Cibo transforma as suásticas pintadas nas ruas de Verona em comida deliciosa

Cibo / Facebook

O artista de rua italiano “Cibo”

O artista de rua italiano, cujo nome artístico significa “comida” na sua língua, transforma os símbolos de ódio espalhados pela cidade de Verona em “coisas deliciosas” como fatias de pizza e bolos.

Em Verona, no norte de Itália, as suásticas e outros símbolos de ódio pintados nas ruas não têm vida longa. Tudo graças ao trabalho de Pier Paolo Spinazze, o artista de rua que rapidamente os transforma em coisas tão deliciosas como fatias de pizza e cupcakes.

“Tomo conta da minha cidade ao substituir símbolos de ódio por coisas deliciosas para comer”, explicou à agência Reuters o artista italiano, cujo nome artístico é “Cibo”, palavra italiana que significa “comida”.

O italiano de 39 anos, que já conta com mais de 364 mil seguidores na sua conta de Instagram, muitas vezes é alertado por estas pessoas que acompanham o seu trabalho.

Foi o caso de uma manhã em que foi alertado por um dos seus seguidores para as suásticas e insultos racistas que se encontravam num pequeno túnel nos arredores da cidade. Rapidamente, conta a mesma agência, estes símbolos ganharam uma nova vida e são agora uma deliciosa fatia de pizza margherita, uma salada caprese e um grande tomate.

E apesar de já ser uma espécie de figura pública em Verona, sendo muito acarinhado por grande parte dos que lá vivem, também não se livrou de fazer alguns inimigos. “Cibo, dorme com as luzes acesas”, escreveu alguém numa parede. A ameaça acabou transformada nos ingredientes necessários para fazer gnocchi.

“Lidar com extremistas nunca é uma coisa boa, porque são pessoas violentas, que estão habituadas à violência, mas que também são cobardes e muito estúpidas”, disse o artista de rua à Reuters.

“A coisa mais importante é redescobrir os valores de que nos possamos ter esquecido, especialmente o anti-fascismo e a luta contra os regimes totalitários que apareceram com a II Guerra Mundial. Devemos relembrar-nos desses valores.”

Nos últimos anos, grupos de defesa dos direitos humanos têm vindo a alertar para o crescente racismo e xenofobia em Itália, que começou sobretudo depois das vagas de migrantes vindas do continente africano.

Além disso, a cultura fascista ainda continua a ter muitos admiradores. Recorde-se que, há cerca de um mês, a neta do antigo ditador italiano, Rachele Mussolini, foi a vereadora mais votada de Roma pelo Irmãos de Itália, um partido de extrema-direita fundado em 2012.

  ZAP //

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