Banana pode extinguir-se. Cientistas procuram uma solução

Charles Roffey / Flickr

A doença do Panamá é uma infeção que destrói as bananeiras e já afetou várias plantações na Ásia, Austrália, Médio Oriente e África. Cerca de 400 milhões de pessoas de países em desenvolvimento dependem da banana para a ingestão diária de calorias.

O cenário de um mundo sem bananas pode nunca ter sido colocado em questão, mas agora a situação está mais grave, muito por causa da doença do Panamá, que tem dizimado bananeiras pelo mundo inteiro.

Preocupados com o problema, alguns cientistas começaram já a tentar arranjar uma forma para evitar, no limite, a extinção do fruto. A solução, de acordo com o The Conversation, passa por criar uma nova planta resistente à infeção causada pela doença do Panamá.

O artigo escrito por Stuart Thompson, professor na Universidade de Westminster, no Reino Unido, relata como é que a famosa doença pode afetar a produção mundial de bananas, ao ponto de levar o fruto à extinção.

A expressão “república das bananas” não vem por acaso e há nações inteiras que dependem do cultivo desta fruta para sustentarem a sua economia e, em alguns casos, era, virtualmente governadas pelas empresas que produziam as colheitas.

A verdade é que esta infeção que afeta o “fruto do amor”, nas palavras de Michael Chacon, não é nova e, em meados do século passado, já afetou gravemente plantações da América Latina. A doença do Panamá espalha-se facilmente, uma vez que as bananas do mesmo tipo são geneticamente idênticas, caso uma planta seja infetada, todas as outras árvores da plantação também ficam sob risco.

Luadir Gasparotto / PaDIL

Caule de bananeira com doença do Panamá.

Sem solução para este problema, não havia maneira de travar a difusão do fungo. Estima-se que a epidemia tenha gerado perdas de 2,3 mil milhões de dólares, o que com a inflação dos dias de hoje corresponde a 18,2 mil milhões de dólares.

A única maneira encontrada pelas empresas de cultivo de bananas para “parar” esta infeção foi começarem a plantar uma variedade diferente desse fruto, a banana Cavendish, que não era tão comum na América Latina, mas que parecia ser resistente à doença do Panamá.

A Cavendish conseguiu salvar a produção de bananas, ao ponto que 99% das bananas exportadas e quase metade da produção mundial é desta variedade. Contudo, cientistas temem agora que, caso a infeção chegue à banana Cavendish, uma grande fatia da produção será afetada e pode levar à extinção deste fruto.

Isto porque, segundo explica o The Conversation, da mesma forma que existem diferentes variedades de bananas, existem diferentes tipos da doença do Panamá. As árvores com a banana Gros Michael — uma das variedades mais plantadas antes da infeção se espalhar — foi afetada pela “Raça 1” da doença.

Outro dos casos em Taiwan consistia no fungo “Tropical Race 4”, outro tipo da infeção. E não é são só as outras variedades de banana que estão sujeitas a serem infetadas. As bananas Cavendish e 80% das variedades em cultivo atualmente também estão sujeitas ao problema.

A verdadeira solução

Há uma espécie de bananeira em Madagáscar que cultiva bananas silvestres e implantáveis, imunes à doença do Panamá, de acordo com o Tech Times. Os cientistas estimam que há apenas cinco destas árvores.

Richard Allen, assessor sénior de conservação do Royal Botanic Gardens, afirma que estas árvores de Madagáscar, raras e resistentes à doença, têm certas características que as tornam mais fortes do que as bananas Cavendish.

“Estamos esperançosos de que o trabalho que está a ser feito por cientistas ao redor do mundo para encontrar uma cura para a doença que ameaça a banana Cavendish será bem-sucedido”, afirmou Steve Porter, o jardineiro chefe de Chatsworth, um grande palácio rural  na região de Manchester, no Reino Unido.

Allen destaca que o clima da ilha permitiu que as bananas dessa região tenham ganho uma tolerância à doença e à seca. A banana de Madagáscar é diferente das Cavendish, uma vez que produz sementes e tem um sabor desagradável.

No entanto, se for criada uma banana híbrida, com ambas as variedades, pode-se aliar o sabor da Cavendish com a resistência às infeções da banana de Madagáscar. Desta forma, será possível salvar o fruto de uma possível e trágica extinção.

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2 COMENTÁRIOS

  1. E que tal investirem a sério no combate à doença, essa quanto a mim seria a primeira das prioridades. Esta é também mais um sinal de que tudo está a caminhar para um final infeliz embora muitos se recusem a reconhecê-lo.

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