Caixa Geral de Depósito é “campeã” nas queixas financeiras à DECO

Manuel de Almeida / Lusa

Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD)

A Deco mediou 23 mil conflitos no ano passado, mais seis mil do que em 2017, e a maioria das queixas continua a ser no setor das telecomunicações, lideradas pela Meo, seguida pela NOS, Vodafone e Nowo. No campo dos serviços financeiros, a Caixa Geral de Depósitos é a campeã de queixas.

“Os consumidores continuam a ter problemas nos setores que já são habituais e muitos desses problemas são recorrentes, não obstante as regras que existem para proteger o consumidor”, comentou à agência Lusa a coordenadora do Gabinete de Apoio ao Consumidor (GAC) da Deco, Ana Sofia Ferreira.

Ao todo, a associação de defesa do consumidor recebeu 34.956 reclamações no setor das comunicações, sendo os principais motivos de reclamação o período de fidelização, a faturação, práticas comerciais desleais e dificuldade no cancelamento do contrato.

A compra e venda ocupou o segundo lugar dos mais reclamados, com 25.345 queixas, destacando a Deco nesta área o aumento das reclamações das vendas online da Worten, e em terceiro lugar dos mais reclamados no ano passado surgem os serviços financeiros, com 19.249 queixas.

O setor da energia e água, com 16.981 queixas, desceu um lugar na posição que ocupava em 2017 e tornou-se o quarto setor mais reclamado, sendo a principal razão os problemas na faturação, dupla faturação ou atraso no envio da fatura. Neste setor, as empresas mais reclamadas foram, por ordem, a EDP Comercial, Endesa, Galp On, Goldenergy e Iberdrola.

CGD lidera na área dos serviços financeiros

A Caixa Geral de Depósitos foi a empresa de serviços financeiros com mais reclamações junto da Deco no ano passado, devido à cobrança de comissões bancárias e à falta de clareza na informação de produtos financeiros vendidos.

“A CGD tem como cliente população mais vulnerável, como reformados, que precisam de atenção especial”, disse à Lusa a coordenadora do Gabinete de Apoio ao Consumidor (GAC) da associação para a defesa do consumidor Deco, Ana Sofia Ferreira, recordando que até ao ano passado muitos desses clientes estavam isentos de comissões bancárias mas, por diversas razões, deixaram de estar.

“Estes pagamentos [de comissões bancárias], para muitas dessas pessoas, em situação financeira vulnerável, fazem diferença. Por isso, a cobrança de comissões tem gerado muitas denuncias à Deco” durante o ano transato, acrescentou a jurista.

Além das comissões, a CGD foi motivo de reclamações à Deco por causa de aplicações financeiras adquirias pelos clientes, nomeadamente no que diz respeito à sua rentabilidade, à possibilidade de resgate e penalização associada ao resgate e ainda ao facto de algumas dessas aplicações não poderem ser resgatadas.

“Por serem [muitos dos clientes da CGD] uma população com baixa literacia financeira, habituada a ter uma grande confiança no gestor de conta, no balcão onde têm conta, muitas vezes [o cliente] acaba por fazer aplicações financeiras e produtos financeiras que não são adequados ao seu perfil”, explica a jurista.

Setores “já habituais”

A Deco lembra que estes quatro setores — telecomunicações, compra e venda, serviços financeiros e energia e água — “são já os habituais” no ‘ranking’ de reclamações à associação para a defesa do consumidor.

“Nas reclamações apresentadas pelos consumidores muitas das práticas das empresas mantêm-se inalteradas e os motivos de reclamação são os mesmos”, afirma a jurista, defendendo que o aumento de casos mediados pela Deco em 2018 “significa que os consumidores não conseguem, muitas vezes sozinhos, resolver” os conflitos e recorrem a entidades como a Deco.

Pela primeira vez, a Deco divulgou, no ranking dos mais reclamados, o que chamou de ‘menções desonrosas’ e que são reclamações que se destacam, não pela quantidade, pela apreciação que a associação faz do setor. Em 2018, receberam menção desonrosa a CP, devido à qualidade do serviço (atrasos e supressões e relação com clientes), e os CTT pela qualidade do serviço e incumprimento dos prazos.

