Autoeuropa em risco de parar com 6000 carros retidos devido a greve dos estivadores

André Areias / Lusa

A greve dos estivadores precários do Porto de Setúbal está a complicar a vida a várias empresas portuguesas, em especial à Autoeuropa, uma das maiores exportadoras nacionais que tem cerca de 6 mil carros retidos e que arrisca ter que parar a produção.

Um grupo de estivadores está em greve há cerca de uma semana, num protesto contra a Operestiva – Empresa de Trabalho Portuário de Setúbal, devido aos contratos precários que mantêm há vários anos. A paralisação está a afectar várias empresas exportadoras nacionais.

A Autoeuropa já admite que pode ter que parar a produção, se não conseguir espaço para os carros para exportação que já se acumulam. A empresa, uma das maiores exportadoras nacionais, tem cerca de 6 mil viaturas retidas, à espera de serem enviadas para o estrangeiro, de acordo com o jornal Público.

Se a paralisação continuar, pode “colocar em causa a operação da fábrica” quando for “atingida a capacidade máxima de armazenamento de carros produzidos” nos diversos parques da Autoeuropa, referiu uma fonte da empresa ao jornal.

“Está tudo parado” no Porto de Setúbal

O Governo já anunciou que “a situação está a ser acompanhada pela ministra do Mar“. “Tem havido constantes diálogo e reuniões com os vários operadores portuários do Porto de Setúbal, mas também com outros de outros portos, no sentido de encontrar soluções para minimizar ao máximo os impactos das paralisações”, referiu à Lusa uma fonte do gabinete de Ana Paula Vitorino.

O presidente do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul, António Mariano, revelou que 90% dos trabalhadores do Porto de Setúbal são precários e que por isso, “está tudo parado” à espera que terminem as “manobras de intimidação”.

Segundo António Mariano, as empresas que contratam estes trabalhadores – cerca de 150 de acordo com os dados do Sindicato – estão a tentar fazer contratos com alguns deles, que são “ilegais em tempo de greve” e cujos termos são desconhecidos.

Os trabalhadores exigem assim o retomar das negociações com os sindicatos para um acordo colectivo de trabalho que garanta os seus direitos, já que em situação precária chegam a trabalhar 30 e 40 turnos por mês.

“Os trabalhadores estão fartos, muitos estão nesta situação há mais de 20 anos”, refere o sindicalista, notando que “estão a ser alvo de manobras de intimidação e coação” e “decidiram parar totalmente” desde 5 de Novembro.

Na segunda-feira, a Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (Agepor) denunciou a inexistência de trabalho portuário nos terminais de contentores de Setúbal, sem que esteja decretada uma greve ao trabalho em horário normal, e pediu a intervenção do Ministério Público.

Os agentes de navegação notaram que apenas está decretada uma greve ao trabalho suplementar pelo Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL).

A par desta paralisação dos precários decorre uma greve ao trabalho suplementar, decretada pelos estivadores do SEAL, até 01 de Janeiro de 2019, em defesa da liberdade de filiação sindical.

A greve em causa abrange os portos de Lisboa, Setúbal, Sines, Figueira da Foz, Leixões, Caniçal (Madeira), Ponta Delgada e Praia da Vitória (Açores).

ZAP // Lusa

 

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3 COMENTÁRIOS

  1. Pois toda a gente a fazer reivindicações -claro aqueles que podem, pois sabem que nunca irão ser despedidos-
    e depois a economia a crescer pouco e depois admiram-se de vir a TROIKA novamente.
    Continuem que vão no BOM CAMINHO

  2. Se são efectivos a coisa não está bem porque ganham pouco e as regalias não são suficientes e os horários de trabalho nada interessantes, possivelmente perante tanta reivindicação as empresas vêm-se obrigadas a recorrer a precários para poderem satisfazer os seus compromissos, no meio de tanta polémica seria justo e interessante vir a público a publicação de salários e regalias de toda esta gente para assim podermos avaliar de que lado estará a razão, entretanto parece teimarmos em viver como ricos sem a necessidade de ninguém e rejeitarmos aqueles que nos vão dando a mão, será que alguém pensará nisto antes de optar por uma tomada de posição?.

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