Bruxelas coloca Portugal sob vigilância apertada

European Parliament / Flickr

Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros

Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros

A Comissão Europeia anunciou esta quarta-feira que, no quadro das análises feitas no contexto do semestre económico, decidiu colocar cinco Estados-membros, entre os quais Portugal, sob “monitorização específica”, por desequilíbrios económicos excessivos.

“Concluímos que cinco países, França, Itália, Croácia, Bulgária e Portugal apresentam desequilíbrios excessivos que exigem ação política decidida e monitorização específica”, anunciou o comissário dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici.

Numa conferência de imprensa convocada à última hora – a divulgação do “pacote económico de inverno”, que dá seguimento ao relatório do mecanismo de alerta de novembro passado, estava prevista apenas para sexta-feira -, o comissário explicou que Portugal foi colocado no grupo de países com desequilíbrios excessivos sobretudo devido à sua elevada dívida.

“Em Portugal, apesar de progressos consideráveis durante a implementação do programa de assistência, permanecem riscos importantes ligados aos níveis elevados de dívida, tanto internamente como externamente, e alto desemprego, e por isso que concluímos que Portugal também deve ficar na categoria de desequilíbrios excessivos”, justificou Moscovici.

A 28 de novembro passado, por ocasião da divulgação do seu “relatório de mecanismo de alerta”, a Comissão já apontara Portugal como um dos 16 Estados-membros da União Europeia que necessitava de “análises minuciosas” à acumulação e à correção dos desequilíbrios macroeconómicos.

Na primeira vez em que foi incluído neste exercício, que visa identificar precocemente potenciais desequilíbrios que possam comprometer o desempenho das economias nacionais, da zona euro ou da UE no seu todo – pois antes estava sob programa de assistência -, Portugal foi integrado uma lista de países que Bruxelas indicou que iria seguir atentamente, juntamente com Bélgica, Bulgária, Alemanha, Irlanda, Espanha, França, Croácia, Hungria, Holanda, Roménia, Eslovénia, Finlândia, Suécia e Reino Unido.

Hoje, a Comissão procedeu então a uma nova análise, apontando que, destes 16 países, decidiu passar à fase seguinte dos procedimentos nos casos de França (para a etapa 5, numa escala de 6), Alemanha (para a fase 3) e para a Bulgária (para a escala 5), abrindo ainda o procedimento por desequilíbrios macroeconómicos para Portugal e Roménia.

As recomendações do executivo comunitário deverão ser analisadas pelo Conselho Ecofin (ministros das Finanças da UE) na sua próxima reunião de março, apontando a Comissão que em maio voltará a apresentar um novo pacote de recomendações específicas por país, já com base também nos programas nacionais de reformas que os Estados-membros devem apresentar até meados de abril.

/Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Essas bestas em vez de vigilância apertada deviam era dar uma receita que funcione para a crise, já se viu que a política de austeridade não resulta só leva à contracção da economia, com a consequente agravante da redução do investimento. empobrecimento dos país e do seu povo. Só uma besta quadrada não vê a realidade dos factos que os números provam, não é preciso ser um nóbel da economia, basta não ser acéfalo….

  2. Concordo inteiramente com os 2 comentários acima, mas pff., Jorge Neves, não lhes chame bestas. As bestas não merecem tamanha comparação! Quem lhes dava vigilância muuuuito apertada a estes politiqueiros..era eu!

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