Casos de covid-19 entre crianças e jovens aumentaram 96% (e alguns desenvolvem problemas cardíacos)

Alejandro Garcia / EPA

Há uma vaga de jovens com covid-19 a chegar aos hospitais com sintomas graves. O alerta é feito por especialistas numa altura em que as crianças e os jovens até aos 29 anos infectados aumentaram 96% desde o fim da quarentena.

Na faixa etária dos zero aos 9 anos verificou-se um aumento de 145,6% no número de infectados com covid-19 desde o passado dia 4 de Maio até este domingo, 21 de Junho, de acordo com dados divulgados pelo Público. Há 1044 infecções neste grupo de crianças.

Entre os 10 e os 19 anos, o aumento foi de 95,3%, registando-se 1504 casos confirmados de covid-19.

Já no grupo entre os 20 e os 29 anos, houve um aumento de 89,3%, contabilizando-se 5628 casos de infectados.

“Feitas as contas, os novos casos entre estes três grupos registam um aumento de 96%”, repara o Público.

Estes dados são preocupantes, tanto mais que se está a verificar uma vaga de jovens infectados que precisam de internamento, alguns dos quais chegando mesmo aos Cuidados Intensivos.

O Expresso apurou que 34% dos doentes internados no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, têm menos de 35 anos. A maioria destes jovens são saudáveis.

“O aumento da gravidade de casos em pessoas jovens que não seriam expectáveis terem formas tão preocupantes são sinais de alerta que fazem soar campainhas”, avisa a médica Isabel Aldir, infecciologista no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, em entrevista à SIC.

Esta especialista repara que os ajuntamentos de jovens que se têm noticiado um pouco por todo o país são “uma preocupação”.

“Não é cool adoecer, não é cool ficar com sequelas para o resto da vida e não é cool servirmos como elementos de transmissão da doença para outros e ver os nossos pais ou os nossos avós a adoecerem e a poderem morrer”, destaca Isabel Aldir referindo-se à ideia do “desconfinamento cool” que é reportada pelo Expresso como potencial causa para a vaga de novos casos graves entre os jovens.

Nos últimos dias, surgiram várias notícias de ajuntamentos de jovens e de festas ilegais, nomeadamente em Lagos, no clube desportivo de Odiáxere, que resultou em mais de 90 casos positivos de infecção. Duas pessoas infectadas, com 29 anos e 37 anos, estarão mesmo internadas.

No fim-de-semana, a polícia foi obrigada a intervir em situações de ajuntamentos em Braga e no Porto, durante a noite, depois de já ter interrompido uma festa ilegal na praia de Carcavelos, em Cascais.

Enquanto isso, os números dos novos casos de covid-19 continuam a ser superiores a 200 quando a tendência deveria ser um decréscimo.

A Grande Lisboa tem contribuído com a maioria dos novos casos, com alguns registos diários a revelarem mais de 90% das novas infecções.

A directora-geral de Saúde, Graça Freitas, já disse que tem havido um aumento relevante no número de jovens infectados, enquanto a subida nas outras faixas etárias tem sido menor. Entre os 30 e os 39 anos houve um aumento de 71,3%, na faixa entre os 40 e os 49 anos foi de 54%, entre os 50 e os 59 anos foi de 45%, entre os 60 e os 69 anos foi de 39,4%, entre os 70 e os 79 anos verificou-se uma subida de 28,7% e nas pessoas com mais de 80 anos regista-se um aumento de 23,9%.

Nesta segunda-feira, o primeiro ministro reúne-se com os presidentes dos cinco municípios da Área Metropolitana de Lisboa onde se tem registado um maior número de casos.

No encontro com Fernando Medina (Lisboa), Basílio Horta (Sintra), Carla Tavares (Amadora), Hugo Martins (Odivelas) e Bernardino Soares (Loures), António Costa vai abordar a possibilidade de implementar novas medidas restritivas para controlar a propagação do vírus.

Costa já admitiu a possibilidade de criar sanções para as pessoas que organizarem e participarem em festas ilegais e em ajuntamentos.

Há jovens saudáveis que desenvolvem problemas cardíacos

Ao Hospital de Santa Maria têm chegado, nas últimas semanas, “os infectados do pós-confinamento, que se contagiaram porque saíram de casa”, como refere ao Expresso a coordenadora da Unidade de Internamento de Contingência de Infecção Viral Emergente, Sandra Braz.

Algumas destas pessoas são “jovens saudáveis, que não fazem parte de classes sociais desfavorecidas, mas com comportamentos de risco“, como destaca o semanário.

