Caso GES revela 57 ricos secretos com 195 milhões em seguros de vida

Tiago Petinga / Lusa

Ricardo Salgado, ex-presidente do BES

Um mês antes do colapso do Grupo Espírito Santo (GES), em agosto de 2014, um grupo de 57 ricos secretos tinha mais de 195 milhões de euros em seguros de vida depositados no Banque Privée Espírito Santo (BPES).

Com a falência deste banco do GES, cuja sede era na Suíça, a Swiss Life, seguradora do Luxemburgo com a qual foram feitos os seguros de vida, reclama ao BPES uma indemnização de quase 164,7 milhões de euros.

A revelação deste património avultado em seguros de vida consta na reclamação de créditos apresentada pela Swiss Life no processo de insolvência do BPES – Sucursal em Portugal.

A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã. De acordo com o jornal, nos autos deste processo de falência constam os contratos de seguros de vida e em nenhum deles é identificado o titular desse património.

“A 30 de junho de 2014, a Reclamante tinha em depósito nas contas abertas junto do BPES (incluindo a sua sucursal em Portugal) dinheiro e valores mobiliários no montante global de 195,43 milhões de euros, dos quais 134,5 milhões de euros consistiam em ativos não relacionados com o GES e 60,89 milhões de euros em ativos relacionados com o GES”, pode ler-se na reclamação da Swiss Life.

A seguradora diz que a partir de junho de 2011, quando Portugal estava em plena crise financeira, “celebrou um conjunto de contratos de seguro de vida, nos termos dos quais cada tomador de seguro entregava à reclamante um prémio (composto por dinheiro ou por valores mobiliários) com o qual a Reclamante criava um ou mais fundos dedicados, ficando a reclamante obrigada a pagar ao(s) beneficiário(s) do seguro o valor desses fundos dedicados em caso de morte da pessoa segura”

Após a falência, o BPES devolveu à Swiss Life algum património.

Investigação com 35 arguidos

A investigação ao chamado Universo Grupo Espírito Santo (GES) já tem um total de 253 inquéritos. Segundo um despacho de Amadeu Guerra, diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), “além do inquérito principal, existem mais 252 inquéritos apensos.”

O processo tem 35 arguidos, incluindo Ricardo Salgado. O despacho deixa claro que “o presente inquérito é de especial complexidade, havendo necessidade de relacionar toda a documentação apreendida que se encontra coligida em vários suportes.”

Trata-se de informações contabilísticas, documentos bancários, correio eletrónico, escutas telefónicas, contratos de instrumentos de dívida e de financiamentos, venda de dívida emitida pelo BES para liquidez de sociedades do GES. O DCIAP já ouviu 178 pessoas, sete das quais através de cooperação judiciária internacional.

Faltam ainda ouvir 50 pessoas em Portugal e no estrangeiro. A investigação deverá estar concluída até março do próximo ano.

ZAP //

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