Catarina Martins recusa “caminho da intriga”. Líder do Bloco quer falar de propostas

A coordenadora do Bloco de Esquerda recusou, este domingo, “o caminho da intriga” durante a campanha para as eleições legislativas de outubro, assegurando que vai seguir “o caminho da proposta”.

Catarina Martins discursava no encerramento do Fórum Socialismo 2019, a rentrée do Bloco de Esquerda, que terminou no domingo no Porto, uma iniciativa que teve 750 participantes ao longo dos três dias, sendo, segundo a líder, “o maior Fórum Socialismo da história do Bloco de Esquerda”.

Recusamos o caminho da intriga, vamos ao caminho da proposta, este é o nosso programa, é isto que queremos fazer acontecer”, afirmou a líder do Bloco, respondendo assim a quem tenta fazer que “esta campanha seja sobre tudo menos sobre o que conta”.

Nas palavras da líder, o BE apresenta-se às eleições legislativas “para apresentar proposta, para apresentar programa, para discutir o que é preciso fazer no país”. “Não nos dispersamos em jogos de provocações, nunca nos desviamos do que conta: responder por este país”, assegurou, num discurso que demorou menos de 20 minutos e no qual nunca citou o nome do PS ou do primeiro-ministro, apesar das críticas implícitas.

Trabalho e investimento são as “duas áreas que vão ser os grandes desafios que definem um próximo Governo”, aquele que vai sair das próximas eleições legislativas. “No dia 6 de outubro, o voto no BE é o voto que faz acontecer”, disse, usando assim o slogan que o partido assume para estas eleições.

A coordenadora bloquista fez questão de começar o discurso com um exercício de memória, referindo-se à rentrée bloquista de 2015, precisamente na véspera das últimas eleições legislativas. “Disse-vos na altura que o Bloco de Esquerda seria um instrumento contra a resignação e que faríamos tudo para mostrar que vale a pena viver em Portugal e que aqui se pode viver de cabeça erguida”, lembrou.

Consciente de que “aconteceu muita coisa nestes quatro anos”, há uma certeza que Catarina Martins tem: “Quando há quatro anos dissemos que Portugal valia a pena, sabíamos o que dizíamos e fizemos o que dissemos“.

Depois dos acordos inéditos que em 2015 permitiram um Governo minoritário do PS com o apoio parlamentar de todos os partidos de esquerda, o BE chega a uma nova campanha eleitoral para a Assembleia da República “com a segurança de saber” que fizeram o que deviam com força que tinham.

“Não foi um caminho fácil”, assumiu, elencando algumas das conquistas que o partido reivindica como a descida das propinas ou o estatuto do cuidador informal.

Sobre a nova Lei de Bases da Saúde – em relação à qual tanto devem a João Semedo e António Arnaut – Catarina Martins opta por falar de um “caminho tão difícil”, mas no final do qual “ganhou o país”. “Se houve quem teve dúvidas ou quem fez ziguezagues não foi seguramente o BE que foi sempre a voz da solução, do compromisso, do caminho por fazer”, disse, numa crítica ao PS.

Habitação é o “investimento público mais seguro”

No encerramento do Fórum Socialismo 2019, Catarina Martins afirmou que “não há quem não saiba em Portugal que tem faltado o investimento onde sobram os problemas”, propondo o partido no seu programa eleitoral às legislativas “investimento com critério”.

“Querem falar de crises? Falemos de crises. Portugal tem uma grave crise de habitação e portanto se queremos responder ao país vamos responder pelo direito à habitação”, atirou.

Referindo-se à proposta eleitoral de um “programa de reabilitação urbana capaz de travar a crise de habitação e colocar 100 mil casas com rendas entre os 150 e os 500 euros”, a coordenadora bloquista lembrou que “em Portugal quando se fez, no passado, já há décadas, programas de investimento na habitação, todo ele teve retorno”.

“Por esta razão tão simples que quem vive do seu trabalho paga a renda da sua casa, cumpre os seus compromissos. É sempre quem trabalha que cumpre e ao cumprirmos o direito à habitação seguramente estamos a fazer o investimento público mais seguro que se pode fazer neste país”, defendeu.

Catarina Martins contrapõe com “o sistema financeiro, onde o Estado já colocou 17 mil milhões de euros que nunca ninguém pagou”. “As pessoas em Portugal pagam a sua renda da sua casa, não fazem como Ricardo Salgado Berardo a dizer que não têm dívidas“, apontou.

A líder do Bloco cita quem diz que “as questões do investimento são muito complicadas, ou que o país não pode mais”. “Agora, até Mário Centeno vem dizer que tem que aumentar o investimento. As coisas vão mudando”, ironizou, fazendo-se ouvir algumas gargalhadas na plateia montada debaixo de uma tenda no campo de futebol da Escola Artística Soares dos Reis do Porto.

ZAP ZAP // Lusa

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