Cavaco recorda que em 1987 esteve cinco meses em gestão

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O Presidente da República, Aníbal Cavaco SIlva

O Presidente da República, Aníbal Cavaco SIlva

O Presidente da República recordou esta segunda-feira que enquanto primeiro-ministro esteve cinco meses em gestão e aconselhou a que se verifique o que aconteceu nos dois casos de crises políticas anteriores.

“Eu estive cinco meses em gestão, eu como primeiro-ministro de um Governo estive cinco meses em gestão”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas, na Ribeira Brava, na Madeira.

Questionado se não considera urgente que decida sobre a crise política, o chefe de Estado recomendou que se verifique o que aconteceu em casos anteriores: “vá ver nos dois casos de crises anteriores que aconteceram – um foi em 1987 e um em 2009 [sic] – quantos dias esteve o Governo em gestão, o que é que fez o Presidente da República de então e quais foram as medidas importantes que esse Governo de gestão teve que tomar”.

Num primeiro momento, fontes de Belém esclareceram que o Presidente da República se referia, além do caso de 1987, ao Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Santana Lopes, tendo, por lapso, referido 2009 e não 2004.

No entanto, as mesmas fontes retificaram, ao final da tarde, que Cavaco Silva se referia, afinal, a 2011, quando o então primeiro-ministro socialista José Sócrates se demitiu.

“Sei muito bem o que aconteceu em Portugal”

Antes, em resposta às perguntas dos jornalistas sobre a crise política aberta depois da aprovação de uma moção de rejeição ao programa do Governo, o Presidente da República disse que o que tem feito e continuará a fazer é informar os portugueses sobre cada um dos seus passos.

“O que tenho feito e vou continuar a fazer é, cada passo que dou para resolver a crise, eu informo os portugueses”, referiu.

Desta forma, continuou, os portugueses podem ir ao site da Presidência da República, onde está a informação de que o chefe de Estado está a “recolher o máximo de informação junto daqueles que conhecem a realidade social, económica e financeira portuguesa para dar indicações ao poder político qualquer que ele seja quanto às linhas que permita manter uma trajetória de crescimento económico, de criação de emprego e da acesso das empresas, do Estado e dos bancos ao sistema de financiamento”.

“Porque sei muito bem, muito bem o que aconteceu em Portugal quando as orientações adequadas não foram cumpridas“, acrescentou.

Em 1987, o X Governo Constitucional, liderado por Cavaco Silva, foi derrubado a 03 de abril com a aprovação de uma moção de censura ao Governo apresentada pelo PRD.

O XI Governo Constitucional, também liderado por Cavaco Silva, tomou posse cerca de quatro meses e meio depois, a 17 de agosto. As eleições legislativas antecipadas aconteceram a 18 de julho. O executivo entrou em plenitude de funções 28 de agosto, depois do debate do programa de Governo na Assembleia da República.

Em 2004, quando o então Presidente Jorge Sampaio dissolveu a Assembleia da República, o Governo liderado por Pedro Santana Lopes esteve em gestão desde 10 de dezembro até à posse do executivo de José Sócrates, que ocorreu a 12 de março de 2005. As eleições legislativas antecipadas realizaram-se a 20 de fevereiro.

Mais tarde, em 2011, José Sócrates apresenta a sua demissão a 23 de março, aceite 10 dias depois pelo Presidente da República, Cavaco Silva. A 7 de abril, o chefe de Estado anuncia a dissolução do parlamento e marca eleições antecipadas para 5 de junho. A 21 de junho, o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho toma posse.

/Lusa

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6 COMENTÁRIOS

  1. Por essa altura não havia mais nenhuma opção… Os governos caíram, ou o então ministro demitiu-se , não apareceram outras soluções logo marcaram-se eleições. Não é comparável!

  2. …e Bruxelas à espera de um esboço de orçamento de estado, que o governo que quer continuar a ser governo não quer fazer…
    Entretanto o presidente sem pressas a pastar cagarras na Madeira….

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