Beber chá e falar sobre o fim da vida. Nem a pandemia acabou com os Cafés da Morte

Os Cafés da Morte são locais especialmente criados para beber chá, comer bolos e falar sobre o fim da vida. Porém, com a pandemia e a morte a ocupar os pensamentos de todos, será que ainda fazem sentido?

Quando a Índia entrou em confinamento, os proprietários do Talking Death, um local em Mumbai onde os clientes podiam beber chá, comer bolos e pensar na brevidade da vida, estavam a pensar na sua própria morte.

Como muitos outros encontros afetados pelas regras de permanência em casa durante a pandemia, Talking Death teve de passar a ser online. Porém, os dois psicólogos que o iniciaram, Devaunshi Mehta e Zena Yarde, temiam que, com a morte nos noticiários todos os dias, as pessoas não quisessem perder tempo a pensar nisso.

Por outro lado, de acordo com o Vice, depois de se adaptarem ao regime online, Mehta e Yarde perceberam que era útil para aqueles que queriam discutir os seus medos – mesmo que os números tenham caído em comparação com as reuniões presenciais.

“Algumas pessoas disseram: ‘Oh, graças a Deus! Existe uma plataforma para falar sobre isso’. Queriam realmente falar sobre a morte, especialmente desde que estamos cercados por ela”, disse Mehta.

Yarde também observou que o acesso à Internet permitiu a participação de visitantes internacionais. “Tivemos alguém do Canadá que se juntou a nós. E o anterior, tivemos alguém de Boston”, referiu.

Misturando religião, filosofia e cafeína, a miríade de Cafés da Morte da Ásia também surgiu em Hong Kong, Coreia do Sul, China, Tailândia e Singapura, seja em encontros informais ou negócios temáticos. Os participantes fazem um lanche e pensam sobre o fim inevitável da sua existência ou o que pode acontecer depois.

Muitos também estão localizados em países com tradições e influências budistas, que enfatizam ideias de renascimento após a morte, de acordo com Alastair Gornall, professor assistente de Estudos do Sul e Sudeste Asiático na Universidade de Tecnologia e Design de Singapura.

Em Singapura, o consultor financeiro Raj Mohammad começou a organizar reuniões informais em vários cafés ao redor da ilha para discutir a morte há cerca de cinco anos, com a intenção de fazer com que as pessoas a aceitassem como parte da vida.

Localizado num bairro nobre da capital tailandesa Banguecoque, o Kid Mai Death Awareness Cafe leva a reflexão um passo adiante e oferece aos clientes a oportunidade de se deitarem num caixão e beberem bebidas que os lembra da natureza finita da vida.

O professor assistente Veeranut Rojanaprapa criou o café para a sua tese de doutorado em filosofia e religião na Saint John’s University, na Tailândia, onde a maioria da população é budista.

A Tailândia já não está em confinamento e os casos de transmissão local são quase inexistentes. Mesmo com poucas restrições, o café recebe cerca de 20 clientes nos dias de semana e 50 nos fins de semana. Rojanaprapa disse que, antes do vírus, veria o dobro desses números.

No entanto, Rojanaprapa não vê uma ligação entre o menor comparecimento e relutância em ser lembrado da morte durante a pandemia. Não há planos de fechar o café e o professor acredita que as coisas vão recuperar-se assim que o vírus for derrotado.

ZAP ZAP //

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