“Temos jovens em situação muito crítica e durante mais tempo nos cuidados intensivos devido à reacção do sistema imunitário”, analisa Sandra Braz, considerando que “são jovens que organizam jantares em casa e que parecem pensar que por ser em casa não há perigo”. “Jovens que no trabalho usam máscara e desinfectam as mãos, mas à noite reúnem-se em grupo e não usam protecção“, diz.

“Alguns foram visitar amigos que estavam infectados e não se protegeram. Parecem viver numa adolescência prolongada, em que não cabe a responsabilidade, associada a um sentimento de desafio ao risco e a uma necessidade de pertença ao grupo, em que quem não acompanha a maioria pode ser excluído”, acrescenta Sandra Braz.

O Expresso reporta o caso de um jovem de 20 anos que desenvolveu problemas cardíacos no âmbito da infecção e que “esteve internado 15 dias no Hospital de Santa Maria e terá de esperar pelo menos seis meses até ter a certeza de que não ficará com sequelas para o resto da vida”.

Praticante regular de kickboxing e muaythai e sempre “saudável”, este jovem garante que não teve comportamentos de risco, exceptuando correr na rua. “Às vezes, à noite, ia às bombas de gasolina tomar café, mas ficava pouco tempo”, assegura.

“Eu costumava dizer aos meus amigos que não ia apanhar o vírus e, afinal, aconteceu-me”, conclui este jovem em jeito de alerta aos mais novos.

ZAP ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Um pouco por toda a Europa há, quase todos os dias, palestras, esclarecimentos, o que seja, sobre o covid – 19. Portugal não tem tido muitas mortes em termos relativos, mas tem a persistência da doença, que outros países que começaram com os confinamentos mais tarde já conseguiram debelar. Aqui, a máscara é a principal panaceia. Nada de mais errado. Fala-se que as grandes superfícies comercias todas têm trabalhadores ao serviço infetados. Este fato por si só é potencialmente multiplicador do vírus até ao infinito. A máscara, quando muito, resguarda a boca e o nariz e as luvas as mãos, se forem mudadas de acordo com o serviço a ser feito; e não é isso que acontece. Há dias, dois curiosos permaneceram no interior de um hipermercado cerca de três horas e verificaram que o pessoal dos legumes mexia nas couves, nos tomates, nas cenouras, nas cebolas, nas batatas, na fruta sempre com as mesmas luvas, ou seja, bastaria que um daqueles produtos tivesse chegado infetado para que todos os outros corressem o risco de o serem também. Depois os braços, o pescoço e outras partes do corpo estavam nus e eram excelentes lugares para o vírus se hospedar. Terminado o serviço, despiram a farda de trabalho e foram a correr vestir as suas próprias roupas sem um banho ou desinfeção total prévios. Ou seja, em tese pelo menos, levaram para casa vírus nos braços e nas roupas, que naturalmente terão espalhado em alguma superfície, fosse na mesa do café, onde foram relaxar, ou na mesa de jantar e talvez até na própria cama. Os estudiosos “ad hoc” chegaram cá fora e descreveram o itinerário de um vírus ou, se preferirem, uma cadeia de transmissão. Eu, por mim, fiquei convencido e tudo quanto não possa ser lavado em lixívia diluída não entra sequer em casa. Até posso ficar doente, mas não será por falta de cuidado até ao limite onde posso esticar este. E a todos quantos lerem este relato, peço-vos um favor: não acreditem em mim, mas vejam e pensem vós mesmos. Se não vier uma vacina, ainda iremos ter covid por uns tempos. Vejam os transportes urbanos em hora de ponta, com as pessoas a respirarem o ar umas das outras. E os jovens parece já não terem mais paciência para confinamentos… a não ser a bastão. E acertado pareceu-me também o que disse o ministro Santos Silva, que para abrir ou fechar as fronteiras de um país é preciso ter em conta vários parâmetros da pandemia e não apenas um, como por exemplo a ausência de mortes durante uns dias ou uma semana.

  2. A mensagem que foi passada foi redondamente errada. (Como errada era já a ideia de sermos alguma vez exemplo). Mas que dizer das aparições públicas de políticos em espectáculos, se não era para parecer cool, poderia ser lido dessa forma. Devagar que tenho pressa nunca fez tanto sentido. E a pressa, e “optimismo” ou falta de prudência e consistência na mensagem dão estes resultados. A realidade não vai em cantigas. E o optimismo sempre foi contraproducente em certas realidades. E as infecções não se resolvem com optimismo, mas com máxima prudência.

  3. Pois é, o vírus está a demonstrar que afinal simpatiza com todos sem excepção, é necessário é que todos não simpatizem com ele e que não andem a fazer figura de parvos.

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