Contra-ataque da China e da UE pode abrir guerra comercial devastadora

Thomas Peter / EPA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente da China, Xi Jinping

Christine Lagarde considerou que as medidas de tributação norte-americana sobre as importações do aço e alumínio contribuem para uma “guerra comercial” onde “ninguém ganha”.

A diretora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse esta quarta-feira que “uma guerra comercial” provocada pela tributação norte-americana sobre as importações de aço e alumínio seriam desanimadoras para o crescimento económico mundial.

“Se o comércio internacional for posto em causa por este tipo de medidas pode gerar uma quebra do crescimento e uma redução de intercâmbios que seriam desanimadores”, disse Lagarde em entrevista à estação RTL.

“Numa guerra comercial – que seria alimentada por uma argumentação sobre tarifas aduaneiras – ninguém ganha“, acrescentou a diretora do FMI. “Estamos bastante preocupados e defendemos um acordo entre as partes. Negociações e consensos”, disse ainda Christine Lagarde.

Mesmo assim, Lagarde refere que – “de certa maneira” – o presidente norte-americano, Donald Trump tem algumas razões para protestar contra a situação atual sublinhando que há países que não respeitam os acordos no quadro da Organização Mundial do Comércio, que estabelece exigências ao nível da transferência de tecnologias.

“Pensamos naturalmente na China, mas a China não é o único país a adotar este tipo de práticas”, disse. Donald Trump anunciou na semana passada que pretende agravar os impostos sobre a importação do aço (25%) e o alumínio (10%).

Esta quarta-feira espera-se uma posição formal da União Europeia sobre a questão.

De acordo com o Público, a Comissão Europeia já terá elaborado uma lista dos produtos norte-americanos sobre os quais pode vir a aplicar taxas, com o objetivo de criar constrangimentos políticos a Donald Trump, , caso se confirme a intenção norte-americana de penalizar as suas importações de aço e alumínio.

O plano apresentado a membros dos diversos governos da UE e passa por aplicar uma taxa de 25% (a mesma que os EUA querem aplicar no aço) a uma série de produtos que vão, para além dos metais, das roupas até aos alimentos, passando por cosméticos e motas.

No total estarão em causa importações que valem, no decorrer de um ano, cerca de 2800 milhões de euros (ou 3500 milhões de dólares), sendo que a aposta da Comissão passa por tentar atingir os EUA em alguns produtos simbólicos que podem criar constrangimentos de ordem política a Donald Trump.

De acordo com a lista que foi mostrada aos representantes dos governos, nas roupas destacam-se as t-shirts, o calçado e as calças de jeans. Entre os produtos alimentares e as bebidas estão o milho, o sumo de laranja e o bourbon. Nas máquinas, os alvos são motos e barcos.

No sábado, Donald Trump respondeu a essa ameaça de contra-ataque com novas ameaças, através do Twitter: “se a UE quer aumentar as suas já enormes taxas e barreiras às empresas dos EUA que fazem negócios lá, nós simplesmente iremos aplicar uma taxa nos seus automóveis, que entram livremente nos EUA”.

Na segunda-feira, o presidente norte-americano voltou à carga, desta vez deixando claro ao Canadá e ao México que as taxas aplicadas nos metais são um trunfo que pretende usar na renegociação do tratado comercial em vigor entre os três países.

Esta terça-feira, o ambiente voltou a ficar mais tenso, depois de se ficar a saber, através de uma notícia inicialmente lançada pela Bloomberg, que a Comissão Europeia tem já uma lista detalhada dos produtos importados dos EUA que poderão vir a ser alvo de um agravamento de tarifas alfandegárias.

// Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Por acaso sempre defendi impor taxas maiores às importações para favorecer o mercado interno. Podem já começar pela McDonalds, por exemplo 🙂

  2. Acho muito bem que todo o mundo retalie comercialmente contra os eua. Devia pura e simplesmente nem sequer comprar um alfinete aos eua.

  3. “Lagarde refere que – “de certa maneira” – o presidente norte-americano, Donald Trump tem algumas razões para protestar contra a situação atual sublinhando que há países que não respeitam os acordos no quadro da Organização Mundial do Comércio, que estabelece exigências ao nível da transferência de tecnologias.
    “Pensamos naturalmente na China ”

    Esta declaração de Christine Lagarde … para mim é suficiente !
    Os defensores da Agenda Globalista, durante os últimos 30 anos ” protegeram a China para preparar o funeral dos USA” !

  4. A verdade é que a globalização permitiu que durante tantos anos se vivesse em paz no mundo. Com a corrida ao protecionismo caminharemos indubitavelmente para guerras. Sempre assim foi no passado ou pensam mesmo que as guerras mundiais foram motivadas por xenofobias.

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