“Celebre a baixa natalidade!” Cartaz polémico defende que o mundo precisa de menos gente

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Cartaz da agência holandesa The Great Decrease junto à Praia das Maçãs, em Sintra.

“Diminuir rumo à abundância”. Este é o lema de uma agência de design e publicidade holandesa que colocou um cartaz polémico em Sintra, virado para a Praia das Maçãs, e que aconselha os portugueses a celebrarem as baixas taxas de natalidade.

A iniciativa da agência The Great Decrease insere-se numa campanha internacional que visa alertar as consciências para o problema do crescimento da população mundial. Assim, aquilo que em Portugal é visto como um problema – a baixa taxa de nascimentos -, deve ser celebrado como “uma benção” na óptica da agência holandesa.

“Celebre as baixas taxas de natalidade!”, apregoa o cartaz colocado em Sintra, mesmo em frente à Praia das Maçãs, uma zona muito frequentada por esta altura, para atrair o máximo de olhares possíveis.

No site da The Great Decrease salienta-se que a humanidade “mais do que duplicou nos últimos 50 anos”, vivendo actualmente na Terra “mais de 7,6 mil milhões de pessoas“.

Em 2050, devemos ser mais de 10 mil milhões, lembra a agência, considerando que “o grande número de pessoas é a força motora por trás dos grandes problemas de hoje, incluindo as alterações climáticas, a perda da biodiversidade e a escassez de recursos”.

Depois da organização de vários eventos públicos na Holanda, para alertar para esta realidade, a The Great Decrease pretende promover a discussão mundial em torno deste “crescimento exponencial” e das suas “consequências”.

“The Great Decrease é um alerta para se olhar para o declínio da população sob uma nova perspectiva”, explica na Rádio Renascença a responsável pela campanha, Sascha Landshoff, realçando que o objectivo é “encorajar as pessoas a adoptarem o declínio da população”.

Portugal é destacado pela agência como o país com a mais baixa taxa de natalidade da Europa (1,2%), seguindo-se a Holanda (1,6%).

Por outro lado, os países onde nascem mais crianças situam-se em África, sendo precisamente nessa zona que a Organização das Nações Unidas prevê que haja maior crescimento populacional nos próximos anos.

Sascha Landshoff destaca que é preciso pensar em como evitar este aumento da população através de “medidas simples e directas” como “tornar a contracepção moderna legal, gratuita e disponível em todo o mundo e eliminar os bónus” para quem tem bebés, como diz na Renascença.

Quanto ao cartaz que continua perto da Praia das Maçãs, várias pessoas se indignaram contra ele nas Redes Sociais. A situação levou a Câmara Municipal de Sintra a enviar ao local fiscais para “verificar a legalidade da situação”, como explica fonte da autarquia à Renascença.

O cartaz “está legalizado, encontra-se em local licenciado e com os pressupostos legais cumpridos”, frisa esta fonte, notando que não viola o Código da Publicidade porque “não ofende valores nem tem linguagem imprópria”.

Mas nas Redes Sociais há quem faça questão de se manifestar contra a ideia defendida pelo cartaz, como é o caso da que parece ser uma família numerosa que se fotografou ao lado da mensagem da The Great Decrease e cuja imagem está a ser partilhada por várias pessoas.

SV, ZAP //

 

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7 COMENTÁRIOS

  1. Finalmente alguém com ideias racionais. É preciso ter palas para “promover a natalidade”. Como quem diz, quase todos os partidos políticos em Portugal e arredores.

    • Depois diga-me quem e como é que lhe vai pagar a reforma.
      Eu conheço os artistas como o Nuno que pensam que tudo sabem mas por tão pouco conhecer os assuntos que aborda, acha que tudo é simples. A questão é bem mais complexa e obviamente o amigo não está à altura dela. Deixe para os outros e dedique-se àquilo em que é bom…ou deveria ser…

      • Caro “Olha-me este!”, eu poderia dizer o mesmo de si. Enquanto o pessoal dito entendido como o Sr. fala das reformas e da economia, a sobrepopulação está a tratar de acabar literalmente com o mundo: simplesmente não há recursos para todos vivermos confortavelmente! E quando isso acontecer não haverá reformas nem economia, percebe? É como você diz e bem: “A questão é bem mais complexa e obviamente o amigo não está à altura dela. Deixe para os outros e dedique-se àquilo em que é bom…ou deveria ser…”. Ou acha que o paradigma económico atual de crescimento infinito para manter o status quo é sustentável?
        Cumprimentos.

  2. Creio que se precisa analisar caso a caso. Generalizações são sempre arriscadas. Em Portugal, país já consolidado na zona do euro, e com uma moeda forte, a ideia pode ser boa sim. Já aqui, no Brasil, a redução da natalidade está pondo a Previdência Social em vias de colapso. Minha opinião é que a baixa natalidade pode ser positiva, mas conforme o caso.

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