Ciberataque ao Ministério da Educação confirmado. Mas exames nacionais estão seguros

Ministério da Educação confirmou que a plataforma Júri Nacional de Exames foi um dos alvos de um ciberataque de um pirata informático português.

O Ministério da Educação confirmou esta quarta-feira à CNN Portugal que uma das plataformas do Júri Nacional de Exames foi alvo de um acesso indevido.

O Ministério, no entanto, garante que os dados relativos aos exames nacionais não foram acedidos pelo hacker português e estão em segurança.

“O Júri Nacional de Exames foi informado pela Polícia Judiciária da eventualidade de uma área de informação ter sido comprometida“, revelou uma fonte oficial do Ministério da Educação.

A área em questão não tem “dados pessoais ou sensíveis” e “consta apenas informação pública” na plataforma atacada, garante a fonte.

De acordo com a CNN Portugal, as autoridades acreditam que o pirata informático apenas conseguiu acesso a uma área pública da plataforma restrita a professores, onde têm acesso a informação de normas e procedimentos relacionados com o decorrer do ano letivo.

O hacker conhecido como Zambrius foi quem fez a denúncia, juntamente com uma publicação nas redes sociais onde partilhou o registo de vários acessos, a múltiplas páginas de infraestruturas críticas do país das áreas das Saúde, Educação e Defesa.

O pirata informático alega ter conseguido aceder a mais de “cem sistemas do Ministério da Educação” de diferentes departamentos, apenas em abril.

Tomás Pedroso — o nome real do hacker — foi condenado a seis anos de prisão em janeiro, por acesso ilegítimo agravado, desvio de dados e dano informático à Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, SAD do Benfica e Meo.

Pedroso partilhou uma publicação a 10 de abril deste ano no Twitter, onde revelava “a fragilidade de estruturas” essenciais do Estado Português, provando que tinha conseguido entrar nos sistemas de várias entidades.

Zambrius enviou à CNN Portugal imagens e documentação que mostram acessos a vários tipos de dados, incluindo informações pessoais de cidadãos, que estão em alguns dos serviços estatais mais importantes.

“Muitas são vulnerabilidades de alto risco, que me podem dar controlo remoto sobre os sistemas ou o acesso direto a bases de dados das plataformas ou aplicações”, sublinhou o pirata informático.

As provas publicadas no Twitter, de acordo com especialistas, mostram as muitas fragilidades que as infraestruturas digitais do Estado têm. Tanto mais que os acessos aos sites terão sido feitos através de um smartphone.

“Todas as imagens publicadas por esse hacker mostram que foi possível entrar em infraestruturas essenciais do Estado, o que é extremamente grave e perigoso”, alerta Nuno Coelho, especialista em cibersegurança e professor da Universidade Lusófona.

Os ciberataques têm aumentado nos últimos meses e afetado mais áreas essenciais, como foi o caso das telecomunicações, no ataque à Vodafone, que obrigou a suspender ambulâncias e paralisou vários serviços da empresa.

Antes disso, vários clientes da rede de laboratórios Germano de Sousa viram as suas análises agendadas serem adiadas devido a um cibertaque.

O Governo, no entanto, garante que estão a ser tomadas as medidas necessárias para evitar ciberataques, embora não explicite quais.

Entre os acessos do pirata informático português estão vários serviços da Saúde, alguns dos quais ainda se encontram em baixo, inacessíveis, tendo outros sido alvo de ataques mais graves, como é o caso do hospital Garcia de Orta.

  ZAP //

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