Brasil deixa de divulgar número total de casos e óbitos por covid-19

Jair Bolsonaro tem sido acusado de totalitarismo e censura após o Presidente brasileiro ter ordenado o fim da divulgação do número total de casos e óbitos da pandemia de covid-19 no país.

O Governo brasileiro confirmou mudanças na divulgação dos dados consolidados sobre casos e mortes provocadas pela doença. O Ministério da Saúde brasileiro passou a relatar apenas o número de casos e de óbitos registados nas últimas 24 horas desde o final da semana passada.

Além da suspensão da divulgação de parte dos dados consolidados, o Presidente do país, Jair Bolsonaro, também confirmou que o Governo informará os números após as 22:00, horário local, muito depois dos horários em que os números eram divulgados.

A mudança na metodologia causou protestos em diferentes setores, que acusaram o Governo brasileiro de dificultar o acesso à informação quando a pandemia está a espalhar-se.

“A tentativa autoritária, insensível, desumana e anti-ética de tornar invisíveis os mortos pela covid-19 não terá êxito. Nós e a sociedade brasileira não vamos esquecê-los, nem a tragédia que atinge o país”, disse Alberto Beltrame, presidente do conselho nacional de secretarias estaduais de saúde do Brasil, em comunicado, citado pelo The Guardian.

O juiz do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes também reagiu através do Twitter, escrevendo que “a manipulação de estatísticas é manobra de regimes totalitários“.

Numa lista dos dados enviada aos jornalistas, o Ministério da Saúde brasileiro informou que o país registou um de um total de 37.312 mortes provocadas pela covid-19, dado que indicou um acréscimo de 1.382 óbitos nas últimas 24 horas. No sábado o país registou 35.930 mortes provocadas pelo vírus.

Já o site oficial do Governo brasileiro traz informações diferentes sobre a pandemia e indicava, numa atualização às 21h50 (horário local do domingo), a confirmação de 525 mortes causadas pela covid-19 no país em 24 horas. Ou seja, menos 857 mortes do que na lista enviada aos jornalistas.

Deste modo, o total de mortes confirmadas no Brasil em 24 horas seria de 36.500.

No que se refere ao número de infetados, a lista para os jornalistas informava um total de 685.427 casos confirmados da doença, dado que significou uma subida de 12.581 novos casos da doença no domingo.

No sábado, o total de casos segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde brasileiro indicava um total de 672.846 casos da doença.

Porém, no site oficial do Governo brasileiro lê-se 18.912 novos casos da doença em 24 horas. O Governo brasileiro não informa o total de casos no site, mas levando em conta os dados do sábado o país totalizaria 691.758 casos da doença, uma diferença de 6.331 em relação à lista distribuída aos jornalistas.

Em comunicado, o Ministério da Saúde brasileiro admitiu que o novo sistema precisa de melhorias e que o “objetivo é que, nos próximos dias, estejam disponíveis numa página interativa que possa trazer os resultados desejados”.

Embora o Brasil seja um dos locais mais afetados pela pandemia, milhares de pessoas saíram às ruas neste domingo para participar em protestos contra e a favor do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

Os protestos acontecem em pelo menos sete capitais, incluindo as cidades mais populosas do país, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

O Presidente brasileiro, que chamou de drogados e terroristas, os membros dos grupos que convocaram atos contra si, e chegou a pedir que seus apoiantes não fossem às ruas neste domingo, não comentou as manifestações.

Por volta do meio-dia, Bolsonaro saiu do Palácio da Alvorada, a sua residência oficial, e conversou com pessoas que estavam do lado de fora.

Na conversa, transmitida nas redes sociais, o chefe de Estado falou sobre economia, disse que uma onda enorme de desemprego está a caminho do país e declarou que a culpa por este problema não pode ser atribuída ao seu Governo.

Para o Presidente brasileiro, o desemprego é culpa dos prefeitos e governadores que decretaram medidas de isolamento social para conter a pandemia e, com isto, paralisaram a economia do país.

ZAP // Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. Que pena o Covid não ferrar o espeto neste gajo, levando-o para o 5º dos infernos. Oxalá um bolsonarista qualquer se esqueça de lavar as mãos depois de ir ao banheiro e lhe dê um aperto de mão bem besuntado.

  2. Por muito menos impugnaram o Collor de Mello e a Dilma. Este canalha tem rédea solta para assassinar o povo brasileiro e ninguém lhe põe travão?!

  3. Claro… divulgar para quê?
    É tudo vontade de Deus e não vale a pena estar a perder tempo com informação… muito menos a questionar!…

  4. A solução contra este Ditador está nas mãos do Povo Brasileiro que votou nele. A triste realidade do Continente Americano (Norte e Sul) é evidente. Governos nas mãos de Ditadores criminosos !

  5. Existem relatos de que estão morrendo 9 pessoas de insuficiência respiratória para cada um que morre de covid, em algumas capitais brasileiras. Ou seja, o numero de mortos por esta doença, em algumas cidades, é muito maior. É possível que o Brasil já seja o pais com maior numero de mortos por está enfermidade e é tudo omitido. Grande parte da população simplesmente ignora a gravidade situação e mantém a vida dentro de uma relativa normalidade. Mas para outros o completo descaso por parte do governo federal, que condena milhares à morte, está tornando a situação desesperadora. Não parece haver saída, a não ser mais sedo ou mais tarde ser contaminado e, esperar pela sorte de ter sintomas. Parece não haver pessoas com um mínimo de bom senso e influência que sejam capazes de fazer algo e minimizar esta calamidade que está a assolar o Brasil. Muito provavelmente em proporções muito maiores do que no resto do mundo.

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