Tancos. Azeredo soube que os autores do furto estavam dispostos a entregar as armas

EU2017EE / Flickr

O ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes

O ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes admitiu no interrogatório judicial do caso de Tancos que teve conhecimento da existência de um informador e que os autores do furto das armas estavam dispostos a entregar o material.

De acordo com o processo consultado pela agência Lusa, e na parte que diz respeito ao achamento das armas, Azeredo Lopes relatou que o seu chefe de gabinete, tenente-general Martins Pereira, lhe disse que havia um informador do Algarve, de nome Fechaduras [Paulo Lemos], que dava informações à Polícia Judiciária (PJ) e à Polícia Judiciária Militar (PJM), e que tinha indicações que os autores do furto estavam dispostos a entregar as armas, mas que teria de ser feito um telefonema simulado da margem sul do Tejo por elementos da PJM a dar conta da localização do material.

Admitiu ainda que sabia que este informador não podia ser identificado por ter medo. O antigo governante disse também que Martins Pereira o informou que o ex-diretor da PJM Luís Vieira tinha consigo documentos com informações, mas que estes tinham de ser destruídos.

Luís Vieira, acusado neste processo dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas, falsificação de documentos, denegação de justiça, prevaricação e favorecimento pessoal, sempre foi um veemente opositor de que o furto das armas fosse investigado pela PJ, tentando várias vezes e com várias pessoas que o caso ficasse debaixo da alçada da PJM.

Azeredo Lopes negou que tivesse transmitido ao primeiro-ministro a revolta e o inconformismo do diretor da PJM, apenas admitindo que lhe deu a ideia de que havia desagrado por parte da PJM. O ex-ministro esclareceu mesmo que, em questões de Defesa, o seu interlocutor mais frequente era o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas.

Um mês após o furto das armas [4 de agosto], Azeredo Lopes recebeu Luis Vieira no seu gabinete e na presença do seu chefe de gabinete, Martins Pereira. Na ocasião, disse ter recebido do diretor da PJM um documento timbrado e assinado por este, relativo ao mal-estar da PJM face à intervenção da PJ nas investigações, mas que o mesmo não deu entrada oficial no seu gabinete por não reunir os critérios necessários, segundo a avaliação feita por Martins Pereira.

Quanto ao dia do achamento das armas [18 de outubro de 2017], Azeredo recebeu uma chamada telefónica da então Procuradora Geral da República Joana Marques Vidal a relatar que considerava que a PJM militar não tinha respeitado a delegação de competências na investigação do furto e que estava muito desagradada com a situação, estando a ponderar fazer uma participação para efeitos da instauração de processos.

De acordo com o mesmo interrogatório, e segundo noticia a SIC Notícias, Azeredo Lopes ilibou o primeiro-ministro, António Costa, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmando que nenhum dos dois tinha conhecimento da alegada encenação da PJM.

“A ideia de alguém supor que o Presidente da República ou o primeiro-ministro interferiram para dar cobertura ao coronel Luís Vieira ou ao major Vasco Brazão não faz sentido“.

Neste processo foram constituídos 23 arguidos, sendo que nove foram acusados de planear e executar o furto do material militar dos paióis nacionais de Tancos e os restantes 14, entre eles o ex-ministro Azeredo Lopes, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Certo, então continua tudo coerente com o que foi dito até agora.
    Sabia que havia a possibilidade das armas serem entregues.
    Sabia da pretensão dos ladrões entregarem as armas sem serem acusados.
    Mas não sabia do plano que estava em andamento e que foi concretizado pela PJM à revelia da PJ.
    Os militares quando perceberam que o plano lhes tinha corrido mal tentaram passar a culpa ao poder politico, que não realidade era quem não tinha muito a ganhar nesta história, os únicos interessados em que as armas aparecessem fosse de que maneira fosse era a PJM para limpar a sua imagem e garantir a própria sobrevivência, pois estava em cima da mesa a possibilidade de extinção desse órgão militar.
    No meio disto tudo é engraçado ver como os politicos aproveitam este caso para favorecimento em período de campanha eleitoral, e quando falamos em aproveitamento, falamos a um nível BAIXO com calunias, insinuações e pretensas acusações em praça publica e desconfianças que têm como objectivo manipular a opinião publica e retirar dividendos politicos em período eleitoral.
    Tanto Cristas como Rio desceram a um nível nunca antes visto! Na hora da verdade vale tudo para meterem os pés no poleiro, esse é o real propósito da sua existência! Não são pessoas, são animais politicos muito ferozes como alguém um dia o afirmou!
    Só para que conste, um rato de esgoto, também é um animal feroz!

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