Uma em cada quatro brasileiras sofreu violência na pandemia

Mário Oliveira / SEMCOM

Uma em cada quatro brasileiras com mais de 16 anos sofreu algum tipo de violência durante a pandemia no ano passado, informou hoje uma sondagem do Instituto Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

A terceira edição deste levantamento, chamado “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil”, mostrou que 17 milhões de mulheres, ou seja, 24,4% do total de brasileiras, sofreram violência física, psicológica ou sexual em 2020.

Na comparação com o relatório do ano anterior, com dados sobre 2019, os investigadores notaram um recuo da percentagem de mulheres que relataram ter sofrido violência, mas dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 3 pontos para mais ou para menos (27,4% em 2019 e 24,4% em 2021), um cenário que eles apontam configurar estabilidade.

Os dados recolhidos pelo DataFolha indicam que 4,3 milhões de mulheres (6,3%) foram agredidas fisicamente com chapadas, murros ou pontapés no Brasil em 2020.

Isso significa dizer que a cada minuto, oito mulheres foram agredidas no Brasil durante a pandemia do novo coronavírus.

No entanto, o tipo de violência mais frequentemente relatado foi a ofensa verbal, como insultos e ofensas, forma de violência que atingiu cerca de 13 milhões de brasileiras (18,6%).

A sondagem também informou que 5,9 milhões de brasileiras (8,5%) relataram ter sofrido ameaças de violência física como chapadas, empurrões ou pontapés, cerca de 3,7 milhões (5,4%) sofreram ofensas sexuais ou tentativas forçadas de manter relações sexuais.

Além disso, 2,1 milhões de mulheres (3,1%) que vivem no Brasil relataram ameaças com faca (arma branca) ou arma de fogo e 1,6 milhões de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento (2,4%).

O levantamento mostrou que mais de metade dos brasileiros (51,1% da população) relataram ter visto uma mulher sofrer algum tipo de violência no bairro ou na comunidade onde moram.

“Em relação ao perfil, verifica-se que quanto mais jovem, maior a prevalência de violência, sendo que 35,2% das mulheres de 16 a 24 anos relataram ter vivenciado algum tipo de violência, 28,6% das mulheres de 35 a 34 anos, 24,4% das mulheres de 35 a 44 anos, 19,8% das mulheres de 45 a 59 anos e 14,1% das mulheres com 60 anos ou mais”, destacou a sondagem.

No que se refere ao perfil racial, mulheres negras experimentaram níveis mais elevados de violência (28,3%) do que as mulatas (24,6%) e as brancas (23,5%).

No que se refere à perceção social da violência, o levantamento indicou que pelo menos 73,5% dos brasileiros informaram acreditar que a violência contra as mulheres cresceu durante a pandemia de covid-19.

Para 44,4% dos entrevistados, o primeiro ano da pandemia de covid-19 no país significou também momentos de mais stress em casa e, neste ponto, as mulheres reportaram níveis mais altos de `stress` em função da pandemia (50,9% em comparação com 37,2% dos homens).

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo ao contabilizar 473.404 vítimas mortais e mais de 16,9 milhões de casos confirmados de covid-19.

// Lusa

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