Carlos Ghosn. “Não escapei à justiça, tive de fugir à injustiça”

WEF / Flickr

Carlos Ghosn, Chairman e CEO da Renault-Nissan Alliance

O antigo presidente da aliança Renault-Nissan deu, esta quarta-feira, a sua primeira conferência de imprensa desde a fuga do Japão, a partir do Líbano.

Carlos Ghosn apareceu em público, pela primeira vez, depois de fugir do Japão no final de dezembro. Durante a conferência de imprensa em Beirute, capital do Líbano, o ex-presidente da aliança Renault-Nissan rejeitou as acusações de má conduta financeira e disse estar a sofrer uma perseguição política.

“Não fugi da Justiça, mas da injustiça e perseguição política no Japão”, disse Ghosn, citado pela Deutsche Welle, sublinhando que está a dar a cara para “limpar o seu nome”. “As acusações contra mim não têm nenhuma base”, acrescentou.

O ex-executivo franco-brasileiro, de 65 anos, que enfrenta quatro processos no Japão, denunciou o “conluio entre a Nissan e os procuradores”. Na sua opinião, a sua prisão está relacionada com a fusão que estava a levar a cabo entre a Renault e a Nissan.

“Havia pessoas do lado japonês que achavam que a única forma de terem mais autonomia na Nissan era livrarem-se de mim”, afirmou o gestor, citado pelo semanário Expresso.

Ghosn afirmou que a destruição da sua imagem foi “o resultado de um punhado de indivíduos sem escrúpulos e vingativos na Nissan”, numa campanha de difamação. Mas também apontou o dedo aos media, afirmando ser alvo de “ataques vergonhosos e contínuos, orquestrados por promotores japoneses e executivos da Nissan”.

O empresário declarou que fugir do Japão foi “a decisão mais difícil da sua vida”, mas que o fez para “se proteger da impossibilidade de um julgamento justo nos tribunais japoneses”. “Cheguei à conclusão que fugia ou morria no Japão”, afirmou aos jornalistas.

Ghosn, que tem nacionalidades brasileira, francesa e libanesa, foi detido em Tóquio a 19 de novembro de 2018 por suspeita de abuso de confiança e evasão fiscal, crimes pelos quais podia enfrentar longas sentenças de prisão no Japão.

Depois de ter estado detido vários meses, o empresário foi libertado em março de 2019, após o pagamento de uma caução. No início de abril, foi novamente detido e outra vez libertado sob caução. Desde então, estava em prisão domiciliária e proibido de deixar o país enquanto aguardava julgamento.

A notícia da sua fuga apanhou de surpresa as autoridades nipónicas. Neste momento, Ghosn está em Beirute, numa casa de família, na companhia da sua mulher, Carole, de origem libanesa, que também se tornou alvo de um mandado de prisão no Japão.

O empresário terá usado um avião particular com destino à Turquia, desembarcando depois no Líbano. Ghosn agradeceu às autoridades libanesas por “não terem perdido a fé” nele, afirmando ser um “refém” de um país ao qual dedicou toda a sua vida profissional.

ZAP //

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