Bill Gates previu várias vezes uma pandemia. E sabia que o mundo não estava preparado

Thomas Hawk / Flickr

O milionário Bill Gates, fundador da Microsoft

Embora para muitos a pandemia de coronavírus pareça ter surgido do nada, há anos algumas pessoas vêm a alertar sobre uma epidemia global e o facto de o mundo não estar preparado. Um desses casos é Bill Gates, fundador da Microsoft.

Como noticiou o Fast Company, em janeiro de 2010, Gates fez uma análise no seu blog sobre a H1N1 – pandemia que iniciou no México em março de 2009. “A história real não é como o H1N1 era mau. A história real é que temos sorte de não ter sido pior porque estávamos quase completamente despreparados”, indicou.

Na altura, referiu-se ao surto como um “alerta” para investir nas capacidades para rastrear e gerir uma epidemia mortal, “porque mais epidemias ocorrerão nas próximas décadas e não há garantia de que teremos sorte da próxima vez”.

Quatro anos depois, numa conferência anual do TED, em Vancouver, Canadá, em meio à epidemia do Ébola, Gates falou sobre para a próxima doença mortal, numa palestra intitulada “O Próximo Surto? Não estamos prontos”. “Se algo matar mais de 10 milhões de pessoas nas próximas décadas, é mais provável que seja um vírus altamente infecioso do que uma guerra”, afirmou.

Segundo referiu então, esse vírus pode agir de forma a que a pessoa, já infetada, se sinta suficientemente bem para entrar em aviões ir ao mercado, prevendo um dos factores que tornam o COVID-19 tão perigoso.

Volvido um ano, em 2016, numa entrevista à BCC, Gates indicou que espera para que “uma epidemia como uma grande gripe” não ocorresse nos próximos 10 anos, devido à vulnerabilidade do mundo. As crises do Ébola e do Zika mostraram que os sistemas globais de resposta a emergências não eram suficientemente fortes.

No ano seguinte, durante a Conferência de Segurança de Munique – encontro anual sobre política de segurança internacional -, Gates começou o discurso afirmando que os “nossos mundos estão mais ligados do que a maioria das pessoas imagina”, o que isso significa que a segurança na saúde e a segurança internacional estão interligadas.

Os epidemiologistas, observou, concluíram que um agente patogénico transportado pelo ar poderia matar mais de 30 milhões de pessoas em menos de um ano, algo que poderia ocorrer nos próximos 10 a 15 anos. “Preparar-se para uma pandemia global é tão importante quanto a dissuasão nuclear ou evitar uma catástrofe climática”, sublinhou.

Em abril de 2018, numa palestra da Sociedade Médica de Massachusetts, Gates referiu que, embora a vida continue a melhorar para a maior parte do mundo, “existe uma área em que não está a progredir muito: a preparação para uma pandemia”. “Se a História nos ensinou alguma coisa, é que haverá outra pandemia global mortal”, frisou.

Gates acrescentou que o surto de Ébola em 2014 foi um alerta. “O mundo precisa se preparar para as pandemias da maneira como os militares se preparam para a guerra”, destacou. Na mesma altura, reiterou à Stat a sua preocupação.

A Fundação Bill & Melinda Gates financiou vários pesquisas voltadas para o desenvolvimento de novas vacinas para prevenir uma gripe pandémica. A fundação investiu também na Coalition for Epidemic Preparedness Innovations, uma coaligação internacional lançada em Davos em 2017, chegando mesmo a elaborar um plano para impedir o próximo surto, para o qual provou-se que não estávamos preparados.

ZAP //

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18 COMENTÁRIOS

    • Imagine que era milionário devido a ter fundado uma empresa tecnológica de sucesso.
      Imagine que se reformava dessa empresa, com milhões e milhões, e que decide investir muitos desses milhões em investigação para tratar doenças, como por exemplo a Malária.
      E depois, numa qualquer notícia online, vê um ignorante qualquer a espalhar notícias falsas, dizendo exatamente o contrário.
      Como se sentiria? Consegue imaginar?

      • a sua ignorância é que me parece enorme.

        vá lá estudar como é que esse sr ganhou a fortuna que tem hoje, não foi pela boa ética empresarial por certo.

        recomendo que olhe para a história da microsoft, do CP-M do qual nasceu o ms-dos, do OS2 e especialmente do BeOS e por fim para os documentos que vieram a público dos diversos ataques ao software livre e Linux por parte dessa personagem, como por exemplo os “The Halloween Documents”.

        recomendo ainda a leitura deste livro, “Assalto Planetário – A face oculta da microsoft” ou ainda este artigo “A brief history of how Microsoft became a monopoly”, ou deste “What’s So Bad About Microsoft?”.

        por fim e relativo ao modo como este sr emprega os biliões que tem, não nos podemos esquecer que vem de uma família de eugenistas e que não tem qq problema em investir nas mais poluidoras industrias do planeta, depois aparecendo como santinho e muito preocupado, ver artigo “Dark cloud over good works of Gates Foundation”.

