e mediante um acordo de capital contingente de 3,89 mil milhões.

“Apesar de tudo, o salto no escuro já estava mais delimitado“, disse Ramalho. “E aí já não havia alternativa: o banco ou era vendido ou era liquidado”.

O ex-responsável confirmou ainda que administração do Novo Banco previa que as perdas em ativos problemáticos para os quais a Lone Star queria garantia pública rondavam os 1,5 mil milhões de euros. Contudo, isso não queria dizer que houvesse lugar a injeções do Fundo de Resolução na mesma proporção – dependia de como as perdas se materializasse no tempo e penalizassem os rácios de capital.

Desde 2017, o Fundo de Resolução já injetou três mil milhões no banco, sendo que a instituição pediu na semana passada mais 600 milhões.

Maria Campos, ZAP //

 

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