AutoEuropa também produziu carros com software fraudulento

Um Volkswagen Scirocco de 2009, produzido na fábrica portuguesa da Autoeuropa, foi apanhado pelo escândalo da manipulação das emissões, avança esta quarta-feira o Jornal de Negócios.

A fábrica portuguesa do grupo Volkswagen, a Autoeuropa, também fabricou automóveis a gasóleo com o software que falseia as emissões poluentes, avança esta quarta-feira o Jornal de Negócios.

A marca lançou esta terça uma plataforma que permite aos seus clientes saberem se os seus veículos fazem parte, ou não, da lista de carros manipulados, e foi daí que o proprietário de um Scirocco de 2009 se apercebeu da situação.

Depois de o dono do automóvel ter introduzido os dados na respetiva plataforma, foi confrontado com a seguinte mensagem:

“Lamentamos informá-lo de que o motor Tipo EA 189 do seu veículo com o número de chassis (…) que submeteu está afetado pelo software que causa discrepâncias nos valores de óxidos de azoto durante os ensaios no dinamómetro”.

Este modelo é produzido em exclusivo na fábrica de Palmela mas há outros que também passam no teste, o Eos e o Sharan.

A SIVA, representante da Volkswagen em Portugal, já confirmou a situação ao Jornal de Negócios.

“Tanto quanto sabemos da Volkswagen AG, existem entre os veículos afetados, os modelos da Volkswagen que refere”.

De acordo com o jornal Sol, que fez vários testes na plataforma, a resposta automática lembra ainda que o grupo alemão vai resolver a situação sem custos.

“O seu carro é seguro em termos técnicos e pode circular em estrada. Lamentamos ter quebrado a sua confiança e estamos a trabalhar a toda a velocidade para encontrar uma solução técnica. A Volkswagen vai suportar o custo de todas as medidas e fará tudo o que estiver ao seu alcance para recuperar a sua confiança”, pode ler-se.

A Skoda e a Seat também já lançaram a mesma ferramenta de pesquisa durante o dia de ontem. A Audi, outra marca do grupo envolvida, está a adotar uma estratégia diferente.

No site oficial, surgiu um comunicado no qual se pode ler que “infelizmente, nos últimos dias têm surgido reclamações sobre as emissões em alguns dos veículos” e que lamentam “profundamente este facto”.

Por isso, a marca indica que se os clientes tiverem alguma questão devem entrar em contacto com a SIVA,  assegurando que “estão atualmente a ser preparadas as medidas técnicas necessárias”.

Volkswagen corta no investimento

A Volkswagen confirmou nos últimos dias que existem cerca 11 milhões de automóveis com “kits fraudulentos”, sendo que 94 400 veículos se encontram em Portugal.

De acordo com o Diário Económico, Matthias Mueller, atual presidente-executivo do grupo alemão, diz que a a empresa vai rever todos os investimentos previstos e “cancelará ou adiará os que não sejam estritamente necessários”.

“Serei muito claro: isto vai ser doloroso”, disse o presidente perante cerca de 20 000 trabalhadores reunidos na sede central de Wolfsburgo, na primeira assembleia convocada desde que o escândalo rebentou.

Além disso, Mueller afirmou que as reparações aos veículos com motores manipulados vão começar em janeiro, uma operação que espera ver concluída até ao fim de 2016.

Em declarações ao Económico, fonte oficial do ministério da Economia refere que, para já, não há conhecimento de que a Volkswagen tenha intenções de desinvestir em Portugal.

“Estamos a aguardar que a fabricante apresente as suas medidas para resolver esta situação”.

ZAP

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4 COMENTÁRIOS

  1. O ZAP pertence ao grupo empresarial do Correio da Manhã? Usam títulos que chamam a atenção mas o texto peca por omissão. A Autoeuropa não produz peças, recebe-as para a montagem dos carros! Jornalismo habitual, tendencioso!!

    • Mas produzem carros, como esta correctamente escrito no titulo!!!
      As fabricas automóveis, normalmente, não produzem peças; como é óbvio!!

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