        relativo a esta situação em que nos encontramos, num outro TED este sr diz que com vacinas se pode reduzir a população mundial, ou ainda que por coincidência por certo, a sua fundação semanas antes do que estamos hoje a viver fez a simulação de uma pandemia por coronavirus no EVENT 201, coincidência por certo.

        no fundo a pseudo filantropia deste sr é fazer ainda mais biliões através da bigpharma e das suas vacinas especialmente aproveitando-se destes casos e ao mesmo tempo fazendo justiça à história da sua família de eugenistas, ajudar ao despovoamento do planeta…..e agora não falta ajuda com os terroristas das pseudo alterações climáticas todos felizes por uns quantos milhares ou milhões irem morrer.

        • Não está totalmente errado quanto à forma como a Microsoft cresceu, embora não esteja totalmente correto. E escrevo-lhe isto como alguém que usa Linux (Ubuntu neste caso), e que instala e sugere Linux e software aberto sempre que pode, a todos os familiares e amigos. Portanto esse “vá lá estudar” é no mínimo pretensioso e fiquemos por ai. Quanto ao resto, “eugenias”, “big pharmas” e tudo o mais, puras teorias da conspiração de alguém que, no mínimo, tem pouca noção da realidade. Reforço o que diz o Carlos P.: “bastou um conspiranoico ser atacado para vir outro na sua defesa”.
          Tenha um bom dia.

          • O problema do Linux é precisamente ser open-source. Resultado: não há ninguém com uma máquina de vendas e marketing por trás a trazer developers para a plataforma, logo, não há software, não há jogos, faltam drivers, por aí fora. Não há ninguém a fazer acordos com fabricantes de hardware para garantir que tudo o que é portátil vem com Linux. Resultado: só quem tem conhecimentos de Informática se põe a instalar Linux. Em tempos cheguei a instalar Linux Mint no computador da minha mulher. Foi uma chatice. Mas pronto, é a minha opinião. Pessoalmente, nunca usaria Linux. Para trabalho, não tem as aplicações corporativas que qualquer grande empresa utiliza. Para lazer, não tem jogos.

            • Estamos a sair um pouco do tópico, mas essa situação que refere era a realidade há 20 anos atrás. Neste momento:
              – Existem drivers para tudo e mais alguma coisa, regra geral automaticamente detetados. Muito raro mesmo algo não funcionar em Linux out of the box.
              – Jogos? No Steam mais de metade dos jogos têm suporte nativo para Linux, e a outra metade corre no Proton, um layer transparente para Linux que vem no Steam. Para não falar que o Stadia (google it) corre em Linux.
              – Várias marcas vendem e fazem bastante dinheiro a vender portáteis com Linux, como por exemplo a Dell. Obviamente que em número muito inferior ao Windows.
              – Praticamente todas as pessoas a quem instalei Linux nunca mais quis outra coisa. Super rápido, sem vírus e sem chatice.
              – Software que nunca mais acaba para todo o tipo de produtividade, 99% das vezes aberto e gratuito.
              Existem problemas? Claro. Não mais do que em Windows e Mac, e provavelmente muito menos.
              Dito isto, esta é daquelas discussões que podemos ter durante muito tempo, aceito a sua opinião, acho que está errada mas aceito, e deixo aqui a minha.
              Cumprimentos

    • Estás enganado.

      Os Velhos do Restelo são os conspiracionistas militantes e profetas da desgraça que andam por aqui nos comentários a escrever parvoíces e a divulgar notícias falsas no Fakebook. Só nesta notícia encontras logo uns quantos.

  1. Bill Gates não previu nem prevê coisa nenhuma, porque toda a gente já sabia que cada 100 anos há em regra uma pandemia. O termo “reviu” aqui está mal aplicado. Ele constatou que era cíclico e estava eminente. Grande adivinho das estrelas!..

    • Não estás a ver bem a coisa.
      Se o Gates previu porque constatou que era cíclico (coisa que nem toda a gente constatou), fez exatamente isso: uma previsão, baseada no reconhecimento de um padrão (que nem toda a gente reconheceu).
      Ora isso é o contrário do que fazem os “adivinhos das estrelas”, que, pareidolias à parte, fazem adivinhações fortuitas sem qualquer fundamento – daqueles fundamentos que importam, ou seja, que depois os outros vêm dizer “ah grande coisa, toda a gente já sabia disso”.

  2. Eu também farei aqui uma série de profecias que estou certo serão realizadas, nem que seja daqui a muitos séculos:
    – A água acabará um dia
    – O planeta será destruído
    – O sol morrerá
    – A humanidade irá terminar na terra
    – Haverá mais guerras mundiais
    – Londres a Nova Iorque será possível em 15 minutos
    – O homem vai poder viver 200 anos
    – O sporting vai ser campeão
    – Nenhum de nós estará cá para ver alguma das anteriores… nem mesmo a do sporting 🙂

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