Benfica 0-1 Braga | “Guerreiros” apagam a luz de líder em crise

A última vitória do Braga no reduto do Benfica para o campeonato tinha sido na longínqua época 1954/55. Pois bem, neste sábado, 15 de Fevereiro de 2020, os “guerreiros” foram estóicos e “apagaram” a luz num dos duelos mais esperados desta 21ª Jornada da Liga NOS.

Desde que assumiu as rédeas da equipa, Rúben Amorim já venceu em duas ocasiões o FC Porto e o Sporting, e derrotou desta feita os comandados de Bruno Lage. Ao todo são oito triunfos e um empate.

Por seu turno, sem vencer há três partidas consecutivas – duas para a Liga NOS e outra diante do Famalicão, na Taça -, os campeões nacionais podem desperdiçar a almofada de pontos que tinham há pouco mais de uma semana. Caso vençam este domingo em Guimarães, os “dragões” poderão ficar a apenas um ponto dos “encarnados”.

O jogo explicado em números

  • Weigl em detrimento de Florentino – que acabou na bancada – foi a única alteração feita por Bruno Lage relativamente ao duelo de terça-feira, relativo à segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal contra o Famalicão (1-1).
  • Do “onze” do Braga, Rúben Amorim promoveu três mudanças, se tivermos em conta o duelo da última ronda ante o Gil Vicente (2-2). Saíram Bruno Viana (castigado), André Horta e Trincão, ambos por opção, e entraram Raúl Silva, Fransérgio e Galeno, respectivamente.
  • Início de jogo feito em alta rotação. Os “arsenalistas” assumiam as despesas, com mais posse de bola – 60% contra 40% -, e iniciativas ofensivas, mas pertenceram às “águias” as primeiras duas ocasiões mais claras.
  • Ao minuto seis, Rafa isolado perante Matheus, e após ter deixado David Carmo e Wallace pelo caminho, atirou ao lado, naquele que foi o primeiro remate do encontro. Três minutos volvidos, Taarabt fez uma jogada “à Zidane”, assistiu Carlos Vinícius que não conseguiu marcar, atirando às malhas laterais. Aos 12 minutos, Cervi “roubou” a bola a Wallace mas não conseguiu desatar o nó.
  • Endiabrado, Taarabt ia gizando e carburando as acções ofensivas dos campeões nacionais. O médio marroquino, aos 33 minutos, não tinha nenhum passe falhado em 17 tentativas, tinha sofrido uma falta, cometido outra, havia acertado quatro dos seis dribles tentados e tocado na bola em 29 ocasiões.
  • Numa jogada bem orquestrada, Ferro descobriu Pizzi no flanco direito, o capitão cruzou com as coordenadas certas para Carlos Vinícius que, em óptima posição, cabeceou por cima do alvo. Dos quatro remates do Benfica, nenhum levou a direcção da baliza contrária. Na resposta, Fransérgio, na pequena área, foi travado por Vlachodimos.
  • Estava dado o aviso. Na sequência de um canto cobrado por Sequeira, João Palhinha ganhou nas alturas a Ferro e “fuzilou” as redes “encarnadas”. Estava inaugurado o marcador já em período de descontos. Foi o quarto golo do médio esta temporada e o segundo nesta edição da Liga NOS.
  • Duelo intenso e bem jogado. O Braga começou mais “mandão”, com mais posse de bola, contudo sem criar situações de perigo, mas paulatinamente os “anfitriões” foram ganhando confiança e desperdiçando algumas oportunidades, mormente através de um desinspirado Carlos Vinícius. Como quem não marca, sofre, num dos últimos lances da primeira metade João Palhinha congelou a Luz e colocou os forasteiros na frente do marcador. Palhinha era o melhor em campo ao intervalo, com um GoalPoint Rating de 6.3, muito graças ao cabeceamento certeiro do camisola 60.
  • Aos 49 minutos, apenas o poste esquerdo da baliza de Matheus susteve o “míssil” que saiu do pé canhoto de Carlos Vinícius. Na resposta. Paulinho, em zona frontal, ameaçou o 2-0 com um tiro perigoso.
  • Vlachodimos voltou a dizer presente quando susteve um remate de Fransérgio ao minuto 57. Pouco depois, Rafa em excelente posição optou pelo passe para Vinícius, quando poderia ter visado o alvo.  
  • Aos 65, Trincão centrou de letra e Paulinho atirou para defesa segura do guardião grego. Quatro minutos depois, Pizzi tirou tudo e todos da frente e apenas foi parado pelos reflexos de Matheus, naquele que foi o primeiro remate – em oito tentativas – enquadrado do Benfica na partida.
  • Num lance quase todo feito ao primeiro toque a 14 minutos dos 90, Ricardo Horta atirou e valeu Vlachodimos, que com uma excelente intervenção negou o segundo tento aos “guerreiros”. Com mais critério, o Braga ia gerindo os vários momentos do encontro, aproveitando a falta de organização contrária.
  • À semelhança do que ocorreu na jornada anterior no Dragão, Bruno Lage voltou a insistir na fórmula com Dyego Sousa, Seferovic e Carlos Vinícius e os resultados voltaram a ser os mesmos, e ilustrando na perfeição as últimas partidas de uma equipa sem chama, previsível e que parece actuar sobre brasas.

O melhor em campo GoalPoint

O único foco de imprevisibilidade no esquema de Bruno Lage. Adel Taarabt tem sido uma odisseia no quase deserto de ideias dos “lisboetas” nas últimas semanas.

O marroquino foi o melhor em campo no palco do Estádio da Luz, com um GoalPoint Rating de 7.8, que realça alguns itens, tais como 84 acções com a bola, um remate enquadrado, um passe em ruptura e outro para finalização, uma eficácia no capítulo do passe de 81% – 11 falhados em 58 -, quatro passes progressivos, cinco longos, sete dribles eficazes em nove tentados, 15 recuperações de bola, três desarmes e quatro faltas sofridas. Na recta final, tentou empurrar a equipa, mas não teve companhia.

Jogadores em foco

  • Vlachodimos 7.5 – A alcunha “Odysaves” aplica-se na perfeição ao grego. Esta noite foram seis defesas, cinco das quais em remates na área do Benfica. Atravessa um excelente momento e, não fosse ele, o resultado até poderia ter tido outros números.
  • Matheus 7.1 – Apesar dos dez remates do Benfica, apenas três levaram a direcção da baliza bracarense e nesses momentos o gigante brasileiro disse sempre presente. Foi lesto a sair dos postes sempre que foi necessário e importante na construção dos lances ofensivos – 52 acções com a bola e 14 passes.
  • Sequeira 7.0 – Apontou com as medidas certas o canto que resultou no único golo da noite – expected assists (xA) de 0,5 -, gizou quatro passes para finalização, seis passes progressivos certos e no capítulo defensivo foi sempre seguro.
  • Palhinha 6.3 – O herói da partida, o médio foi um porto seguro no centro do terreno. Além do golo, destacou-se no capítulo do passe – 90% de eficácia – e venceu os dois duelos aéreos em que interveio.
  • Trincão 6.3 – Esteve apenas 34 minutos em cena, mas o suficiente para ser um dos melhores em campo. Autor de dois remates, ambos desenquadrados, fez ainda dois passes para finalização e teve três dribles eficazes em quatro.
  • Carlos Vinícius 4.6 – Não foi o dia do ponta-de-lança. Perdulário, como nunca se tinha visto esta temporada. Realizou quatro remates, três foram desenquadrados, e desperdiçou duas ocasiões flagrantes.

Resumo

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