Cofina lança OPA sobre 100% da dona da TVI. Mário Ferreira arrisca-se a ter de avançar também

A Cofina anunciou hoje uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade da Media Capital, alterando a oferta de 21 de setembro, numa operação que avalia a dona da TVI em cerca de 130 milhões de euros.

Em comunicado, a dona do Correio da Manhã refere que “a aquisição da Media Capital pela Cofina integra-se na estratégia de consolidação dos media no plano global, mantendo-se no essencial a atividade destas sociedades e das sociedades que com estes estejam em relação de domínio ou grupo, permitindo potenciar o investimento na expansão digital, o lançamento de serviços inovadores e a promoção e desenvolvimento de conteúdos produzidos em Portugal, mantendo-se a Media Capital como um ativo com identidade portuguesa”. O valor de referência proposto na OPA é de 0,415 euros por ação, a que corresponde um valor total de 35.072.969,70 euros.

No comunicado, a dona do Correio da Manhã “considera um ‘entreprise value’ de cerca de 130 milhões de euros e foi considerada, em informação ao mercado, no passado dia 14 de maio, pela Promotora de Informaciones S.A. [Prisa], maior acionista da empresa, ‘uma avaliação acima das estimativas do mercado efetuadas pelos analistas, tendo implícitos múltiplos superiores aos das empresas FTA'”.

“A oferta dirige-se a 100% do capital social e direitos de voto da Media Capital, estando a respetiva prossecução sujeita a quatro condições”, refere a Cofina.

Uma das condições é que “seja designado um auditor independente pela CMVM [Comissão do Mercado de Valores Mobiliários] para calcular o montante da contrapartida, por esta se presumir não-equitativa em face da reduzida liquidez das ações da Media Capital no mercado regulamentado Euronext Lisbon” e outra é que “esse auditor independente confirme que o valor de referência de 0,415 euros é equitativo”.

As outras duas condições é de que “não sejam alienadas participações sociais, ou ativos significativos, da TVI, Plural (Portugal e Espanha) ou MCR, e não sejam realizadas reorganizações societárias na Media Capital ou naquelas sociedades do grupo; e, finalmente, que a CMVM registe a oferta”, adianta a empresa liderada por Paulo Fernandes.

“Para efeitos da presente oferta, o oferente [Cofina] beneficiará das autorizações regulatórias já previamente obtidas da Autoridade da Concorrência e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), em 30 de dezembro de 2019 e 21 de fevereiro de 2020, respetivamente”, lê-se no comunicado.

“A oferta inclui também uma condição de eficácia, em termos que, até à data e em resultado da liquidação física e financeira da Oferta, a Cofina se torne titular de ações representativas de mais de 50% (cinquenta por cento) do capital social e direitos de voto da Media Capital”, acrescenta.

“No que concerne a ações representativas de 5,31% do capital e direitos de voto da Media Capital, a oferta encontra-se sujeita exclusivamente às condições de designação de auditor independente pela CMVM e registo da Oferta, sendo no demais incondicional”, acrescenta.

Cofina volta à corrida, Mário Ferreira poderá ter de avançar

A Cofina está de novo na corrida pela compra da Media Capital, depois de em março, quando o mercado dava praticamente como certa a compra desta empresa, a dona do Correio da manhã ter anunciado a desistência (11 de março).

Esta desistência surpreendeu o mercado, incluindo o empresário Mário Ferreira, que tinha sido desafiado pelo presidente da Cofina a envolver-se no negócio. A operação de aumento de capital da Cofina, de 85 milhões de euros, ficou aquém do objetivo por cerca de três milhões de euros.

Entretanto, em 14 de maio, Mário Ferreira tornou-se acionista da dona da TVI, ao comprar 30,22% da Media Capital, através da Pluris Investments, numa operação realizada por meio da transferência em bloco das ações por 10,5 milhões de euros.

A CMVM está a analisar o acordo parassocial entre a Pluris e a Prisa, na sequência da entrada de Mário Ferreira na Media Capital e, se existir concertação, o empresário terá de lançar uma OPA. De acordo com o semanário Expresso, uma OPA concorrente até permite à Cofina desistir da sua própria OPA.

Participação superior a 50%

Em 14 de maio, a Prisa anunciou que Mário Ferreira comprou 30,22% da Media Capital, através da Pluris Investments, numa operação realizada por meio da transferência em bloco das ações por 10,5 milhões de euros.

“A Prisa e a Pluris Investments, SA (Pluris) celebraram acordo, comunicado ao mercado em 15 de maio de 2020 pela Media Capital, por via do qual foi alienada à segunda participação qualificada superior a 30% do capital social da Media Capital“, tendo as partes celebrado “um acordo parassocial que regula a sua relação enquanto acionistas” da dona da TVI, refere esta quarta-feira a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O regulador disponibiliza no seu ‘site’ um conjunto de perguntas e respostas no âmbito da modificação da oferta pública de aquisição (OPA) preliminarmente esta quarta-feira anunciada pela Cofina, dona da Correio da Manhã, sobre a Media Capital.

“Dado que os acordos celebrados entre a Prisa e a Pluris contêm cláusulas relativas à transmissibilidade de ações e que envolvem, conjuntamente, participação superior a 50% dos direitos de voto, a lei presume que os mesmos são instrumentos de exercício concertado de influência, o que pode originar a constituição do dever de lançamento de OPA”, prossegue a CMVM.

// Lusa

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