Bruxelas ameaça avançar com Fundo de Recuperação sem Hungria e Polónia

John Thys / EPA

Ursula Von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia

A Comissão Europeia (CE) está a perder a paciência e, caso não haja progressos nas negociações, ameaça avançar com o Fundo de Recuperação europeu sem a ‘luz verde’ da Hungria e da Polónia.

O ultimato foi feito pela presidente da CE, Ursula von der Leyen numa videochamada, esta quarta-feira, com o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, avança o POLITICO.

Os dois países exigem alterações de fundo ao mecanismo que liga a utilização dos fundos ao respeito pelo o Estado de direito e, portanto, vetaram os dois novos orçamentos europeus: o Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2021-2027 e o Fundo de Recuperação europeu. Ao todo, são 1,8 biliões de euros prontos a serem distribuídos pelos estados-membros entre 2021 e 2027.

A ideia de von der Leyen é avançar com a chamada ‘bazuca’, no valor de 750 mil milhões de euros, caso a Hungria e a Polónia continuem a mostrar-se relutantes em aprová-la.

Von der Leyen terá garantido a Sassoli que quer “salvar o fundo de recuperação” e que para isso poderá “propor o reforço da cooperação a 25”, adiantaram fontes parlamentares ao POLITICO.

Sem especificar a abordagem, um alto funcionário da Comissão Europeia disse que “soluções” alternativas, incluindo cooperação reforçada no âmbito da legislação da UE, poderiam ser postas em prática. A bola está, assim, do lado de Budapeste e Varsóvia.

Este avanço forçado dos 25 países, sem a Hungria e a Polónia, é um processo específico permitido pelos tratados da União Europeia para um grupo de países avançar se todos os 27 países não conseguirem chegar a um acordo. Os restantes países estão autorizados a aderir mais tarde, se assim o desejarem.

Como escreve o Expresso, a posição de Portugal é a de alinhar com os que não aceitam alterar o mecanismo de condicionalidade negociado entre a presidência alemã da UE, em nome dos 27, e o Parlamento Europeu. “São acordos concluídos e não podem ser reabertos”, disse o primeiro-ministro português, António Costa.

ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Valha-nos a Hungria e a Polónia para defenderem a Europa, países que têm sido alvo de bullying por Bruxelas e o seu conjunto de ignóbeis burocratas, alguns dos quais não eleitos, quando desafiam as “diretivas europeias”. Na UE, “Democracia” e “soberania nacional” não passam chavões aclamados hipocritamente por conveniência e bem parecer. Bruxelas não consegue esconder os seus tiques ditatoriais, à boa maneira socialista. Esperemos que nunca tenhamos os Estados Unidos da Europa e o Exército Europeu tão aclamado por Macron. Valha-nos a Hungria, Polónia, Áustria e esperemos que outras nações sigam o exemplo com a tendência de crescimento dos partidos conservadores.

    • “Valha-nos a Hungria, Polónia, Áustria e esperemos que outras nações sigam o exemplo com a tendência de crescimento dos partidos conservadores.”

      Eh pá… mas depois não podem andar a levar no pacote em Bruxelas!!!

  2. Sim, países onde a democracia não entra! Valha-me Deus!
    Entretanto todos que gostam tanto destes países livres e chegas podem mudar-se para lá.
    Depois fechamos as fronteiras com a Ungernia, a Antisemitónia e a Anschluss e toda gente ficará agradecido.

  3. A Hungria e a Polónia querem receber o dinheiro…..mas não querem ser fiscalizados, normal, querem gastar ou distribuir o dinheiro pelos compadres e que se lixe o povo…normal com governos daqueles

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