Corrida contra o tempo. O Canadá luta há mais de 20 anos para deportar o último nazi do país

Centre for Israel and Jewish Affairs

Helmut Oberlander

Helmut Oberlander trabalhou num campo de concentração nazi durante a Segunda Guerra Mundial, sendo que quando esta terminou o alemão quis recomeçar a sua vida no Canadá. Agora, o país quer expulsá-lo.

Com o final da 2ª Guerra, Oberlander e a sua esposa decidiram ir viver para Waterloo. Na cidade, o casal recomeçou uma nova vida e em em 1960 conseguiu alcançar a cidadania canadiana. Contudo, décadas depois o passado vem esmorecer tudo que construíram.

Ao descobrir que o homem tinha servido o exército nazi, ao trabalhar como intérprete, o país retirou-lhe a cidadania canadiana há 20 anos, altura que se percebeu que Oberlander tinha ocultado as suas atividades das autoridades de imigração.

Atualmente, as autoridades canadianas ainda se encontram numa corrida contra o tempo para deportar o homem de 97 anos, cujo caso de remoção é o último que data da Segunda Guerra Mundial.

Agora, a batalha legal de Oberlander entra numa nova fase. O Tribunal Federal do Canadá vai realizar uma audiência para encerrar o processo de deportação devido a um “abuso de processo”.

Ainda assim, Oberlander afirma que foi recrutado pelo exército nazi, mas nunca matou ninguém. Alega que simplesmente realizava tarefas básicas como engraxar as botas dos oficiais e garante que nunca foi acusado de nenhum crime. Porém, quando entrou no país omitiu o seu passado.

Oberlander, de origem alemã, nasceu no sudeste da Ucrânia. É fluente em alemão, russo e ucraniano, e tinha 17 anos quando se tornou intérprete do Einsatzkommando 10a, um subgrupo dos esquadrões da morte Einsatzgruppen, em 1941.

Já em 1970, o homem tinha sido questionado por oficiais alemães em Toronto numa investigação de crimes de guerra, mas referiu que não sabia o nome da unidade onde tinha trabalhado ou que esta era responsável pela execução de judeus.

Em 2000, o Tribunal Federal do Canadá definiu que não havia evidências de que o homem tinha participado nas atrocidades, mas era “implausível” que não soubesse o nome do esquadrão.

Assim, as autoridades descobriram que Oberlander obteve a cidadania canadiana “através de falsa representação ou por ocultar conscientemente as circunstâncias materiais”.

O gabinete federal revogou a cidadania de Oberlander em 2001, 2007 e 2012. No entanto, o homem conseguiu recorrer dessas decisões. Em 2017, o gabinete revogou a cidadania de pela quarta vez, mas esta foi mantida.

Segundo o The Washington Post, os críticos dizem que o esforço inicial, e muito atrasado, para deportar Oberlander ilustra o fraco histórico do Canadá de responsabilizar as atrocidades do século XX.

O Canadá substituiu sua lei de crimes de guerra em 2000. Atualmente, o seu programa concentra-se em conflitos contemporâneos.

O Departamento de Justiça disse ao jornal norte-americano que o programa estava a mostrar sinais de “dificuldades financeiras”, afetando assim a sua capacidade de levar a cabo processos judiciais, o que pode justificar todo o atraso no caso de Oberlander.

Na Alemanha, desde 2011 os oficiais nazis de baixo escalão são processados, mesmo que não existam evidências diretas a assassinatos.

Ana Isabel Moura Ana Isabel Moura, ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Quangto fanatismo e ódio que o marxismo cultural, fomenta nos paises pseudo-democratas. Entretanto, andam de braço dado com o maior criminoso e genocida do mundo, o regime (democrata?) chinês, o qual só à fome em finais dos anos 50, matou mais de 50 milhões de pessoas.

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