Camionistas brasileiros pedem golpe militar para derrubar Governo

António Lacerda / EPA

Apesar de Michel Temer ter cedido perante quase todas as exigências do setor, a greve dos camionistas brasileiros continua a imobilizar o Brasil.

Durante os últimos dias, as cidades brasileiras sobreviveram paralisadas. Desde a falta de abastecimento a hospitais, supermercados e bombas de gasolina, bloqueio das principais vias e dezenas de voos cancelados, o Brasil continua a viver um verdadeiro caos. Esta terça-feira, ainda que com menor intensidade, os protestos mantiveram-se.

Na quinta-feira e no domingo, Michel Temer ofereceu aos camionistas dois pacotes de benesses, sendo que o último incluía a redução do preço do gasóleo em 0,46 reais po litro pelo prazo de 60 dias, uma queda correspondente a 12%. A par disso, propôs também que a revisão do preço fosse feita mensalmente, e não diariamente.

Como Temer deu o braço a torcer e cedeu nos principais focos de descontentamento dos camionistas, o Presidente mostrava-se perfeitamente convencido, na segunda-feira, de que a greve estaria prestes a terminar. E a verdade é que as primeiras reações dos sindicatos e associações de camionistas pareciam dar razão a Temer.

José da Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Camionistas, chegou a anunciar o fim da greve depois do acordo alcançado. No entanto, não só não terminou, como os protestos aumentaram em alguns locais, avança o Público. Fonseca Lopes explicou depois que já não eram os camionistas que estavam na rua, mas sim “intervencionistas que querem derrubar o Governo“.

O que acontece é que muitos dos manifestantes não se deram por satisfeitos com as cedências de Temer, e aproveitaram para aumentar as suas exigências. Além das reivindicações mais profundas, muitos pediam uma intervenção militar para derrubar o Governo de Temer, que garantiu não haver qualquer ameaça de que isso possa acontecer.

“Além de tudo, temos a esperança de que alguém do Exército tome a decisão de tomar conta do país. Já não é só o diesel e as portagens, é a questão política”, diz Álvaro Neto ao El País Brasil, um mecânico de 37 anos que saiu à rua em apoio aos camionistas.

Desde que o acordo foi alcançado, no domingo passado, já não é possível identificar nas ruas a liderança dos protestos, sendo que muitas das ações são consideradas espontâneas e autónomas.

Ainda assim, o Palácio do Planalto identificou três movimentos políticos que se infiltraram nos protestos: “Intervenção militar já”, “Fora Temer” e “Lula Livre”, refere o Estadão. À medida que as presidenciais se aproximam (marcadas para outubro), a pressão sobre Michel Temer aumenta exponencialmente.

Esgotaram-se os recursos, diz Temer

Michel Temer afirmou, esta terça-feira, que o Governo esgotou todos os recursos para atender às exigências dos camionistas e espera uma “situação normalizada” nos próximos dias. Apesar do novo acordo, a greve continua em todo o país, comprometendo o abastecimento de combustível e de alimentos.

“Esprememos todos os recursos governamentais para atender as reivindicações legítimas dos camionistas e para não prejudicar a Petrobras. A esta altura, não temos mais como negociar, não temos mais o que dar”, declarou Temer à televisão estatal.

O Presidente sublinhou ainda ter feito “o possível” e disse acreditar que a situação estará normalizada até esta quarta-feira.

Numa nota divulgada à imprensa, a Confederação Nacional dos Transportadores Autónomos (CNTA) considerou a paralisação, iniciada a 21 de maio, um êxito e adiantou que se os camionistas não voltarem ao trabalho “tudo o que foi conquistado corre o risco de se perder”.

No balanço desta terça-feira, oito aeroportos continuam sem combustível e vários hospitais anunciaram a falta de material para cirurgias e tratamentos médicos especializados.

Os centros de abastecimento de cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo começaram a receber algumas frutas e verduras e os transportes públicos voltaram lentamente ao normal. O transporte público operou em quase 70% e as escolas e universidades já abriram portas.

ZAP // Lusa

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