O transporte ferroviário, que foi motivo de 900 reclamações à associação em 2018, motivadas pelas supressões e atrasos “constantes”, mas, segundo a Deco, a maioria das reclamações ou não são respondidas ou, quando são, a resposta é igual para todos.

“Os consumidores concluem que já nem adianta apresentar reclamação [à CP] pois não tem impacto”, afirmou a jurista, explicando que esta empresa ganhou uma menção pela reação aos clientes.

Já nos serviços postais, a Deco diz ter registado um “grande aumento” nas reclamações em 2018, nomeadamente pela falta de qualidade de serviço e incumprimentos de prazos: “São encomendas que não chegam, que são entregues noutro local, correspondência paga como urgente que chega no prazo da correspondência normal”, precisa a mesma fonte.

// Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

O envelhecimento celular em humanos foi parcialmente revertido (com o uso de oxigénio)

Investigadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, descobriram uma forma de reverter o processo de envelhecimento celular e podem ter feito um avanço na procura pela juventude eterna. O novo estudo publicado na revista Aging …

Joshua Wong e outros dois ativistas condenados a penas de prisão

Joshua Wong e outros dois ativistas do movimento pró-democracia em Hong Kong foram condenados, esta quarta-feira, a penas de prisão por participarem numa manifestação ilegal contra o Governo da região administrativa em junho de 2019. Os …

Departamento de Justiça nos EUA investiga alegado esquema de "dinheiro por indultos" na Casa Branca

O Departamento da Justiça dos Estados Unidos está a investigar possíveis subornos em troca de indultos presidenciais na Casa Branca. De acordo com documentos judiciais a que a agência Reuters teve acesso, o Departamento da Justiça …

Confinamento, covid-19, discriminação. Eis as 10 candidatas a Palavra do Ano de 2020

A Porto Editora revelou esta terça-feira as dez candidatas a Palavra do Ano de 2020. Este ano, a iniciativa lançada em 2009 decorre, pela primeira vez, em simultâneo com Angola e Moçambique. De acordo com o …

Mais mortes e menos nascimentos. Portugal está com o maior saldo natural negativo do século

Como avança o Público esta quarta-feira, há 12 anos consecutivos que há mais mortes do que nascimentos em Portugal, mas este ano o país a bateu o recorde do saldo natural negativo. Desde 2009 que o …

"Não há plano B". Costa deixa avisos e recados a Hungria e Polónia

O primeiro-ministro português, António Costa, alertou, em Bruxelas, que não há um plano B ao bloqueio na aprovação do orçamento da União Europeia (UE) e do novo Fundo de Recuperação criado para responder à pandemia, …

Santos deu "nega" ao Benfica e Lucas Veríssimo ameaçou não jogar

O Conselho Fiscal do Santos "negou" a transferência de Lucas Veríssimo para o SL Benfica. O jogador ameaçou mesmo não entrar em campo contra o LDU Quito, na noite passada. O Conselho Fiscal do Santos emitiu …

Governo britânico substitui confinamento por restrições (com oposição interna no Partido Conservador)

Boris Johnson conseguiu ver aprovado o novo plano de restrições. Dos votos contra, 56 foram de deputados conservadores e 16 de deputados do Partido Trabalhista. O Governo britânico conseguiu ver aprovado o novo plano de restrições …

Sporting tem sete jogadores na porta de saída e outro para trazer Matheus Reis

O Sporting CP quer livrar-se de sete jogadores excedentários que estão a treinar com a equipa B. O clube quer também trazer Matheus Reis já neste mercado de inverno. Aproxima-se o mercado de inverno e o …

Sindicato acusa TAP de manipulação e diz que não há "trabalhadores a mais"

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava) acusou a TAP de “manipulação, falta de ética e desonestidade” e defendeu que a empresa não tem “trabalhadores a mais” e deve procurar os “sorvedouros de …