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Cientistas estão a tentar tirar centenas de nomes racistas do mapa dos EUA

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Quatro estudantes do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) pediram a ajuda de cientistas para apoiar os esforços de remover o racismo das centenas de topónimos federais nos Estados Unidos.

De acordo com o Gizmodo, este esforço começou em janeiro, quando Julia Wilcots, uma geóloga, encontrou uma gíria anti-negros num mapa mais antigo que estava a usar para planear um futuro trabalho de campo.

Wilcots sinalizou o nome do lugar ao seu supervisor e colegas, que começaram a redigir menções ao nome e a ver se o lugar tinha sito rebatizado.

“Quando começamos a analisar, encontrámos uma série de outros marcos e características geográficas com calúnias raciais, alguns cujos nomes ainda incorporam a calúnia racial”, disse Meghana Ranganathan, uma estudante de pós-graduação em glaciologia. “Ficámos chocados e, sendo quatro mulheres negras nas geociências, ficámos desconcertadas com o facto de serem nomes que os nossos colegas geocientistas negros poderiam encontrar enquanto fazem o seu trabalho.”

As mulheres não tropeçaram em nenhuma anomalia. Uma análise realizada em 2015 pela Vocativ revelou que mais de 1.400 nomes de lugares reconhecidos pelo governo federal usavam termos ofensivos ou calúnias raciais.Embora o estudo tenha encontrado nomes ofensivos em todos os estados, a maior densidade de calúnias estava localizada no oeste e no sul.

A contagem inclui mais de 550 nomes de lugares que usam calúnias para negros – só a Califórnia abriga 51 desses lugares -, 30 nomes de lugares que fazem referência a termos racistas para pessoas de ascendência chinesa e mais de 820 lugares que contêm um termo depreciativo para mulheres indígenas, o insulto mais comum encontrado pela investigação.

Alguns desses 1.400 nomes são menos ofensivos do que costumavam ser. Muitos dos 550 nomes que fazem referência aos americanos negros foram atualizados na década de 1960 para usar “Negro” em vez da “palavra com N”.

Contudo, o governo federal manteve nomes de lugares que incluíam os termos “Tio Tom”, “pickaninny” e “Jim Crow” – todos termos pejorativos usados para descrever um afro-americano -, muitos dos quais permanecem intocados até hoje. Nem os quatro lugares chamados “Negro Morto” foram alterados.

Por outro lado, alguns nomes de lugares ofensivos foram alterados com sucesso. Em 2017, um desfiladeiro no Utah mudou de “Negro Bill Canyon” para “Grandstaff Canyon” para refletir o apelido de Bill, mas não a sua cor de pele.

Existe uma forma de enviar um pedido oficial ao governo federal para alterar o nome de um lugar, mas o processo é demorado, atolado por centenas de solicitações e mal ajustado para lidar com a presença generalizada de racismo em todo o mapa.

A Lei de Reconciliação em Nomes de Locais foi introduzida no outono passado. O projeto encarregaria o Departamento do Interior de criar um comité consultivo especial para rever os topónimos ofensivos e solicitar a opinião de membros tribais, bem como do público em geral, para alternativas.

Ranganathan, Wilcots e as suas colegas Diana Dumit e Rohini Shivamoggi escreveram uma carta aberta à comunidade científica para mostrar apoio. Até ao momento, mais de 500 cientistas subscreveram.

“Nós, como geocientistas, temos uma relação única com os lugares que estudamos”, disse Ranganathan. “Os cientistas muitas vezes ocupam posições de privilégio dentro da sociedade, pois somos vistos como pessoas com experiência e conhecimento e pessoas a serem ouvidas, e os geocientistas, em particular, têm alguma experiência sobre essas características do solo.”

“É nosso dever como comunidade de geociências garantir que os geocientistas negros que estamos a recrutar e apoiar tenham as mesmas experiências que os seus colegas brancos”, continuou. “Embora existam muitos problemas enfrentados por geocientistas (e cientistas) negros, este parece ser um problema a ser considerado seriamente quando pedimos aos geocientistas negros que façam trabalho de campo em áreas que têm insultos raciais nos nomes de lugares.”

Seja qual foi o desfecho do pedido, Ranganathan considera que a comunidade científica ainda tem um trabalho a fazer e algumas feridas profundas para resolver por conta própria.

“Mesmo depois de esses nomes de lugares serem alterados, muitas dessas calúnias raciais permanecem na literatura de geociências”, disse Ranganathan. “O nome do lugar que [Wilcots] encontrou era um nome que tinha sido mudado nas últimas décadas, mas aquela mancha ainda permanece num mapa que é usado. A comunidade de geociências precisa de ter uma conversa sobre como lidar com estas calúnias e nomes de lugares antigos na literatura de geociências”.

  Maria Campos, ZAP //

21 Comments

  1. Anda tudo doido. Pessoalmente acho que é sempre bom não apagar a história. Quem a esquece, tende a repeti-la. Deixem tudo como está. Obviamente que cada um, à luz da cultura da época, saberá interpretar o passado. Imaginem se tinham destruído todos os campos de concentração? Daqui a 50 anos, as novas gerações iam pensar que alguém tinha delirado com tudo o que se passou e que não passaria de um qualquer mito. Assim, estão lá. Podem visitá-los e ver pelos próprios olhos uma das páginas mais negras da história mundial do século passado.

