Austrália declarou guerra aos gatos vadios (e quer abater 2 milhões)

Até 2020, o Governo australiano quer matar dois milhões de gatos vadios, uma grande fatia da população total de felinos, estimada entre os dois e os seis milhões.

No estado de Queensland, a nordeste, foi oferecida uma recompensa de 10 dólares (8,96 euros) por cada cabeça de um gato vadio. O People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) já caracterizou a política como “cruel”.

O problema estende-se à Nova Zelândia, onde um ambientalista propôs um futuro livre de gatos, com gatos domésticos e selvagens controlados ou abatidos. É um problema antigo no continente. Tudo indica, de acordo com a CNN, que o primeiro gato tenha chegado à Austrália durante o século XVII. Desde então, o seu número aumentou, com uma população que ocupa uma área estimada de 99,8% do país.

Embora os gatos selvagens pertençam à mesma espécie dos gatos domésticos, há algo que os distingue: vivem livremente na natureza, onde são forçados a caçar para sobreviver. Na cadeia alimentar, os gatos vadios são os predadores, vistos como um alvo a abater.

Os gatos selvagens já levaram mais de 20 espécies de mamíferos à extinção e são, por isso, a maior ameaça às espécies nativas da Austrália. Estima-se que 80% dos mamíferos da Austrália e 45% das aves nativas não são encontrados em mais nenhum outro lugar no planeta.

Calcula-se que os gatos matem mais de um milhão de aves nativas e 1,7 milhões de répteis na Austrália todos os dias, de acordo com pesquisas científicas citadas pelo Departamento de Meio Ambiente e Energia da Austrália. As espécies ameaçadas incluem o rato Conilurus penicillatus e o bandicoot dourado, semelhante a um rato.

O Governo anunciou o plano de abate em 2015, altura em que prometeu cinco milhões de dólares (4.487.210 euros) a organizações que combatem os gatos na linha da frente. Em julho de 2018, o New York Times acompanhou duas pessoas pertencentes à Sporting Shooters Association of Australia, Shane Morse and Kevin Figliomeni, naquela que seria a última refeição para muitos gatos. Na beira de uma estrada começaram a descarregar salsichas envenenadas. As salsichas eram o chamariz para matar gatos.

Plano debaixo de fogo

Tim Doherty, um ecologista especializado em conservação da Universidade Deakin, na Austrália, concorda que os gatos selvagens têm um efeito “nefasto” nas espécies nativas da Austrália, mas acredita que o abate é baseado em premissas “instáveis” da ciência.

Doherty acredita que “não há realmente uma maneira confiável de estimar em todo o continente, e, a definir um alvo, é preciso ser capaz de medir o seu progresso em direção ao objetivo”.

Outra questão, “mais premente”, é que simplesmente matar um gato não salva as vidas dos mamíferos e aves em risco, já que teria de se provar que “o gato estava na mesma área que os animais ameaçados”.

Outro dos alertas do ecologista prende-se com a desconfiança de que as atenções estejam focadas no alvo errado, para esconder outro tipo de problemas. Embora o número de gatos seja algo a resolver, o “Governo havia-se concentrado muito neles, à custa de outras questões politicamente mais sensíveis, como a perda de habitat causada pela expansão urbana, extração de madeira e de minérios”.

Entre os críticos da política estão o cantor britânico Morrissey e Brigitte Bardot.

ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. É mais fácil matar do que esterilizar!
    Para o ser humano, matar é tão fácil!
    Acho lamentável.
    Se os humanos não abandonassem os seus animais, isto não acontecia!
    Se os gatos selvagens fossem esterilizados, não seriam 6 milhões!
    Matar, matar, matar…..eis a solução.

    • Também concordo, já para não falar que a última perseguição e caça aos gatos que existiu na história humana foi no tempo da Inquisição em que se associavam os gatos às bruxas e como consequência seguiu-se a peste bubónica espalhada pelos ratos – a principal presa dos gatos. Os gatos eram também considerados guardiões sagrados nos tempos dos faraós egipcios e talvez haja uma boa razão para isso.

    • Os marsupiais são animais nativos… Em 2017, já eram o dobro da população humana australiana!… E uma das medidas de controlo do boom populacional passa por consumir carne de canguru…

  2. Matar 10 milhões de animais? Envenenar salsichas? Estes parecem-me mais elementos de um filme de terror do que um episódio real.
    Como pode um governo tomar tal decisão perante uma situação unicamente causada pelo povo australiano? Não nos esqueçamos de que os gatos que estão na rua são gatos domésticos, abandonados, na maioria das vezes, perdidos, em outras, ou descendentes destes. Os gatos são culpados de quê? De caçar para sobreviver? E as pessoas, as verdadeiras culpadas pela situação, em vez de serem punidas, punem os inocentes…
    Por outro lado, há respostas muito menos cruéis e bárbaras para a situação. A esterilização é uma estratégia seguida em vários locais do globo para situações semelhantes.

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