Bife criado em laboratório pode resolver um grande problema (mas tem um pequeno senão)

Cientistas criaram um bife em laboratório com a mesma textura que um bife real e com uma maior resistência microbial. O único problema é que não é comestível.

Através de ciência regenerativa usada no desenvolvimento de medicamentos e da recolha de células de bovino, cientistas no Japão garantem que o seu novo bife não só tem uma textura semelhante a um bife real, como também permanece livre de bactérias por um período muito mais longo. O que pode, potencialmente, ajudar a reduzir o desperdício de comida.

O único problema até agora? O bife não é comestível.

Carne desenvolvida em laboratórios procura preencher uma lacuna deixada pelas alternativas à base de plantas no que toca à demanda global de alimentos. Esta carne artificial não só esfumaça as preocupações éticas com a indústria da produção de carne como também reduz os seus efeitos ambientais, escreve o portal Inverse.

Alternativas à carne real vinda de animais não são uma novidade. Algumas inovações estão por aí há mais de uma década e têm vindo a crescer gradualmente. Ainda assim, há muitos obstáculos a superar antes de ter um produto que substitua a todos os níveis um clássico bife de vaca.

“Como os tecidos musculares de cultura bovina construídos usando estes métodos são pequenos em tamanho, estes tecidos podem [apenas] ser usados como carne picada”, escrevem os autores, explicando as deficiências de tentativas de estudos anteriores.

Para conseguir uma textura semelhante à carne real, a equipa de investigadores apostou num tipo de desenvolvimento de tecido regenerativo usado na indústria farmacêutica. Aplicando choques elétricos suaves, os cientistas conseguiram estimular a maturidade e atingir a textura procurada.

 

Furuhashi et al. / NPJ Science of Food

Comparação entre a carne desenvolvida em laboratório (em cima), antes e depois de cozinhada, com carne real disponível comercialmente.

Para dar à carne artificial um tom mais natural, injetaram tinta vermelha. Foram precisos 14 dias para a carne criada em laboratório atingir a maturidade. Os resultados do estudo foram publicados esta semana na revista Science of Food.

Apesar de preencher os requisitos na textura, a carne artificial deixava a desejar noutros critérios. Enquanto a carne natural perdeu apenas 40% do seu peso ao ferver na frigideira, a amostra desenvolvida em laboratório perdeu uma percentagem estonteante de 90% de peso.

A carne também não é, para já, comestível, devido aos materiais artificiais usados para manter a amostra de tecido unida. Todavia, como contrapartida, tem uma maior resistência microbial.

Daniel Costa, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

    • Possivelmente um bug a ser comercializado como feature. Resta saber se derivou dos tais materiais não consumíveis que foram injetados para preservar a consistência.

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