    • Aqui o FM não lhe chamou racista porque não lhe dá jeito. Ele bem sabe que não tem argumentos e quer continuar a tratar os descriminados da história como uns coitadinhos, pois pensa que com o seu passado reescrito não lhes “dói” tanto. Mas é claro, tudo não passa de um arranjinho ideológico nessa mente, o qual serve para manter uma suposta coerência. Mas então, digo eu, ele que pergunte aos sobreviventes do holocausto porque as palavras “Arbeit macht frei” não foram tiradas da porta do campo de concentração em Auschwitz. Fosse pela vontade do FM, tinha-se já retirado a frase, não lhe vá fazer mal aos olhos a ele porque a quem lá esteve, não faz. E não faz por uma razão que o FM ou despreza ou desconhece. Mas entre o ódio e a ignorância, que venha o diabo e escolha.

  2. Está tudo maluco. Talvez seja boa ideia irem aos inícios dos tempos, quando construíram as Pirâmides de Gizé, onde os escravos eram branco e não negros. Pode ser que os brancos também comecem a reclamar com o trabalho escravo e à chicotada… Não têm mais nada para fazer????

  3. Ca granda estupidez!.. Então mas digam-me lá, isto vai ajudar quem? Quais são os negros (porque pelos vistos o racismo só afecta essa raça) que vão ter uma vida melhor por causa desta “heroica” iniciativa?

    Estas estupidezes só ajudam mesmo é estas quatro lambisgoias a ficar bem na fotografia. É uma iniciativa que visa claramente a auto-promoção e o auto-vangloriamento. É mais um esforço para ter visiblidade, por parte da Cancel Culture.

  4. A tentativa e parece que está a ir para além disso do alterar a história; será que não entendem que há que olhar para a história em contexto (no contexto da época) e não aplicar o do presente?

    É assim tão dificil?

    Quer-me parecer que o tempo destes individuos seria bastante mais proveitoso se estivessem a contributir positivamente para resolver problemas concretos e com impacto concreto.

    Eventualmente, brevemente também por cá — espero que não, contudo.

    • E se é real deverá perdurar mais não seja para compreendermos que o devemos evitar. Agora um modelo de história seletiva é completamente descabido. Até, porque fazendo fé dos conhecimentos em cada época, muita coisa não teria sequer chegado aos nossos tempos. A história deve ser interpretada devidamente contextualizada pelo conhecimento, cultura, hábitos da época. Penso que ninguém está a pensar voltar aos rituais humanos para ver se chove! Também não será por esse motivo que se deve apagar todos os restos da cultura maia, inca ou asteca.
      O caso do Padrão dos Descobrimentos… essa prefiro nem comentar.

    • Mas esse conhecimento não deveria ser independente de juízos de valor à posteriori, como os que faz ? Mas afinal não afirma que o passado é racista ? Se o é, então diga-me, elucide-nos, o que deveria ser veiculado pela História ?

    • Mas há alguém que não saiba do passado racista? Agora a apagar os respectivos testemunhos do passado, é natural que as próximas gerações deixei de o saber. Você nem dos seus objectivos é amigo.

      Obrigado pelo recurso ao insulto, chamando-me racista. O argumentozinho ad hominem por parte de quem a cabeça não dá pra mais. A típica arrogância e self-righteousness despótico da Cancel Culture que apregoa a diversidade mas odeia opiniões diversas das suas, porque estão mesmo convencidos serem donos da verdade. Coitaditos…

  5. O revisionismo Histórico é uma opção anticientífica feita por alguns. Alteram-se factos Históricos mediante a visão social actual, sem perceber que isso deturpa a realidade passada. Isto tudo é exigido por indivíduos que querem alterar esses factos desde que vão em linha com as suas opções ideológicas, atropelando o mais essencial da verdade Histórica. Não, isto não resolve o passado, nem o presente e muito menos o futuro. Isto é informação deitada ao lixo. Daqui a 1000 anos, quando os historiadores do futuro olharem para trás, vão rogar pragas a quem se atreveu a alterar tudo isto. Eles terão perdido a oportunidade de conhecer o passado em mais pormenor. E sinceramente, entre isto e o revisionismo que nega o holocausto, existem poucas diferenças. Não há qualquer respeito pelos factos históricos. Vamos esquecer para “parecer bem” nos livros da actualidade.

  6. O revisionismo Histórico é uma opção anticientífica feita por alguns. Alteram-se factos Históricos mediante a visão social actual, sem perceber que isso deturpa a realidade passada. Isto tudo é exigido por indivíduos que querem alterar esses factos desde que vão em linha com as suas opções ideológicas, atropelando o mais essencial da verdade Histórica. Não, isto não resolve o passado, nem o presente e muito menos o futuro. Isto é informação deitada ao lixo. Daqui a 1000 anos, quando os historiadores do futuro olharem para trás, vão rogar pragas a quem se atreveu a alterar tudo isto. Eles terão perdido a oportunidade de conhecer o passado em mais pormenor. E sinceramente, entre isto e o revisionismo que nega o holocausto, existem poucas diferenças. Não há qualquer respeito pelos factos históricos. Vamos esquecer para “parecer bem” nos livros da actualidade.

    • Não tem a ver com esquerda nem direita. Tem a ver com ideologias que gostam de ditaduras, tanto na extrema esquerda como na direita do seu querido Escudo Identitário. Ambos são Cancel Culture… Querem é cancelar coisas diferentes.

      A extrema direita quer cancelar os emigrantes, a ciência sobre o ambiente, o facto da Terra ser redonda, a tropa voluntária, a redistribuição de riqueza do estado social, o internacionalismo, etc…

  7. Para isso apaguem também a história do Benfica até ao fim da ditadura. Levaram-nos ao colo década após década.

  8. Não deve ser preciso esperar muito até alguma iluminada vir propor a alteração do nome da Rua das Pretas, Rua do Poço dos Negros e, evidentemente… A mítica Casa do Preto.

    • E a “Campa do Preto”, em Gemunde ? Só mudando a história é que se consegue mudar o nome. Como aqui, neste caso, quer-se mudar a História. Só gente delirante pode querer mudar os factos.

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