Bebé morre após parto ser transferido de Faro para Lisboa por falta de incubadoras

Uma grávida com 32 semanas foi transportada de Faro para Lisboa devido à falta de incubadoras, escreve o Correio da Manhã. Já no hospital Amadora-Sintra, acabou por dar à luz, tendo o seu bebé morrido minutos depois de nascer.

Na passada sexta-feira, 2 de agosto, os médicos do hospital de Faro acharam ser necessário provocar o parto à mulher de 32 anos, uma vez que esta apresentava sintomas semelhantes a uma pré-eclâmpsia, situação que provoca hipertensão e riscos para a mãe e para o feto, conta o matutino esta terça-feira.

A jovem acabou por ser transferida para o Hospital Amadora-Sintra, em Lisboa, nessa mesma sexta-feira porque todas as 10 incubadoras de Faro estavam ocupadas.

Na manhã do dia seguinte, a 3 de agosto, o bebé nasceu através de uma cesariana, tendo acabado por morrer minutos depois, de acordo com o mesmo jornal.

Em declarações ao CM, fonte médica adiantou que o bebé, que tinha nascido com prognóstico reservado devido a um descolamento da placenta, morreu minutos após o seu nascimento. A mesma fonte garantiu que o bebé nasceu em condições de asfixia grave.

Contudo, frisa o jornal Observador, não há qualquer informação sobre se a viagem diminuiu as hipóteses de sobrevivência do bebé.

A rádio Observador contactou a Administração Regional de Saúde do Algarve, que remeteu esclarecimentos para o Centro Hospitalar de Faro.

Contactado pelo mesmo jornal, a unidade hospital de Faro nega qualquer falha, garantindo que foram cumpridos todos os procedimentos. O caso foi reencaminhado  para o hospital mais próximo da rede de referenciação hospitalar, que é o Amadora-Sintra a 290 quilómetros de distância.

Grávidas “saltam de hospital em hospital”

As maternidades da região de Lisboa e do sul do país estão todas a funcionar a meio gás e as grávidas andam a “saltar de hospital em hospital”, afirma o presidente da secção regional Sul da Ordem dos Médicos.

Sem querer referir-se ao caso avançado pelo Correio da Manhã esta quarta-feira em concreto, o presidente da secção regional Sul da Ordem, Alexandre Valentim Lourenço, lamenta que não tenham sido tomadas medidas para assegurar um funcionamento adequado das maternidades durante o período do verão.

Em declarações à agência Lusa, o médico obstetra lembrou que faltam profissionais no período do verão em todas as maternidades e serviços obstetrícias do sul do país.

O representante da Ordem dos Médicos no sul do país indica que a maioria dos obstetras já entregou pedidos de escusa de responsabilidade, o que fará com que as responsabilidades por eventuais acidentes por falta de meios recaiam sobre os responsáveis hospitalares ou mesmo sobre o Ministério da Saúde.

Segundo Alexandre Valentim Lourenço, terão de ser os diretores hospitalares e dirigentes do Ministério a ser responsabilizados por falhas de organização nas maternidades.

A Lusa contactou o Hospital Amadora-Sintra e o Ministério da Saúde para tentar obter mais esclarecimentos sobre o bebé que acabou por morrer mas ainda não obteve resposta.

Também esta quarta-feira, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) pediu à Ordem dos Médicos para avaliar disciplinarmente os responsáveis clínicos dos hospitais que elaboram escalas de urgências sem o número adequado de profissionais.

Em declarações ao jornal Público, o SIM afirma que o problema de falta de médicos podia ter sido antecipado: “Há dois anos que se sabia da situação que está hoje a ocorrer”. E que, ao contrário do que tem sido garantido pelo Governo, problemas como o da falta de clínicos nos serviços de Obstetrícia “não estão ultrapassados”.

ZAP // Lusa

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10 COMENTÁRIOS

    • É… por isso é que é dos países do mundo com melhores indicadores na taxa de mortalidade infantil!…
      De “terceiro mundo” é a ignorância a mania de falar sem nada saber sobre o caso.
      Tu nem tens capacidade para interpretar uma noticia, quanto mais para “avaliar” um país!
      “Contudo, frisa o jornal Observador, não há qualquer informação sobre se a viagem diminuiu as hipóteses de sobrevivência do bebé.”

  1. Não procurem os responsáveis, pois eles são já bem conhecidos e já todos sabemos à míngua que levaram os Hospitais com as suas políticas. Preferiram não investir no SNS, para ter dinheiro para dar alguns bónus para a captação de votos. E parece que os portugueses gostam … até um dia quando o mal lhes bater à porta.

  2. Triste e angustiante noticia ! . A falta de possibilidade de actuação de Emergência no Hospital de origem (Faro), tem de ser cabalmente apurada. Esperamos de saber, se assistida em Faro, o recém nascido prematuro teria mais probabilidades de sobreviver. Se SIM os responsáveis (Governo e Clínicos) por esta situação devem ser condenados.

    • Não houve “falta de actuação”; ela foi assistida em Faro!…
      Mas, tal como está na noticia, há 10 incubadoras e estavam todas ocupadas!!

      • Caro “EU!” , descriminei duas situações diferentes (possibilidade de actuação) que se deveu a falta de incubadoras e probabilidade de sobrevivência se fosse praticado o parto nessa Unidade . Não referi “falta de actuação” . Leia bem primeiro e eventualmente conteste depois!…Respeitosamente, ATENTO .

  3. Não se preocupem. O importante é o Centeno e o governo fazerem boa vista em Bruxelas com aquilo que poupam em Portugal. “haja saúde”…ou não.

  4. Não se preocupem. Podem morrer à vontade. O que é preciso é o Centeno e o Governo fazerem boa vista em Bruxelas com aquilo que poupam em Portugal. “Haja saúde!”…ou não

  5. Infelizmente notícias relacionadas com a saúde e por motivos negativos vêm sendo cada vez mais frequentes na comunicação social e neste sector parece estarmos cada vez mais africanizados, responsáveis não existem!.

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