Cientista dos EUA diz que foi demitido por alertar sobre hidroxicloroquina

Chris Kleponis / EPA

Um cientista do Governo dos Estados Unidos disse que foi demitido depois de criticar a pressão exercida pelo Presidente Donald Trump para o uso de um medicamento contra a malária no tratamento da covid-19 (hidroxicloroquina).

Rick Bright, ex-diretor da Autoridade Biomédica de Pesquisa e Desenvolvimento Avançado, um organismo governamental, apresentou esta terça-feira queixa pela forma como foi afastado do seu cargo junto do Gabinete de Conselho Especial, uma agência que recebe e analisa denúncias.

Bright diz que foi transferido para um cargo de menor relevância depois de avisar sobre os riscos do patrocínio que Donald Trump fez para a aplicação de um medicamento usado no tratamento da malária (hidroxicloroquina) nos doentes com o novo coronavírus, nos Estados de Nova Jersey e de Nova Iorque, epicentro da pandemia nos EUA.

O cientista alega na denúncia que os responsáveis políticos do Departamento de Saúde e Serviços Humanos tentaram promover a hidroxicloroquina “como uma panaceia”, alinhados com os apelos do Presidente Donald Trump, que usou os seus briefings diários na Casa Branca para recomendar esse químico.

Bright diz ainda que as autoridades de saúde “exigiram que Nova Iorque e Nova Jersey fossem inundadas com esses medicamentos, que foram importados de fábricas no Paquistão e na Índia, sem terem sido inspecionados” pelas entidades competentes.

O cientista alega que sempre se opôs ao amplo uso desse químico, alegando que não existem evidências científicas para recomendar a sua aplicação em pacientes com a covid-19. No mês passado, a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) alertou os médicos contra a prescrição daquele químico, exceto em hospitais e estudos de pesquisa.

Num comunicado enviado nessa altura, a FDA sinalizou relatos de efeitos colaterais cardíacos, em algumas situações fatais, entre doentes com a covid-19 a quem fora administrada a hidroxicloroquina.

Chefe das Forças Armadas contradiz Trump

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, o general Mark Milley, reiterou esta terça-feira que não há provas conclusivas sobre a origem do novo coronavírus, que nasceu em dezembro passado em Wuhan, na China.

“Não sabemos” se começou num laboratório chinês ou num mercado, sublinhou, contradizendo as afirmações do Presidente Donald Trump e o secretário de Estado Mike Pompeo, que têm insistido em atribuir a origem do vírus a um laboratório chinês,

“O peso da evidência” aponta para que seja um vírus natural, não fabricado pelo homem”, sublinhou, citado pelo semanário Expresso. “Ajudaria bastante se o governo chinês revelasse abertura, permitindo que inspetores e investigadores entrem no país, com total transparência”, para perceber o que aconteceu e para o mundo tirar as devidas lições.

Antes de Mark Milley, já a Organização Mundial de Saúde (OMS) e um dos principais peritos em doenças infecciosas da Casa Branca, Anthony Fauci, desmentiram o Presidente norte-americano e o seu secretário de Estado, afirmando que não existem provas que sustentem que o novo coronavírus foi criado num laboratório chinês.

Nos Estados Unidos já se registaram mais de 1.100.000 casos de infeção, incluindo mais de 70.000 mortes.

ZAP //

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