Casal lésbico agredido em Londres por ter recusado beijar-se para entreter grupo de homens

Na noite de 30 de maio, perto da zona de Camden, no norte da capital britânica, um casal lésbico foi agredido por um grupo de homens quando recusou beijar-se para seu entretenimento.

As duas mulheres não quiseram esconder nem o caso nem as próprias feridas e colocaram a história, e as fotos dos rostos e roupas ensanguentadas, nas redes sociais.

“Quando se sentaram no andar de cima do autocarro foram abordados por um grupo de quatro pessoas que começaram a fazer comentários homofóbicos“, disse a polícia em comunicado, citado pelo Expresso. “As mulheres foram atacadas, receberam vários socos cada uma e foram roubadas: uma mala e um telemóvel desapareceram durante o tumulto”. A polícia acrescentou que várias pessoas foram detidas.

Uma das mulheres, Melania Geymonat, uruguaia de 28 anos, contou a história, com detalhes, no Facebook: “Não me lembro se já estavam lá ou se foram atrás de nós. Devemos ter-nos beijado ou assim e vieram ter connosco. Havia pelo menos quatro homens. De repente, começaram a comportar-se como hooligans, exigindo que nos beijássemos para que pudessem ver, gritando lésbicas e descrevendo posições sexuais”.

English & Español, against CHAUVINIST, MISOGYNISTIC AND HOMOPHOBIC VIOLENCE / En contra del MACHISMO, MISOGINIA Y…

Publicado por Melania Ps em Quarta-feira, 5 de junho de 2019

“No autocarro só estávamos nós e eles. Na tentativa de acalmar as coisas, comecei a fazer piadas, pensando que isso os poderia acalmar um pouco. A Chris até fingiu que estava doente, mas continuaram com o assédio, atiraram-nos moedas. Estavam cada vez mais entusiasmados com a situação”.

“Quando dei por mim a Chris estava no meio do autocarro a lutar com eles. Saltei do banco num impulso e fui lá, apenas para encontrar o rosto dela cheio de sangue e três dos homens a baterem-lhe. Logo depois começaram a bater-me também. Fiquei tonta quando vi o meu sangue e caí. Não me lembro se perdi ou não a consciência”.

“De repente, o autocarro parou, a polícia estava lá quando acordei e eu tinha sangue por todo o lado. As nossas coisas tinham sido roubadas. Não sei se parti o nariz, não consegui voltar ao trabalho, mas o que mais me irrita é que a violência tornou-se uma coisa comum, e às vezes é necessário ver uma mulher a sangrar depois de ter sido espancada para conseguirmos algum tipo de impacto na sociedade.”

“Estou cansada de ser considerada um objeto sexual, de descobrir que estas situações são comuns, de amigos gays que foram espancados só porque sim. Temos de suportar o assédio verbal e violência chauvinista, misógina e homofóbica, porque quando tentamos defender-nos coisas assim acontecem.”

Esta sexta-feira, os números de partilhas deste relato estava nos 11 mil e mais de seis mil pessoas tinham comentado a fotografia de Melania. Um das reações condenatórias veio do presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, que escreveu no Twitter: “Este é um ataque horrível e misógino. Crimes de ódio contra a comunidade LGBT+ não serão tolerados em Londres”.

ZAP //

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