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Isolada do mundo, China é agora o único país a seguir uma estratégia de covid zero

Ryutaro Tsukata / Pexels

Com o aumento da variante Delta e a proliferação de vacinas contra a covid-19, apenas um país se mantém fiel ao objetivo de erradicar a doença: a China.

A Singapura, a Austrália e a Nova Zelândia são três exemplos de países que decidiram abandonar a estratégia de covid zero, por considerarem a abordagem insustentável em termos económicos. A posição contrasta com a determinação da China em erradicar a doença, apesar de 75% da população estar completamente vacinada contra a covid-19.

Hong Kong, por exemplo, deixou claro que o seu estatuto de centro financeiro global é menos importante do que o objetivo comum de eliminação da covid-19. É provável que a missão se torne cada vez mais difícil à medida que a temperatura arrefece, somando ao facto de Pequim acolher os Jogos Olímpicos de Inverno daqui a três meses.

É também muito provável que os ressurgimentos esporádicos da doença continuem, segundo especialistas em saúde pública citados pela Time. Ainda assim, salienta a publicação, o Governo chinês “foi sempre capaz de proezas que ultrapassam a imaginação da maioria dos outros países”.

“O tipo de capacidade e grau de controlo que pode exercer é notável”, disse Michael Baker, professor no Departamento de Saúde Pública da Universidade de Otago, em Wellington, que integra o Grupo Consultivo Técnico Covid-19 do Governo da Nova Zelândia.

Está muito além do que podemos fazer, não só do ponto de vista dos recursos, mas também da licença social que os Governos têm. Não seríamos capazes de exercer o tipo de controlo que a China é capaz de exercer, mesmo para alcançar um bom fim”, acrescentou.

A China não se vai cingir à estratégia de covid zero para sempre, mas só irá abandonar esta abordagem quando já não funcionar ou quando os custos forem demasiado elevados – parâmetros que ainda não foram tornados públicos.

Certo é que, ao contrário de outros países, a economia chinesa manteve-se à tona. No entanto, à medida que os confinamentos e restrições à circulação continuam ao longo deste ano – e as economias ocidentais retomam as suas operações após a vacinação -, o impacto começa a manifestar-se mais profundamente.

O crescimento das vendas a retalho, por exemplo, abrandou para 2,5% em agosto em relação ao ano anterior, ficando muito aquém da expansão de 7% estimada pelos analistas.

Ainda assim, independentemente da tolerância da China em relação à abordagem, alguns especialistas acreditam que os paraísos livres de covid-19 podem ainda regressar. Governos como a Nova Zelândia poderiam ressuscitar o objetivo se (e quando) novas opções médicas se tornarem disponíveis.

Talvez estejamos a atingir os limites do que podemos fazer com as nossas ferramentas atuais para eliminar a transmissão”, disse Baker, que crê que uma estratégia covid zero ainda poderá estar em cima da mesa.

“Poderíamos descobrir que a próxima geração de vacinas ou anti-virais são tão eficazes que podem eliminar o vírus de forma bastante eficaz.”

  Liliana Malainho, ZAP //

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