Caso Abramovich. Líder da Comunidade Judaica do Porto detido

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João Lopes Cardoso

O rabino Daniel Litvak, líder da Comunidade Israelita do Porto (esq)

O líder religioso da Comunidade Judaica do Porto, Daniel Litvak, foi detido pela Polícia Judiciária, no âmbito da investigação sobre a obtenção de nacionalidade portuguesa por judeus sefarditas, entre os quais o oligarca russo Roman Abramovich.

O rabino Daniel Litvak, líder da Comunidade Judaica do Porto, foi detido pela PJ no âmbito do processo de investigação aos casos de concessão de nacionalidade portuguesa a judeus sefarditas.

A notícia foi avançada pelo jornal Público, que refere que a detenção ocorreu quando o líder da comunidade judaica do Porto se preparava para viajar para Israel.

Segundo adiantou à Lusa fonte ligada ao processo, esta investigação, dirigida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) em articulação com a PJ, visa ainda outros elementos responsáveis pela emissão de documentos certificadores de nacionalidade naquela comunidade.

O líder judaico é suspeito dos crimes de associação criminosa, corrupção ativa, branqueamento de capitais, fraude fiscal e tráfico de influências em diversos processos de naturalização ao abrigo da Lei da Nacionalidade para os judeus sefarditas.

Até ao momento, Daniel Litvak é o único detido no âmbito da operação. O rabino da Comunidade Israelita do Porto é o responsável último pela certificação de descendentes sefarditas.

A PJ confirmou a operação em comunicado, ao início da noite desta sexta-feira, no qual refere que foram realizadas buscas “domiciliárias e não domiciliárias”, na sequência das quais “foi apreendida vasta documentação e outros elementos de prova”.

Segundo a CNN Portugal, Litvak tem mais de três milhões de euros depositados em contas bancárias em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente em Israel, para onde as autoridades acreditam que iria fugir.

A detenção ocorre numa altura em que o Ministério Público está a investigar a atribuição da nacionalidade portuguesa ao oligarca russo Roman Abramovich, dono do clube de futebol inglês Chelsea.

Contudo, o caso do milionário russo não será único e haverá outros processos de descendentes dos judeus sefarditas, sobretudo da comunidade judaica do Porto, a levantarem dúvidas.

Segundo apurou entretanto o Observador, está também sob investigação a certificação da nacionalidade portuguesa de Patrick Drahi, fundador e atual dono da Altice, uma das maiores empresas de telecomunicações da Europa, que opra em Portugal na sequência da aquisição da então Portugal Telecom.

A atribuição de cidadania portuguesa a Roman Abramovich, proprietário do clube de futebol inglês Chelsea, resultou de um processo conduzido pela comunidade judaica do Porto no âmbito da Lei da Nacionalidade para os judeus sefarditas, que foram expulsos da Península Ibérica durante a Inquisição medieval.

A nacionalidade portuguesa permite a Abramovich movimentar-se livremente na União Europeia.

A informação da naturalização do multimilionário russo foi revelada no final de 2021 pelo jornal Público, que adiantou que o processo demorou apenas seis meses. De acordo com o diário, ao abrigo da Lei da Nacionalidade para os judeus sefarditas, Roman Abramovich é português desde 30 abril de 2021.

O processo de obtenção da cidadania portuguesa terá decorrido de forma mais rápida do que o habitual, o que levantou dúvidas. O líder da oposição a Vladimir Putin, Alexei Navalny, acusou então Portugal de receber subornos no âmbito do processo.

A Procuradoria-Geral da República confirmou em 19 de janeiro que a concessão da nacionalidade portuguesa ao empresário russo Roman Abramovich ao abrigo da Lei da Nacionalidade para os judeus sefarditas estava a ser alvo de uma investigação do Ministério Público.

  ZAP //

5 Comments

  1. Segundo recordo, a própria lei que regula a atribuição de nacionalidade nestes casos é extremamente frágil, pois faz depender a aprovação da nacionalidade dum simples parecer positivo da organização judaica, sem qualquer verificação adicional pelo Estado. Ou seja, para a nacionalidade ser atribuída basta que certa instituição privada diga que sim. Se efectivamente é isto que a lei diz, julgo que o próprio processo de elaboração da lei devia ser investigado!

    • Neste país tudo serve para naturalizar estrangeiros desde o mais pobre ao mais rico. Já nem falo da aberração dos Vistos Gold. Máfias autênticas e leis ad-hoc.

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