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Colômbia condenada por não ter investigado agressões “verbais, físicas e sexuais” a jornalista

De acordo com a sentença, o Estado colombiano não investigou devidamente o caso de sequestro, tortura e violação da jornalista Jinedth Bedoya, que estava a trabalhar numa reportagem sobre a guerra civil em 2000.

O Tribunal Interamericano de Direitos Humanos considerou a Colômbia responsável pelo sequestro, tortura e violação que a jornalista Jineth Bedoya sofreu enquanto trabalhava numa reportagem em 2000, escreve o Expresso.

Na altura dos crimes, Bedoya estava a fazer numa reportagem sobre a guerra civil colombiana. A 25 de Maio de 2000, preparava-se para entrevistar um líder paramilitar na prisão de La Modelo quando foi sequestrada por paramilitares e “submetida a um tratamento vexatório e extremamente violento“, lê-se na sentença.

A jornalista terá sido levada para fora da cidade, drogada e vítima de uma violação colectiva. O Tribunal Interamericano fala de “falta de diligência na realização das investigações sobre os factos” por parte do Estado colombiano, e refere que houve discriminação nas investigações com base “no género e a violação do limite de tempo razoável”.

A condenação responsabiliza também a Colômbia internacionalmente “pela violação dos direitos à integridade pessoal, liberdade pessoal, honra, dignidade e liberdade de expressão” de Jineth Bedoya. Os juízes exigem também uma reparação económica por danos materiais e não-materiais. Até agora, apenas três dos agressores foram condenados.

O país tem agora que continuar a investigar o caso para “determinar, julgar e, se apropriado, punir os responsáveis pelos actos de violência e tortura sofridos pela sra. Bedoya, assim como as ameaças que ela sofreu” e criar um centro em honra das “vítimas de violência sexual” durante a guerra que faziam jornalismo de investigação.

No Twitter, a jornalista reagiu à decisão, falando numa “janela de esperança” para quem já sofreu violência sexual na Colômbia.

“O dia 18 de outubro de 2021 fica para a história como o dia em que uma luta – que começou por um crime individual – levou à reivindicação dos direitos de milhares de mulheres vítimas de violência sexual e de mulheres jornalistas que deixam uma parte de si no trabalho”, escreveu na rede social.

  ZAP //

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